Texto: João Craveiro & Bruno Figueiredo | Fotografia: Bruno Figueiredo

Em dia de cortejo, a festa fez-se em ambos os palcos, mas foi no palco RUC que ganhamos a noite.

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Domingo é talvez o dia mais previsível da Queima das Fitas. Começa o cortejo, a abundante dança social de encher as ruas de carros alegóricos, trajados e cartolados, e desperdício e cerveja, depois termina o cortejo e lá vamos todos juntos dançar ao som do Tio Quim que nos graça com sua presença todos os domingos de cortejo desde há 29 anos.

Mas falemos de coisas mais “sérias”, que a noite “não é só festa” e o recinto da Queima das Fitas Coimbra teve música para dar e vender num dia em de um lado reinava o pimba e a típico arraial estudantil, enquanto que no outro, no palco RUC, se apostava mais nos ritmos africanos do Kuduro e no hip hop nacional dos Corona, em cabeça de cartaz.

A noite começou e as tendas vazias não previam o que ia acontecer no palco RUC. A DJ RUC Rebeca Ávila começou a dar som à noite a um palco que mostrava entusiasmo. As pessoas falavam e dançavam, o cortejo não tinha derrotado todos, nem o Quim Barreiros lhes tinha sugado a alma.

Daí a pouco começavam os Hi-Fi no palco principal, sinal que sem nos apercebermos perdemos a actuação da Quantunna e, ao que conseguimos averiguar, Miguel Azevedo não tinha subido a palco. Como sempre o grupo trouxe muita diversão vestida de covers, sem barreiras de género, tendo ainda convidado Berg, que no dia anterior tinha actuado no Baile de gala, para dar um ar de sua graça e oferecer 2 músicas aos estudantes, “Redemption Song” e “Sex is on Fire”.

De seguida regressamos ao Palco RUC para a vez de KKing Kong. O jovem produtor, que laçou recentemente o seu primeiro EP “Damaia” na editora de Branko, a Enchufada, trouxe um set composto por ritmos dançáveis que passavam pelo kuduro, moombahton e o hip hop. Uma recepção animada que deixou toda a gente a mexer e continuava a dar um “baile” às tendas, que por esta hora continuava essencialmente vazias.

E é então que chega o momento mais esperado da noite, a actuação de Quim Barreiros. Ao som da sempre típica sirene e voz-off, Quim voltou a subir a palco e, de acordeão na mão, lá regressou aos clássicos que compõe o seu longo repertório musical que ia interpolando com gritos de festa desde o “Alé Coimbra, Alé!” ao “um grande obrigado aos veteranos”, como todos os anos agradece. Tudo isto em ano de celebração de 29 anos de Quim Barreiros na Queima das Fitas.

Mas não podíamos deixar de sair dali, para nos dirigirmos àquele que seria, para nós, o concerto mais esperado da noite.

Foi assim que nos juntamos a um público que, já animado, esperava a vez do Conjunto Corona no Palco RUC. A pequena aparição em palco da sua mascote, o Homem do Robe, antevia o espetáculo que nos esperava. O público estava entusiasmado e o concerto começou com a apresentação do mais recente álbum, “Cimo de Vila Velvet Cantina”. As músicas foram recebidas por entusiasmo pelos fãs que sabiam as letras de cor e saltavam com as batidas, havendo ainda alguns fãs que, animados por outro tipo de “batidas”, criaram tal brilharete que os Corona interromperam a sua performance do tema “Fruta da Ilha”. Mas tudo isto não passou de mais uma eventualidade de um concerto que, a partir daí, seguiu sem interrupções, para um público ao qual os músicos não paravam de chamar “demasiado gentis”.

Duma noite cheia de “Cimo de Vila Velvet Cantina”, destaca-se ainda a adaptação do tema “Mafiando Bairro a Dentro” aos “bairros” de Coimbra. Para além do primeiro álbum revisitaram músicas dos álbuns anteriores com destaque especial para o a cappella da música de dB, “Réperage de Pussy”.

A noite terminou  depois com o DJ Set dos DJs da lisboeta Principe Discos. Um DJ set que retomou o tema dos ritmos africanos e do kuduro que pôs toda a gente a dançar.

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