Entrevista: Adelaide Martins | Fotografia: Salomé Reis

Estivemos à conversa com Nelson Matias, baixista dos The Amazing Flying Pony, para uma viagem ao passado e para perceber quais as emoções e expectativas para o seu regresso aos palcos. A acontecer já no dia 9 de Setembro, no 4º aniversário da Cultur’Arte Mag!

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Adelaide Martins – Recuando no tempo: quando, como e com que objectivo formaram a banda?

Nelson Matias – Ui, já foi há tanto tempo. Creio que formámos a banda em 2008, se não estou enganado, portanto já passaram 8 anos! Em primeiro lugar, já nos conhecíamos bem antes de começarmos o projecto, já havia uma amizade e uma ligação forte entre os 4 e todos tínhamos um interesse em comum, a música. Um dia, as promessas de formar uma banda foram cumpridas e demos por nós num sótão a compor. Nos primeiros ensaios quase nem tínhamos material para tocar, mas a vontade de fazer música falou mais alto, e nos primeiros ensaios construímos as nossas primeiras canções. Desde aí sabíamos que tínhamos de continuar e de investir na banda. O nosso objectivo, desde o início, sempre foi divertirmo-nos a fazer uma coisa que gostávamos muito e não pensar muito no dia de amanhã. Fosse onde fosse o concerto, com cachet ou sem, nós íamos tocar a todo o lado.

AM – Como surgiu a formação da banda?

NM – Eu, o Gonçalo e o Pedro entrámos no mesmo curso em 2003 e pouco depois conhecemos a Guida que, não sendo do nosso curso, estudava na mesma faculdade – pelo que a amizade entre os 4 já existia há bastante tempo. Saíamos muito e bebíamos uns copos e, por vezes, o tema de “vamos formar uma banda” surgia, mas sem que nunca o tivéssemos colocado verdadeiramente em prática. Até que, em 2008, decidimos finalmente reunir-nos numa sala de ensaios. De certa forma poderíamos pensar que a banda surgiu tarde, até porque já nos conhecíamos há muito tempo, mas na verdade acredito que se formou na altura certa.

AM – Uma pergunta que toda a gente quererá saber: como surgiu o nome The Amazing Flying Pony?

NM – Na verdade, não me lembro muito bem. Sei que foi uma sugestão do Pedro. Estávamos na altura a fazer um brainstorming de ideias para o nome do projecto masm para ser sincero, já passaram 8 anos e não me lembro da origem do nome. Apenas sei que foi a melhor escolha possível e é o melhor nome para espelhar aquilo que é a banda e o espírito que tínhamos nos primeiros anos.

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AM – Como podem descrever aquilo que se vivia nos vossos concertos? Em palco e quanto à adesão do público.

NM – Mesmo correndo o risco de parecer arrogante, creio que éramos especiais. Na verdade, não éramos tecnicamente muito dotados mas a nossa música era honesta e sem grandes floreados. A nossa postura em palco também ajudava, porque dávamos tudo o que tínhamos, tocássemos para 100 pessoas ou para 10. A nossa imagem também era cuidada, bem como todo o espectáculo ao vivo. Tínhamos um grupo de pessoas que nos acompanhava regularmente e, na maioria dos concertos, tínhamos sempre público a aderir ao espectáculo, mesmo quando não conheciam nada da banda. Não é fácil para uma banda no período de 2008 – 2011 ter tocado tanto como nós mesmo sem qualquer registo discográfico, pelo que considero que tínhamos qualquer coisa de especial na nossa música e na nossa postura ao vivo.

AM – É possível haver uma selecção de algumas memórias especiais que, até hoje, vos marcam?

NM – São muitas as memórias que nos marcam pela positiva e outras menos positivas. Foram 3 anos muito intensos com muitos concertos e que, de certa forma, nos marcaram para sempre. Posso destacar 3 concertos que creio que foram os que, de certa forma, nos marcaram mais pela positiva. O primeiro concerto que demos na já extinta casa Arte Jah Nasce em Coimbra. Marca por ter sido o primeiro concerto, por termos tido a casa bem composta e porque serviu para nos dar confiança para continuar a trabalhar. Outro dos concertos que mais nos marou foi o da eliminatória do concurso de bandas organizado pelo Fernando Alvim, “O Termómetro”, num Musicbox completamente cheio. Foi um concerto curto e em que demos tudo o que tínhamos. Apesar de não termos sido selecionados para a final do concurso, foi um concerto que nos deu visibilidade e que originou uma crítica muito positiva da revista Blitz, tendo sido considerados uma das bandas a seguir no ano de 2010 ao lado de grandes nomes nacionais e internacionais. Para nós foi uma grande surpresa. Outro concerto que nos marcará para sempre, por todo o ambiente envolvido, foi o que demos nas Caves das Químicas. Muita gente, um ambiente espectacular e em que, no final, as pessoas se juntaram a nós e encheram o palco. Estava tanta gente no palco que eu tive de ir tocar para fora dele. Mas foram muitos os concertos marcantes…


AM – Ao longo destes 5 anos de inactividade de The Amazing Flying Pony, a música continuou a ocupar um papel importante nas vossas vidas. Fala-nos um pouco sobre o vosso trajecto até aos dias de hoje.

NM – Sim, é verdade! O bichinho esteve sempre lá e a verdade é que nunca parámos de tocar e de fazer coisas. O Pedro integra os Quinta-feira 12, nome que promete dar muito que falar nos próximos tempos e teve ainda A Velha Mecânica, mais um grande nome da música de Coimbra dos últimos anos. Além disso, é um excelente DJ e, de vez em quando, anima-nos a noite por esses bares de Coimbra. A Guida, entre outros, teve um projecto muito interessante chamado Marla. Também ela é uma excelente DJ (Chantimix) e podemos vê-la frequentemente a fazer mexer os pés das pessoas em Lisboa e Coimbra. Eu e o Gonçalo tivémos alguns projectos juntos que nunca saíram da garagem, até aparecer os The Walks.

AM – E, cinco anos depois, como se sentem ao voltar a entrar numa sala de ensaios todos juntos?

NM – Foi uma sensação muito boa, incrível mesmo. Já não tocávamos juntos há 5 anos. Apesar do sentimento de amizade entre nós nunca ter desaparecido totalmente, a verdade é que as nossas vidas seguiram rumos diferentes e quando nos juntámos novamente, passados estes anos, a sensação foi incrível. Foi como começar de novo, a aprender os temas que fizemos há mais de 5 anos!


AM – Qual foi a vossa reação e pensamento imediato ao convite da Cultur’Arte Mag?
NM – Aqui, posso falar por mim. A minha primeira reação foi: “quero muito, mas será possível?”. Mas, a avaliar pela pronta aceitação de todos, acredito que a reação foi igual. Aproveitamos, desde já, para agradecer o convite da Cultur’Arte Mag para proporcionar o nosso regresso aos palcos.

AM – Quais são as expectativas e desejos para o concerto do Salão Brazil, no dia 9 de Setembro?
NM – As nossas expectativas e desejos são, acima de tudo, proporcionar a todos uma excelente noite de rock e que todos os presentes se divirtam connosco e façam parte da festa. Convidamos todos a fazer parte do espectáculo e fazer desta noite de dupla celebração, pelo aniversário da Cultur’Arte Mag e pelo nosso regresso aos palcos, uma noite inesquecível!

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