Texto: Bruno Figueiredo | Fotografia: Bruno Figueiredo

A intensidade da obra desaparecida foi finalmente representada nas noite de 1 e 2 de Abril, no segundo piso do Salão Brazil.

Com organização da DEMO, Jazz Ao Centro Clube, Sonoscopia e UC, a peça de teatro experimental invadiu o Salão Brazil durante duas noites para nos mostrar os espaços que representavam a obra “Orpheu 3”.


A edição – nunca publicada – da famigerada obra de 1915 descrita como “um exílio de temperamentos de arte” baseado num “principio aristocrático” de “harmonia estética”, com “desejos de bom gosto e refinados propósitos em arte” e que chegou a contar com a participação de autores como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro ou até mesmo Almada-Negreiros, vê assim renascida a sua intenção de instigação política e social através das artes.

Os quartos e salas foram então transformados em pequenos palcos, de certo modo incómodos até, para as reduzidas audiências poderem experienciar os 6 cenários, em plena intrusão do seu espaço pessoal. Já nós, ficámo-nos por metade e ainda assim não sentimos ter perdido nada pois, dada a fina espessura das paredes, deixavam-se escapar sussurros e passos das salas ao lado. Corpos nús revoltados escondidos no fumo e na escuridão, teorias fascistas da conspiração “orpheónica” ou problemas com o que vestir; foram estas algumas das imagens que nas suas realidades quase alternativas embatiam com a realidade do público que, sempre elemento interactivo das peças, via esta “loucura” passar em frente dos seus olhos.

O 2º dia terminou com concerto da Nova Orquestra Futurista do Porto que, tal como as restantes experiências da noite, trouxe o seu caracter único ao palco do Salão Brazil.

Os instrumentos, tão invulgares como a sua própria sonoridade, deram depois o mote para um final de noite calmo e em convívio, revivendo as experiências das peças que foram apresentadas nessa noite e discutindo entre a multidão, o estado da política e sociedade em Portugal.

Fala connosco, dá-nos a tua opinião!