Texto: João Craveiro | Fotografia:  Mafalda Lalanda

O terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura prova que o jazz não está completamente à margem das tendências actuais ou, pelo menos, das tendências a serem mais exploradas.


Bruno Pernadas inicia um cartaz de sucesso que se dedica ao jazz e às suas naturais (e às vezes menos prováveis) variações. Desenhou um momento orquestral com direito a teclados, sopros e voz, nomeadamente, com harmonias vocais de um dos elementos dos You Can’t Win Charlie Brown, Afonso Cabral. Levou o público numa viagem de barco, enrolados pelas ondas e pelo exotismo das suas composições.

Entretanto, o sol prepara-se para pousar atrás das árvores enquanto os Young Fathers dão os primeiros passos no palco. Passos que rapidamente passaram a uma coreografia bem animada para a plateia. O trio, composto por Alloysious Massaquoi, Kayus Bankole e GA Hasting, entregaram-se de corpo e alma para este momento. Misturaram o mundo electrónico com as sonoridades do R&B, mas também do indie e do pop.

Apesar de não ser o nome mais chamativo do cartaz, é certo que passou a ser um nome reconhecido por todos os que tiveram a oportunidade de assistir a este concerto positivamente desgastante.

Os canadianos BADBADNOTGOOD marcaram a sua estreia em Portugal num concerto em que foi o jazz iniciou a noite no Vodafone Paredes de Coura. O baterista, Alexander Sowinski, não se poupou em palavras de deslumbramento pelo momento e pelo público que recebeu a banda. Apesar de alguma conversa desnecessária durante o concerto, os portugueses (e não só) pareceram aderir melhor do que seria expectável às sonoridades trazidas pelo piano, saxofone, baixo e, claro, a bateria que ocupava o centro do palco. Houve lanternas no ar, aplausos compulsivos de alegria e um grande sentimento de pertença ao mundo dos jovens instrumentistas.

No Palco Vodafone FM, os irmãos Octa Push divertiram-nos com a mescla de géneros músicas que se fizeram propagar pelas colunas. Difíceis de decifrar, mas fáceis de aderir especialmente pelas influências das músicas do mundo com a música electrónica ligeira. No próximo ano completam 10 anos de existência, mas até lá vão divulgando o seu último álbum (“Língua”).

De seguida, e de regresso ao palco principal, apresentaram-se os Japandroids. Revelaram, de forma um pouco repetitiva, as suas sonoridades e partilharam algumas curiosidades com o público. Entre elas, o facto da cidade do Porto der cedido o espaço para a gravação do último single da banda. As vozes dos canadianos ecoaram com a ajuda da guitarra de Brian King e da bateria de David Prowse, num momento que pedia um lugar senado na relva que reveste a colina deste grande palco.

Beach House, chamados ao Vodafone Paredes de Coura para representar um estilo eletrónico mais direccionado para um pop sombrio, acabaram por cansar o público com uma espera de mais de meia hora. Os problemas técnicos foram resolvidos e o grupo apresentou-se em palco, mas com alguma longitude que não é habitual. Talvez a verdadeira presença dos Beach House só possa ser apreciada em sala fechada. Ainda assim, o concerto levantou as mãos do público e deu um brilho comovente através das lâmpadas oferecidas pela Vodafone.

Até ao final do concerto já havia um contágio de emoções entre os ouvintes e a banda. Assim, despedimo-nos carinhosamente deste grupo, enternecido nas suas luzes negras e assombreadas.

O dia terminou ao som da dupla israelita Red Axes no palco After-Hours.  Conhecidos pelos seus lançamentos em editoras como a Multi Culti e a Disco Halal que misturam batidas de house e techno com a música tradicional israelita. Um começo tardio, já bem perto das 04h00 da manhã, mas com um duo super focado num set com batidas mais pesadas da música electrónica. Um set bem feito com óptimas músicas e com qualidade técnica, que pode ter perdido pela falta daquela identidade e sonoridade que esperávamos dos Red Axes.

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