Texto: Rita Perdiz | Fotografia: João Duarte

Para entrar no universo das Señoritas é necessário entrar na sala de espetáculos de peito aberto e coração pronto. Sejam bem-vindos.


Sendo já uma casa de referência, Sandra Baptista e Mitó Mendes regressaram ao Teatrão no passado Sábado, dia 8, para dar a conhecer ao público de Coimbra, o disco que estreia as duas amigas d’A Naifa neste novo projecto.
A cumplicidade entre as duas foi notória desde o primeiro segundo de concerto e o tema “Acho Que é Meu Dever Não Gostar” abre as portas para uma hora de poesia ardente, introduzindo uma ideologia musical pronta a disparar em todos os sentidos.

As composições densas e tensas criaram um ambiente arrepiante, sentindo-se o público a ficar desconfortável – quase que se ouvindo a introspeção de cada um. O timbre forte de Mitó Mendes transporta calma, ao contrário das palavras que canta que nos atingem e quase nos magoam (quando não nos magoam mesmo).
Enquanto isto, Sandra Baptista sente todas notas quer do baixo, quer do acordeão que a acompanham. O espectáculo cresce quando se ouvem combinações que realmente tateiam algo dentro de nós como por exemplo “Rasga o decote para que te vejam” (“Solta-me”) ou “Não sou muito inteligente, mas sou um bom recipiente” (“Ciática”). É impossível sair indiferente. E, sem dúvida, que o espectáculo culmina quando as duas tocam uma para a outra. É delas, para nós.

Despidas de preconceitos, a bagagem das duas artistas permite-lhes explorar temáticas que nem a todos agrada e sonoridades minimalistas que enchem a música.
Dedicando um tema a todos aqueles que sabem o que é um ataque de pânico (“Medo”), confessando sonhos e lamentações, as duas companheiras de carreira tocaram o álbum na íntegra, incluindo posteriormente alguns temas extra que se enquadravam com os já gravados. E o tempo passou a correr. Vindo do nada, chegou o fim e ninguém se apercebeu.

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