Entrevista: Bruno Figueiredo

Foi durante a sua passagem pelo NOS Primavera Sound que falámos com João Vieira, cara e voz por detrás do projecto White Haus.

White Haus ©Luis Espinheira
©Luis Espinheira – editada

O músico portuense, também membro dos aclamados X-Wife, juntou-se a nós no backstage do NOS Primavera Sound, para falar um pouco sobre o projecto que já carrega desde 2013 e do qual podemos esperar novidades em breve.

Bruno Figueiredo – Como é que começa esta aventura de White Haus?

João Vieira – Esta aventura surgiu quando houve uma pausa dos X-Wife. Eu ensaiava regularmente, editávamos álbuns de 2 em 2 anos. Foi então que um dos elementos dos X-Wife foi viver para Lisboa e começámos a ensaiar menos e menos, até ao ponto em que ensaiámos mesmo muito pouco e eu senti falta de continuar a fazer música. Então achei que era uma boa oportunidade para me aventurar a começar.
Montei um pequeno estúdio – mesmo muito pequeno no início – e foi aumentando conforme fui comprando mais material. E comecei a aventurar-me a produzir sozinho, por vezes com a ajuda de amigos, produtores… Depois, cheguei à conclusão que era algo que eu poderia fazer e que as pessoas poderiam gostar.

Isto era um projecto que era só para ser gravado, mas houve muita gente que achava que eu devia tocar ao vivo, e uma vez que os X-Wife estavam parados e não estavam a tocar, pronto, convidei uns músicos para tocar comigo. E foi assim.


BF – Lançaste o EP em 2013 e o LP em 2014, ambos homónimos. Tens rodado as salas deste país. Esperas começar também passar por algumas salas lá fora?

JV – Ainda não. Mas eu também já estou com menos vontade de fazer coisas lá fora. É realmente muito complicado, é um investimento muito grande. Quando é uma banda, é um investimento a 3 ou a 4. Quando é um projecto a solo, com músicos contratados, é um investimento de uma pessoa e é complicado.
Eu acho que a internacionalização, a aposta lá fora, tem que ser uma coisa que realmente tenha uma sequência, não pode ser só ir e voltar, desaparecer durante 2 anos e depois ir outra vez. Não! Tem de ser trabalhada como se trabalha cá. Por exemplo, estou aqui a fazer uma entrevista contigo, estou a tocar num festival importante… é assim que tu cresces lá fora também.

Eu tenho alguma experiência de ter tocado lá fora e, realmente, o único país onde conseguimos furar, foi Espanha – com X-Wife. Tocámos no Primavera em Espanha, tivemos lá editora e fizemos tours por lá. Mas é preciso trabalhar e estar disponível. Por isso, para já, estou bem assim, com calma.

BF – Agora que os X-Wife estão de volta, como é gerir esta dualidade de projectos?

JV – Olha, não é assim tão complicado quanto eu pensava. Os X-Wife voltaram, e eu não sabia se iriam voltar ou não; nós nunca dissemos que tínhamos acabado, mas também não sabia se iríamos voltar ou não. E depois resolvemos fazer aquele single, o single foi um sucesso, vendemo-lo para o jogo da FIFA, demos bons concertos no Paredes de Coura e no Alive, e realmente pensámos: “este é um projecto que era um pena acabar” e muita gente também falava disso, estavam constantemente a dizer que: “Ah! É que vocês não deviam acabar, deviam voltar”. Muita gente gosta de X-Wife, é uma banda com carreira, já com 4 álbuns editados.


E as coisas vivem bem. O Rui também tem Mirror People e o Fernando toca com Best Youth. E é assim o mundo da música: se a internacionalização é difícil, tu tens realmente de fazer muita coisa cá para te conseguires aguentar. Até o meu baixista tocou aqui, ontem, com Sensible Soccers. Ele próprio tem duas bandas. O João Doce tocava nos Wraygunn, agora toca também com o Tó Trips, e comigo também.

Nós começámo-nos a aperceber disso: Em Portugal, se só queres fazer música, ou tens um projecto muito forte ou és um fadista muito conhecido, um Pedro Abrunhosa, um Jorge Palma, ou bandas mais alternativas; ou então torna-se duro.

BF – E sobre o concerto de hoje: como foi o ambiente aqui no NOS Primavera Sound?

JV – Eu gostei imenso! Estava super relaxado, o soundcheck relaxou-me porque correu bastante bem. Acho que o público aderiu muito bem e tocámos músicas novas. Acho que, com o passar do tempo, uma pessoa vai-se apercebendo que é só um concerto, não é mais do que isso.

BF – E num futuro próximo, o que podemos esperar de White Haus?

JV – Daqui para a frente teremos um álbum a sair ainda este ano, e espero que corra bem. Estou a apostar muito neste disco.


Assim terminou a entrevista e agora resta-nos esperar por esse tão esperado disco, que está para breve. Até lá, o conselho é para irem dançando ao som do mais recente single de White Haus, “This is Heaven”, tema este que premoniza o que vem por aí.

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