Texto: Bruno Figueiredo & João Craveiro | Fotografia: Salomé Reis, Carina Leitão & Bruno Figueiredo

Começou ontem a maior festa estudantil do país, numa noite cheia de música para todos os gostos de uma ponta a outra do recinto.

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Chegamos a 2017 e voltamos mais uma vez a pisar o solo lamacento do Parque da Canção, para iniciar uma estadia de uma semana a consumir música, animação e o eventual fino que nos passe pela mão. Adiante, e porque não viemos aqui para contar histórias dos nossos anos de estudantes, falemos sim de quem pisou os palcos da festa maior dos estudantes de Coimbra.

A noite arrancou por volta das 23h50 ao som da TFMUC, que, mais uma vez, deu o arranque às noites no parque e à noite dedicada à Faculdade de Medicina. Por esta altura, e pouco depois de se abrirem as portas, eram escassos os vultos que percorriam o recinto, com apenas algumas centenas de estudantes a entrar aos poucos e a preencher o espaço “em branco” que mais tarde ficaria um pouco mais composto.

A seguir, ainda no palco Fórum Coimbra, actuavam os You Can’t Win Charlie Brown. O grupo, desfalcado de um tal de David Santos (noiserv), subiu a palco sob a sonoridade polifónica que serve de base ao tema “Above The Wall”. De frente para eles, uns poucos milhares de estudantes (talvez pouco mais de mil) esperavam pelo concerto.

Na fila da frente havia um misto de indiferença, dos fãs que se plantaram nas grades à espera de James Arthur, com excitação dos que realmente seriam fãs da banda.

Seguiram em frente, correndo o novo trabalho, “Marrow”, de ponta a ponta, passando por temas mais antigos como o “After December”, foram pouco a pouco conquistando algum do público que se ia acumulando em frente e à esquerda do palco (vá se lá saber porque mas ninguém ficava à direita do mesmo) e prosseguiram a dar um bom espectáculo, como sempre, que levou o publico a deambular e bater pé ao ritmo das canções dos Lisboetas.

Foi nesta altura que decidimos dar um salto ao Palco RUC, num dia que se focou nas sonoridades eletrónicas que passou de House ao Techno com Acid à mistura.

A arrancar o palco estava o DJ e radialista da Rádio Universidade Coimbra, Pedro Bicá. Responsável pelo programa 4 por 4, uma hora dedicada à música house todas as quartas-feiras à 01h00, foi também encarregue por começar a noite no melhor dos “palcos dos fundos”. Como sempre, eram poucos os que lá vagueavam àquela hora, mas a noite teria ainda muito que dar. Enquanto esperávamos pela chegada de Lake Haze, regressamos ao palco principal onde chegava então o headliner da noite, e da festa, James Arthur.

O britânico que já tinha passado pelo mesmo palco em 2015 subiu a palco sozinho, debaixo de fumo, para uma plateia de fãs “apaixonadas”. Com uma media de idades que por vezes nos confundia, não fossem algumas fãs de maior idade que se colaram às grades, a multidão que foi crescendo ia absorvendo do ambiente e da voz do artista a emoção.

Casais envolvidos no ambiente, fãs que balançavam ao som das baladas, tudo quanto já esperávamos de uma noite ao som das canções de James Arthur.

Temas como o “Impossible” ou “Say You Won’t Let Go” iam enchendo, a plenos pulmões, o ar em frente ao palco, com coros lançados ao vento dos fãs, num concerto que deixou no recinto da Queima das Fitas um pequeno trago a paixão e romance.

A partir daí, a nossa noite foi passada no Palco RUC ao som das novidades da electrónica, a começar por Lake Haze. Conhecido pelas suas contribuições para editoras como a Unknown to the Unknown de DJ Haus, a conceituada Créme Organization e a portuguesa One Eyed Jacks do produtor e DJ amigo Photonz, o produtor português Gonçalo Salgado tem como influência para as suas produções a underground club music, como o UK Garage, o Techno sem esquecer o Acid. Apresentou-nos um set repleto destas sonoridades para uma multidão cada vez maior.

Seguiram então os Spinning Jenny, dupla da Rádio Universidade Coimbra, composta por Joana Moura Ferreira e João António Sousa, que apresentam todas as sextas feiras às 23h00 o programa homónimo na Rádio Universidade de Coimbra dedicado ao techno, industrial techno, noise e ebm. Um set back 2 back cheio de energia que viu a frente do palco a encher e que nos deixou preparados para a última actuação da noite.

Essa última actuação seria então de He/at, aka Chris Finke, nome essencial do techno britânico desde o início dos anos 2000. Em 2013 deixou para trás o seu trabalho passado e começou a gravar anonimamente com o nome He/at na sua editora com o mesmo nome apenas em vinil. A sua música explora todos os cantos do techno e em 2016 vimos pela primeira vez He/at a lançar EPs em editoras diferentes como a conhecida Mord. Responsável por fechar a primeira noite da Queima das Fitas 2017 He/at deu duas horas de música a um palco que se manteve cheio até ao fim.

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