Texto: Bruno Figueiredo

Para muitos, tradição anual. Para muitos outros um novo mundo de aventuras musicais. Falamos do Vodafone Paredes de Coura e do que esperar desta vigésima sexta edição na praia de sempre, o Tabuão.

Vodafone Paredes de Coura, gráficos.


Para nós a visita a colina verde do Vodafone Paredes de Coura já não é novidade. Todos os anos regressamos com vontade de nunca deixar de voltar àquele que é, para nós, um dos melhores festivais nacionais.

Seja pela constante inovação musical que trouxe ao mercado nacional inúmeras estreias e momentos altos, seja pelo já habitual bom ambiente e banhos frescos no rio, seja pelas pessoas, aquelas que nos recebem com sorrisos largos e que se orgulham de dizer: “a minha terra, é a terra do rock.”

Mas deixemo-nos de melancolia e paixão, para falar do que também interessa: quem devem ver e ouvir, pelo menos na nossa humilde opinião.

Ao chegar desta vigésima sexta edição vimo-nos rejubilar e torcer o nariz pela passagem fugas de Björk pelo line-up do festival, mas os Arcade Fire, que tão depressa ocuparam esse vazio, não são 2ª escolha com certeza, mas sim uma boa justificação para nos fazermos à estrada. Do seu trabalho “Everything Now“, uma crítica escondida da ode ao capitalismo, chegam-nos mais uma vez novas roupagens, mas ouçamos com atenção à espera de clássicos como “No Cars Go” ou “The Suburbs” que, e agora falo-vos num tom muito pessoal, preencheram noites de estudo, festa, parodia ou depressão, um leque tão grande e versátil como a sua discografia, e também a enorme formação que trazem a palco.

Mas façamos uma pausa para falar de uma série de momentos, que nunca esquecidos, se perdem por vezes no balanço do festival. Falo das noites cheia de música para quem quer viver um pouco mais de Paredes de Coura nos dias que antecedem o evento principal. Quando o Festival sobe a vila, sobem com ele nomes grandes e este ano não é excepção com projectos para todos os gostos desde Deixem o Pimba em Paz, onde Bruno Nogueira e Manuela Azevedo homenageiam esse nosso património musical nacional, até ao rock dos Barry White Gone Wrong ou The Lemon Lovers, um DJ Set de The Legendary Tigerman (que complementa as guitarras e o concerto no palco principal com a energia da vila) e ainda as sonoridades mais pesadas de 10000 Russos e The Black Wizards. Todos estes são motivos de festa, todos eles propícios a deleitar os vossos ouvidos.

Falemos do 1º dia de Festival, do qual nos é difícil dar a escolher.

Por um lado, e pensando em produção nacional, vejam-se os elevados Grandfather’s House a mostrar maturidade e talento puro sobre o palco que já os fez muito feliz em 2015. Por outro, os Linda Martini que já se podem considerar “prata da casa”, regressam de homónimo nas cordas para, como sempre, fazer sentir “a puta da gravidade”. Já em Conan Osiris deparámo-nos com um dilema, pois todos sabem que nem todos somos fãs, mas ninguém é indiferente. Da nossa pare fica a curiosidade de ver, e quem sabe falar, com o homem que deu aos bolos uma nova vida e que, e não se riam por favor, ensinou este que vos escrever que há um bolo chamado “guardanapo”.

Aos nome internacionais deixamos a nota de sempre: não passem o festival sem poder sentir a energia de King Gizzard & The Lizard Wizard. Não podemos esquecer pois quem completa 5 albúns num ano merece também respeito, ou talvez não, mas merece uma olhadela, pelo sim pelo não.

Do 2º dia, cheio, queremos centrar-nos em poucos nomes, com alguma enfase, mais uma vez, no talento nacional.

Surma é, e podem citar-nos, talvez a maior promessa da música nacional nos últimos anos e o seu caminho ainda só agora começou.

Débora Umbelino, o nome daquela pessoa que é tanto de frágil como poderosa, e que nos trouxe para um novo universo musical, com a capacidade, e a vontade, de render qualquer público aos seus peculiares encantos musicais. Dona de uma sonoridade única e muitas vezes quase experimental, Surma é um projecto que veio para ficar e que promete agradar a todos os que pairarão por aqueles dias no Vodafone Paredes de Coura.

Mas claro que há muito mais a ver no dia 16 de Agosto, Fugly é uma delas. Donos de uma energia suja e punk, trazem o seu “Millennial Shit” às costas e prometem dar que dançar. Outro nome a não esquecer seria a dupla instrumental Galo Cant’as Duas e o seu potente muro musical. De 2 membros em palco nasce algo que é difícil de descrever, mas que sem dúvida tem potencial para satisfazer os vossos desejos musicais mais variados.

Terminamos os highlights do 2º dia ao som dos Fleet Foxes e do seu melancolismo crónico, que esperamos ser uma excelente maneira de nos embalar pela noite a dentro. Nota rápida para a curiosidade que Japanese Breakfast nos deixou, não sabemos o que esperar, mas quando em Paredes de Coura, descobre algo novo.

Semana a dentro, com 4 dias de festa e 2 de festival para trás, chegamos ao 3º dia de evento. Um dia de sonoridades mistas, e com particularidades, traz-nos alguns bons projectos, e uma escolha difícil de resumir. Mas tentaremos o nosso melhor.

À cabeça, Skepta é o projecto que mais nos cativa no 3º dia de festival. O cheiro a rap e hip-hop não é muitas vezes sentido nos palcos de Coura, e será com certeza interessante perceber como o público lidará com a mudança de paradigma. Mas há muito mais para além de Skepta, como um dos nomes mais sonantes do festival, não fosse a sua presença política tão marcante.

Falamos claro das Pussy Riot que nos chegam da Rússia cheias de palavras de luta, energia e mascaras faciais, e não. Não são daquelas hidratantes. De voz dura, mensagem seca e incisiva, ressalta-nos o interesse sobre o que esperar do projecto. Depois, na ponta contrária do expectro musical esperamos Kevin Morby e a sua voz de por-do-sol, para nos levar no embalo do rock mais sentimental.

Em último lugar, mas nunca menos importante, nomes nacionais como os Vaarwell ou Quadra, e grandes destaques como DIIV, não fogem ao nosso radar e merecem as honras.

E assim chegamos ao último dia de Paredes de Coura. Já mencionamos o headliner, os Arcade Fire, mas este é um dia cheio de jóias da coroa musical  desta edição, com destaque para os nacionais Ermo, Dear Telephone e Mr. Gallini que nos trazem, entre todos, uma amplitude sonora desmedida. Desde as sonoridades electrónicas à guitarra semi-acústica e voz rouca mas aguda de Bruno Monteiro (Mr. Gallini) esperam-se momentos que podem virar memórias de festival.

Resta-nos mencionar a passagem de Curtis Harding e Myles Sanko que trazem consigo vozes fortes, espírito soul e sonoridades ideias para balançar a cabeça e ombros, sentados na relva, a beber da energia suave que ali se passará.

Encontramo-nos à beira rio? Sim? Então tragam o vosso melhor espírito de descoberta e preparem-se para viver mais uma edição deste festival que, para todos os efeitos, é o habitat natural da música.

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