Texto: Adelaide Martins | Fotografia: Pedro Matos

Os conimbricenses The Walks actuaram no passado dia 5, em pleno coração da sua cidade.


No passado dia 5 de Junho, foi dia dos conimbricenses The Walks voltarem a actuar “em casa”.
Na sequência de uma forte aposta da Câmara Municipal de Coimbra, a edição de 2016 da Feira Cultural da cidade mostrou-se mais organizada, mais extensa e mais rica em conteúdos. No painel da música, a aposta também pôde ver-se reforçada. Depois dos conterrâneos Marble Avenue actuarem quase à hora prevista para a agilização dos pormenores técnicos, Gonçalo Carvalheiro, Miguel Martins, Nelson Matias, John Silva e Paula Nozzari subiram ao Palco Coreto do Parque Dr Manuel Braga já depois da hora marcada. O ambiente estava “no ponto”: era descontraído e aconchegante, entre amigos, família e outros rostos conhecidos.

O final de tarde aproximava-se mas a temperatura teimava em não abrandar. E rapidamente surgiram as memórias do concerto de estreia da banda, no Salão Brazil, a 6 de Julho de 2013 – em que a temperatura da sala fazia o mais descrente bradar aos céus.

Já em palco, Gonçalo, Miguel, Nelson, John e Paula não perderam tempo com apresentações ou grandes conversas. Directos ao assunto, deram início ao espectáculo com “Hell Of A Dream”. Com um espectáculo mais coeso, orquestrado entre músicas, os The Walks mostraram-se mais maduros.
No alinhamento, seguiram-se “Before & After”, “Backfire” e “Lost In The Crowd”. A plateia, surpreendente e lamentavelmente sentada, apresentou-se tímida mas rapidamente se foi deixando render pelos encantos persuasivos da banda. A cativar a sua atenção esteve, também, um peculiar casal junto ao palco. Não faltaram gritos entusiastas, desenfreados passos de dança e ainda uma espécie de mosh tresloucado, alienado de tudo.
“Lost In The Crowd” e “Holding On” abriram caminho para uma já muito esperada “Redefine”. Com um refrão orelhudo e um ritmo contagiante, a música assenta sempre como uma luva nas mãos “saltitantes” do público. Cada vez mais focados no seu objectivo, e com uma sonoridade mais rápida e encorpada, os The Walks apresentam-se com uma postura mais sólida, destacando-se a interacção e comunicação visual entre si, subtil e eficaz. O relevo é inevitável entre baixo e guitarra e baixo e bateria – duplas que se fundem organicamente e dão um corpo melódico especial à mostra colectiva. “Move Along” surge como um estalo de luva branca, de rompante, não deixando margem para respirações mais tranquilas. Mas a aprovação do público pareceu genuína, expressando-se em massa.
“Clockwork”, a pedir um pézinho de dança, deu entrada para a sempre descontraída “Riding The Vice”. Com o semblante mais fechado, John mostrou um cariz mais sério e pesado, mais “rock and roll”, em “Pleasure & Pain” e “Loaded Gun”. A terminar, o foco de atenção passou por “Inside Out”. Longa, intensa e viciante são, sem dúvida, as características primárias da música – onde o tempo se torna relativo e, acima de tudo, fugaz. Por mais que o anúncio de final de concerto seja feito, não há vontade que não queira contrariar o fim da jam que encerra o tema.
Mas a despedida é inevitável e os The Walks despediram-se “até à próxima”, com um agradecimento enternecido.

Em suma: os The Walks cresceram e aprenderam a conquistar e cativar cada vez mais o seu público. Donos de um sentido de humor “muito especial”, mostram ainda que a sua música cresceu consigo. Mais forte, mais rápida e mais “in your face” – é assim que, em termos gerais, se pode descrever aquilo que se vive e se constrói em cima de palco.

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