Texto: Adelaide Martins | Fotografia: Eduardo Gonçalves

Foi no dia 22, Sábado, que a banda regressou a Coimbra para uma apresentação mais intimista do seu disco de estreia, “Fiasco”.


Alguns meses depois de começar a fervilhar o “bichinho” por tocar no Salão Brazil, foi no passado fim-de-semana que os Quinta-feira 12 subiram ao palco do mesmo.

A somar ao seu restante histórico musical, há já algum tempo que João Correia (voz e guitarra) e Rodolfo Jaca (guitarra e voz) se davam a conhecer ao mundo como Quinta-feira 12. Com uma notória relação de irmandade, alargaram a familia a Pedro Freitas (baixo e voz), Pedro Correia (teclados e samples) e Carlos Afonso (bateria e samples). E em boa hora.
Dentro ou fora de palco, o espírito mostra-se ser o mesmo; e a boa disposição e o bom sentido de humor são, claramente, motores propulsores em tudo aquilo que fazem. A chamada “química” entre os cinco rapazes é muito forte, quer numa perspectiva interpessoal quer, obviamente, musical. O ambiente em palco é descontraído e os sorrisos são constantemente viajantes de rosto em rosto, o que permite ao público entrar no seu mundo e fazer, também ele, por momentos parte da família Quinta-feira 12.

Quanto ao espectáculo, destaca-se, em primeiro lugar, um sentimento de verdade para com o disco. “Fiasco” passa pelo nome e foge ao conteúdo. E foi com o mesmo selo de qualidade que a banda o apresentou, ao vivo, no Salão. Com uma plateia relativamente reduzida, o concerto começou e terminou com o mesmo ânimo e a mesma vontade de festejar a sua música com quem tinha trocado a popular esplanada pela sala escura e quente – mas mais acolhedora – do Largo do Poço. Com um jogo de vozes muito inteligente e delicado, entre João Correia, Rodolfo Jaca e Pedro Freitas, é na bonita lingua de Camões que se deixam emoldurar por guitarras, baixo e nos teclados/samples de Pedro Correia – que lhe acrescenta um toque final de um bom gosto notável. Por fim, mas não menos importante, recebemos no peito uma bateria que marca o pulsar da palavra, que se apresenta quase que como a veia condutora do grupo. Clichés e chavões à parte, “o que é Nacional é bom” e não sobra margem para dúvida de que os Quinta-feira 12 levam esse motto a sério, mostrando que a palavra cantada em português pode ter tanto ou mais impacto do que o cada vez mais habitual inglês (metricamente mais simples de compôr, admita-se).

Do alinhamento, fizeram parte os singles principais da banda, “Carrinha Trágica”, “Fiasco”, “Cabra Cega” e o mais recente, “Dona Chica”. Numa viagem entre temas ora mais calmos ora mais pujantes, fizeram ainda parte: “Ordinária”, “Adérito Perfeito”, “Toca e Foge”, “Madrasta”, “Balancé”, “Descarada” e “Isidro Mãos-de-Canalha”. Já na recta final do concerto houve, ainda, espaço para um breve medley onde os rapazes fizeram a sua versão de temas como “Problema de Expressão” dos Clã ou ainda “Força (Uma Página de História)” dos não menos aclamados Da Weasel.

2018 promete ser um ano de novidades para a banda e a nós, Coimbra, resta-nos esperar pelo sucessor de “Fiasco”, de preferência num palco bem próximo.

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