Texto: Bruno Figueiredo | Fotografia: Salomé Reis

Foi no passado dia 10 de Março, que decidimos subir à serra de Sintra e, sob a bruma que por lá andava, ver os Capitão Fausto como nunca antes tínhamos visto, sobre o palco do Centro Cultural Olga Cadaval.


Passavam poucos minutos das 21h40 quando chegamos às portas do imponente Centro Cultural Olga Cadaval, situado à entrada da vila de Sintra, e logo ali se via algo de estranho. Capitão Fausto, num centro cultural? Para nós que nos habituamos a receber o quinteto em palcos como a Queima das Fitas, o Salão Brazil ou até mesmo no Festival Vodafone Paredes de Coura, este cenário parecia fora do normal, mas seria com certeza uma noite de surpresas.

Sentados a meio da sala, esperávamos enquanto as pessoas iam enchendo, um a um, os lugares da plateia, toda ela sentada. Logo aí agoirava-se algo de anormal. Para espanto nosso, e pelos murmúrios que se ouviam, algumas dessas pessoas tinham vindo ainda, claramente, desconhecendo quem por aquele palco passaria. Foi então que a sala emergiu na escuridão e uma voz rouca emanou das colunas.

Tomás Wallenstein espalhava, já ali, um ar de sua graça, por detrás da cortina, repetindo as cansativas palavras de arranque de um espectáculo como: “por favor desliguem o vosso telemóvel”. Assim que soou o “obrigado” final, a cortina levantou e a contraluz revelou os contornos dos músicos que pareciam diferentes. Numa formação igual à de sempre mas que parecia mais clássica, que nem retrato dos Beatles nos anos 50, foram tocando uma introdução que se construía meticulosamente, acorde atrás de acorde, nota atrás de nota, sobre o palco do Olga Cadaval.

Ao fim de um “Semana em Semana” melancólico, como não poderia de outra maneira soar, ao silêncio da primeira pausa, Domingos Coimbra lançou um “bem-vindos ao concerto mais profissional que viram no último mês” e logo de seguida, Tomás criticou os que ainda chegavam com a mensagem que “isto agora é uma banda que chega a horas, por isso cheguem a horas também.”

Logo, logo cantavam-se “Eu vou morrer” e “Mil e Quinze” sob um jogo de luzes que dava vida ao concerto através das silhuetas cortadas dos corpos que bamboleavam ao som dos seus próprios acordes. E assim seria ao longo dum concerto em que iam “limpando” o seu repertório, tema atrás de tema, terminando sempre ao som das palmas nem 1 segundo passado de se instalar o silêncio.

Ainda assim, e com uma performance em palco das melhores que vimos do quinteto até hoje, o público parecia debater-se com a ideia de levantar o pé e dançar, como já é costume nos seus concertos.

“Maneiras Más”, “Pontas Soltas” ou “Amanhã Tou Melhor” foram alguns dos temas que foram abrindo portas à descontração. Entre interações com o público, gafes e a cada vez mais forte vontade de dançar, já nos tínhamos apercebido que realmente sim, eram os Capitão Fausto que tanto apreciamos, que estavam ali naquele palco. Houve ainda espaço para sugerir uma compra de merchandising, afirmando que “gostavam de nos incentivar ao consumismo”.

Infelizmente, estavam quase a terminar, e foi com um ” beijinhos a todos” de Tomás Wallenstein que a banda se despediu com o tema “Morrer na Praia” que aqui já se ouvia acompanhado de um forte coro do público, agora sim à altura do que a banda lhe dava em palco. Mas claro que o concerto não terminou sem um encore, pedido a forte gritos e palmas, que resultaram numa presença a solo de Tomás Wallenstein em palco, para arrancar com um “Alvalade chama por mim” que levou a multidão de fãs, os verdadeiros que por ali andavam, a levantar-se e aproximar-se do palco. Isqueiros e telemóveis iam embalando a primeira estrofe da canção e logo aí os seu colegas se juntaram ao vocalista para terminar em grande uma noite, com um adeus bradado a um “Tem de Ser”.

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