Texto: Bruno Figueiredo | Fotografia: António Loureiro & Bruno Figueiredo

Mesmo debaixo de chuva, o hip-hop teve lugar de destaque, na quarta noite da festa dos estudantes de Coimbra.

Nem rimas, nem batidas desconcertadas travaram a chuva. Mas isso não foi motivo suficiente para afastar os estudantes do parque da canção na quarta noite de festa. Ainda assim, a noite que prometia sonoridades urbanas foi uma das noites mais vazias do recinto, dia este, também, da última apresentação do Palco RUC do presente ano.


Começámos, mais tarde do que o já costume, ao som das Mondeguinas no palco principal, enquanto o Palco RUC arrancava com o DJ Set de António Ramirez. Ambos, actuando para um recinto que, mais uma vez, se via bastante vazio ao início da noite.

Mas como a noite estava apenas a começar, logo de seguida chegavam ao palco principal os já míticos Dealema. De Gaia para Coimbra, este colectivo de lendas do hip-hop portugês formado por DJ Guze, Mundo Segundo, Fuse, Expeão e Maze não teve meias-palavras para a cidade dos estudantes. Entrando em palco de rompante, um a um começaram a cantar e a dançar desenfreadamente, largando rimas às nuvens que passavam e devolviam, essas mesmas, em forma de chuvisco, sobre o público que por ali pairava ao som do “hip-hop Tuga”.


Foi, então, ao som de clássicos como “Escola dos 90” ou sucessos mais recentes como “Bom Dia”, que o público estudantil foi cantando em coro enquanto dançava e saltava ao ritmo da batida.

Daí, regressámos então ao Palco RUC para ouvir um pouco da sonoridade sombria de ATILA. Miguel Béco trouxe, assim, o seu projecto de volta a Coimbra, meses depois de passar pelo Aqui Base Tango, data em que compartilhou o palco com M-Pex.
A música sentia-se agora a bater no peito, dado que o PA do Palco RUC parecia não ter limitador para os graves, e isso não podia ser melhor ferramenta para ATILA – que pôde assim sobrecarregar, mais ainda, o ambiente quase sombrio que se vivia perto do palco àquela hora.


Por esta altura, o palco principal já se preparava para receber então o segundo nome grande da noite, o rapper Valete.

Subido a palco, acompanhado pelo seu DJ equipado de máscara negra na cara – que nem ladrão num filme de acção-, Valete entrou em palco de microfone em riste e logo começou a comoção. De um lado, o rapper e a sua “crew” animavam o palco; do outro, o público que os “enfrentava”, repetia sincronizadamente os versos perdidos no ar criando uma espécie de ponte virtual entre artista e audiência.

Mas nem só a música teve lugar no palco naquela hora.

Acompanhado de um grupo de bailarinos, o espectáculo quebrou assim a barreira do espectáculo musical, passando a uma performance que acompanhava Valete naquela viagem sonora, tendo direito ainda a um solo de bailarina – quase como que acalmando a intensidade do concerto por momentos.


Nos entretantos, no Palco RUC actuava Vulto. e os seus amigos Jota, L-ALI, Secta e Tilt. Debaixo de uma névoa e luz azul escura, as Irmãs – nome do colectivo de artistas que acompanhavamVulto. -, passeavam-se pelo palco lentamente enquanto entoavam em coro as letras das músicas. Seguiu-se, ainda, a actuação do británico Tessela, que fechou assim a última noite do Palco RUC com a sua sonoridade electrónica, inspirando a festa em palco. A encerrar, ficou um “até para o ano” da equipa (da RUC) responsável por estes 4 dias de “programação única”.

À saída do recinto, tivemos ainda tempo para nos cruzar com a Estudantina Feminina de Coimbra, numa noite em que os grupos académicos femininos abriram e fecharam o palco principal desta que é a festa maior dos estudantes de Coimbra.

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