Fomos à RUC conversar com Fausto da Silva e Nuno Ávila para conhecer um pouco mais sobre os meandros da Rádio.


 

Hoje é Sexta-feira, dia 13 de Fevereiro. Diz-se por aí que é dia de azar. Por cá, não acreditamos nisso. Crenças e superstições à parte, hoje é, também, o Dia Mundial da Rádio e isso sim já nos interessa. Em jeito de comemoração deste dia e respectiva “homenagem” ao meio, fomos (ontem) até à Rádio Universidade de Coimbra trocar dois dedos de conversa com quem mais e de melhor tem para nos falar sobre o assunto. Falamos, obviamente, dos grandes responsáveis pelo nascimento e sucesso do programa Santos da Casa. São eles, Fausto da Silva e Nuno Ávila.

A contar os minutos restantes para a entrada “no ar”, e com uma descontração e à vontade de quem faz dos microfones o “pão nosso de cada dia”, Fausto e Nuno receberam-nos com toda a simpatia que se lhes reconhece.

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Donos de sorrisos ternos e cativantes, mais ainda nos prendem pelas histórias que contam. Memórias já quase lendárias daquela que foi a história da música em Portugal, lembranças mais (ou menos) recentes, partilha de experiências únicas e pequenos grandes ensinamentos são apenas alguns dos infindáveis pormenores daquilo que se guarda de uma conversa com estes dois.

Da nossa curiosidade, de quem não viu e não viveu os chamados “bons velhos tempos”, aguça-se o intelecto pelo imaginário. As perguntas, ditadas pelos ponteiros do relógio, são tantas quantas o tempo deixar e o sorriso derretido na cara a acompanhar as respostas é inevitável e, como que num impulso teimoso, difícil de controlar.

 

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“Eu não sou profissional, eu sou um amador com muito profissionalismo. Amo muito isto!”
Fausto da Silva

 

A conversa fez-se dividida por alguns pólos distintos, passando o foco por aspectos como o nascer de um interesse mais dedicado em relação à Rádio e as suas primeiras experiências e as emissões mais rudimentares. O tempo dedicado ao Santos da Casa foi, também, inevitável e substancialmente insubstituível. Com um papel preponderante no panorama musical e cultural da cidade que no seu seio o viu brotar, o Santos da Casa nasceu e, com «muito amor», trabalho e muita dedicação, cresceu até dimensões que Fausto e Nuno admitiram não perspectivar. E nós, como ávidos curiosos que somos, fomos conhecer um pouco mais sobre este «amor» que, até hoje, lhes alimenta o “bichinho” da Rádio. Posteriormente, e como o tempo que ainda não chegou também tem a sua (por vezes crucial) relevância, debruçámo-nos sobre o futuro: o futuro da Rádio, o futuro da comunicação, o futuro da comunicação na Rádio, o futuro da música. As especulações e respectivas conclusões foram variadas mas foi a comunicação o ponto-chave, fiel como um eixo de ligação entre os vários capítulos futuristas a que nos debatemos.

 

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“Ainda me dá gozo fazer o que faço. Se não desse, já tinha deixado de fazer Rádio. Isto pode parecer muito lamechas, mas é verídico: já quase chorei a fazer programas de Rádio.”
Nuno Ávila

 

Com um olho no entrevistado e outro no relógio, a conversa fluiu (e rápido!). Eram perto das 18h55 quando terminámos e Fausto e Nuno se dirigiram ao estúdio para mais um programa, religiosamente, às 19h00. Com Fausto ao comando do microfone, Nuno esteve também presente na sala onde, ao longo de uma hora, nos mantivémos para a recolha de imagens. A sala era diferente da habitual, mais pequena e o movimento das câmaras estava, claramente, congestionado. A aproveitar todos os segundos fora “do ar”, e com toda a nossa humildade, sentimo-nos como pequenos aprendizes de algumas facetas da vida e da própria comunicação, particularmente. Emoção, história e experiência foram palavras de honra ao longo daquela que pareceu ser a hora mais fugaz do dia. O fluxo e o requinte na escolha da música divulgada no programa foi apenas um dos muitos tópicos que retivémos como seres permeáveis que Fausto e Nuno, inconscientemente, nos relembraram dever ser.

Um pouco a contrariar as inúmeras teorias em torno do futuro da comunicação, a Rádio pareceu-nos estar de boa saúde. E pareceu ter “pernas para andar”, assim haja quem a queira abraçar com o gosto e a dedicação que ainda fazem reluzir os olhos de Fausto e Nuno. Vamos depositar alguma esperança nesse “futuro”. Esperamos, também, que a curiosidade, desse lado, esteja a fervilhar. Acompanhem-nos e, muito em breve, poderão ver e ouvir tudo o que se passou, ontem, na RUC, com estes dois grandes senhores – da Rádio e não só.

 

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