Texto: Bruno Figueiredo

Para provar o contrário, Benjamim e Barnaby Keen juntam-se em “1986”, um disco bilingue feito a quatro mãos pelos 2 escritores, multi-instrumentistas e produtores.


A notícia do novo disco de Benjamim em parceria com Barnaby Keen chega-nos sobre a forma de single, e não poderia haver melhor introdução ao trabalho desta dupla, sendo que “Warm Blood” é apenas o primeiro de 2 singles de avanço, mas deixa já uma sensação boa no ar para o que se avizinha, suportando a qualidade do trabalho num “groove” que nos leva de volta aos anos 80, e que se faz sentir de imediato na faixa inaugural.

Keen é um músico britânico, mentor e membro de vários projectos do circuito underground londrino, como Flying Ibex e Electric Jalaaba. Já Benjamim ficou conhecido do público português por ter lançado, e levado para a estrada numa extensa tour, o álbum ‘Auto Rádio’ em 2015 e por ter produzido ou tocado em inúmeros discos de vários nomes relevantes do panorama musical do país como B Fachada, Lena d’Água ou Márcia entre inúmeros outros. Quando se cruzaram pela primeira vez em 2012, num cinema de Brixton, no sul de Londres, foi através das vivênvias de Keen no Brazil, onde passou 6 meses da sua vida, e pela música de Chico Buarque que se criou uma amizade.

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Agora, dois universos distintos unem-se num trabalho que mistura as influências da dupla, numa produção nascida da paixão comum por fazer música, pela gravação caseira e pela busca incessante das canções.

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Assim o disco “1986”, título referente ao ano de nascimento de ambos os músicos, é um não só um disco de fusão, mas também bilingue contendo canções escritas por ambos os músicos na respectiva língua. Poderá ser chamada um exercício de reciprocidade e partilha onde Benjamim faz coros em inglês das canções de Barnaby e este, em retorno, empresta o seu sotaque brasileiro quebrado para fazer vozes em português nas canções de Benjamim. Para além disso, e não fossem ambos multi-instrumentistas, tocam quase tudo nas canções um do outro, escolhendo o melhor das capacidades de cada um, seja no saxofone, no piano ou na bateria.

O disco conta ainda nestas gravações, com a participação de Sérgio Costa (The Millions, Belle Chase Hotel, Quinteto Tati, Real Combo Lisbonense) na flauta, Leon de Bretagne (Batida) no baixo e António Vasconcelos Dias nas vozes.

O disco ‘1986’ foi gravado em duas sessões no estúdio 15A, casa da editora lisboeta Pataca Discos que o irá lançar em vinil e formato digital ainda antes do Verão.

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