Texto: Bruno Figueiredo | Fotografia: Salomé Reis

A dupla com origem dividida entre Lisboa e Coimbra, apresentou-nos o seu disco homónimo no passado dia 11 de Novembro.


A sonoridade única que os Ghost Hunt nos têm apresentado ao longo dos últimos meses ganhou finalmente uma casa no novíssimo mini-disco homónimo, com selo Lux Records. Nós, por cá, achamos que a expressão “mini-disco” apenas reduz ao que pode muito bem ser um dos mais interessantes álbuns nacionais de 2016. Mas falemos do que interessa, que haverá espaço para tudo mais à frente.

A noite de lançamento do mais recente trabalho da banda, no Salão Brazil, arrancou fria, não fosse a baixa temperatura que subia pelo corredor de escadas do Salão, mas não demorou muito até o ambiente aquecer ao som dos Wipeout Beat, trio conimbricence composto por Carlos Dias, Miguel Padilha e Pedro Antunes (aka Calhau). À composição das sonoridades electrónicas dos teclados de Carlos e Miguel somava-se a sobreposição da guitarra de Calhau, numa construção de loops e riffs que, traçados de sombras e negrume, mostram que o trio, a quem já apelidaram de “Kraftwerk da Adémia”, tem vindo a trabalhar a fundo numa identidade um tanto quanto anarco-domesticada, um pouco afastado de outros projectos de Carlos Dias como os Subway Riders.

Mas a “grande atracção” da noite chegaria mais tarde, ao som da dupla que todos esperavam, os Ghost Hunt.

Às escuras, sobre uma projecção que remetia a outras paisagens fora deste planeta, Pedro Chau e Pedro Oliveira arrancaram então com a apresentação do seu homónimo, Ghost Hunt.

Há algo de ideal na mistura dos teclados e sintetizadores de Pedro Oliveira com o baixo de Pedro Chau, que nos leva a fechar os olhos e deixar levar pelas notas. A viagem começou e pudemos correr “de norte a sul” o disco e os seus 5 longos temas, note-se que a maior faixa deste trabalho conta com 13 minutos e 9 segundos. Mas, como sempre, nem só os temas instrumentais do grupo fizeram furor, com a versão tão própria do tema “T.V.O.D”, dos The Normal, a pôr um ponto mais na paisagem minimalista que a dupla pinta a cada concerto.

No final da noite, debaixo de aplausos, os Ghost Hunt deram como provado que vieram para ficar e que a sua música e sonoridade electrónicas, descendentes de uma era mais simples, tem um novo lugar de destaque no panorama musical nacional.

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