Texto: Rita Perdiz | Fotografia: Rita Perdiz

Com a correria do dia-a-dia, que muitas vezes consiste em estar 12 horas sentado à frente de um computador, passa-nos ao lado as capacidades do nosso próprio corpo.


O que é que o nosso corpo é capaz de fazer? Quais as suas limitações ou até onde consigo chegar com apenas um gesto?

Infelizmente, apenas cinco pessoas se juntaram a André Rosa na primeira sessão d’O Corpo em Performance: Sem Pregas realizada no passado dia 3 de Junho.

Para conhecer melhor cada elemento do grupo, André começou por perguntar o nome de cada um e a história, caso existisse, do mesmo. Isto porque o actor/ performer, acredita que o nome é um dos elementos fundamentais que rege a personalidade de cada um e, muitas vezes, o caminho que percorre durante a sua vida. Assim, ficámos a conhecer a Ana, que de Ana não tem nada pois até a própria família a chama simplesmente por Ni; a Carla, a primeira pessoa a ser registada em Coimbra com esse nome; o João, cujo nome desde sempre lhe lembrava o João Ratão e as suas aventuras; os Franciscos que, apesar de não se conhecerem, ambos dão graças ao Santo pelo nome e, finalmente, podemos ouvir a história de André Rosa que ainda hoje agradece à obstetra da sua mãe pelo facto de o ter livrado de uma vida como Kleber. Num ambiente bastante descontraído e amigável conhecemos a história de todos e o porquê de terem escolhido passar o final de tarde de Sexta-feira a conhecer estratégias artísticas e conceituais para a criação em performance.

André Rosa trabalha já há 20 anos na área do teatro, dança e performance no Brasil, mas escolheu a cidade de Coimbra para frequentar o Doutoramento em Estudos Artísticos – Teatrais e Performativo – Faculdade de Letras (FLUC) da Universidade de Coimbra. Fundou o Movimento Sem Prega (Brasil/Portugal) que abrange um conjunto de actividades de diferentes campos de investigação cultural, política e linguística, funcionando como uma estrutura laboratorial nómada em performance.

Depois deste momento de conversa e descoberta sobre o outro foi tempo para uns exercícios de aquecimento onde se trabalhou a voz, as articulações, os músculos, a respiração e a flexibilidade; isto é, um conjunto de elementos que ajudam a deixar o corpo mais descontraído e leve, preparando-o para os exercícios posteriores.

De seguida, foram realizados vários jogos com objectivos diferentes, mas sempre muito divertidos.

Os exercícios tanto lembravam a importância do contacto visual, da coordenação, concentração e atenção periférica como tinham como base a confiança no outro porque o objetivo era correr o mais rápido possível de olhos fechados entre um corredor de pessoas. Não é fácil.

Posteriormente, era tempo de analisar a forma e as diferentes velocidades do nosso caminhar. Ao andar pela sala, percorrendo trajectos diferentes, os alunos concentravam-se na sua maneira de andar, no ritmo, na área que o corpo ocupa, a maneira como se comporta quando encontra um obstáculo à sua frente. Tudo isto sempre enquanto se caminha com variações de ritmos diferentes numa escala de 1 a 10 em que 1 é o ritmo mais lento e 10 o mais rápido.

Chegando ao final, houve uma pequena conversa em que cada um partilhou a sua experiência sendo que muitos conseguiram alcançar conquistas e ultrapassar dificuldade: “Fui capaz de fazer coisas que nem sabia que conseguia”, desabafou o Francisco.

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