Texto: João Craveiro | Fotografia:  Mafalda Lalanda

O segundo dia do Vodafone Paredes de Coura significa a abertura de todos os palcos do festival. Há mais concertos, mais movimentação no campismo e, claro, o grande recinto natural vive o seu auge sonoro.


As nossas energias começaram a subir com You Can’t Win Charlie Brown. A alegria contagiante do grupo relembra-nos sobre o importante lugar do indie rock português. Houve direito a crowdsurfing e boas vibrações passadas através da apresentação do último álbum da banda, “Marrow”.

O pó foi-se levantando do chão com os norte-americanos Car Seat Headrest. Se, no início, o público parecia disperso, no final já havia poeira a tapar a vista do concerto. Contudo, o pôr do sol não se mostrou o melhor momento para este promissor concerto.

Houve, de facto, uma energia diferente que, provavelmente, com um concerto mais nocturno poderia revelar-se algo mais impactante para os ouvintes.

O timing perfeito esteve nas mãos de King Krule. O jovem britânico brilhou em palco e conquistou, ainda mais, o público. Os festivaleiros já foram preparados com as letras e as melodias das canções e quem não sabia foi aderindo progressivamente, até se fazer ecoar uma boa homenagem a este artista que apenas tem um álbum publicado com o seu actual nome. Curiosamente, a imagem mais contida do cantor fez com que se destacasse do movimento atribulado de outros concertos. Com uma aparência relativamente frágil e com um acompanhamento mágico de saxofone revelou-nos uma mística única nestes 25º de Paredes de Coura.

A contrastar completamente com esta presença, temos os norte-americanos Ho99o9. Selvagens, energéticos e contagiantes. Levaram toda a sua força para o palco e, sem dúvida, não havia espaço de sobra para toda a dança e caos delirante que acontecia entre artistas e público. Obviamente, a poeira só podia andar pelo ar e, assim, o Palco Vodafone FM transbordou de gente, especialmente pela presença de muitos curiosos que passaram a ser dançarinos activos. Uma batida violenta para acordar e revitalizar os que já queriam caminhar para o campismo.

Claramente, é preciso destacar a estreia dos At the Drive-In em Portugal. Não houve um segundo de paz no palco.

Entre saltos, agitações frenéticas de microfone, danças e ataques epilépticos no chão, há que aplaudir de pé a dedicação do grupo. Notoriamente experientes e amantes do rock alternativo, viveram e fizeram viver todos à sua volta. Só foi pena a poeira tapar a vista a quem estava lá atrás, mas para resolver isso há sempre um belo crowd-surfing a caminho.

E quando parece que já não é possível acontecer mais, surge o mítico Nick Murphy – que ainda  chamou muitos pelo seu passado de sucesso como Chet Faker. O sensualismo, tanto da performance como da figura, derreteu alguns corações e chamou outros tantos. O australiano, além de desenhar a voz por um mundo introspectivo, passou pelas teclas, puxou pela bateria, pela a guitarra e deu o seu ar pop electrónico, escondido atrás de uma aparência antiga e fantasmagóric.

Sem dúvida que não desiludiu e que nos deixou alguma serenidade no espírito. “Talk is Cheap” e “Stop Me (Stop You)” ficarão na memória auditiva dos grandes fãs.

Terminamos a nossa noite com Jambinai. Há algo especial neste grupo, possivelmente à forma pouco provável como fazem coexistir o folk sul coreano e o rock actual. Por vezes criadores de algum sentimento de transe, deixaram-nos surpreendidos por esta escolha num palco de After Hours. Queremos continuar a seguir as suas produções, pois trazem algo que dificilmente teríamos acesso sem a aposta do Vodafone  Paredes de Coura.

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