Texto: Bruno  Figueiredo | Fotografia: Salomé Reis

Em dia de término, viajamos desde a energia sofrida dos Linda Martini ao romance eterno dos Air.

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Chegamos cedo ao recinto. O ar quente enchia os nosso pulmões e avizinhava-se um dia de emoções fortes, mas enquanto os Linda Martini terminavam o seu sound-check fomos conhecer um pouco melhor o que o recinto tinha para dar.

Os primeiros a actuar, neste dia derradeiro, foram os catalães Manel no Palco Super Bock mas nós estávamos mais inclinados a sentir os Linda Martini e o seu Sirumba, no Palco NOS. Já nos tínhamos enamorado pelo álbum, e temas como “O Dia em que a Música  Morreu”, e claro que já tínhamos partilhado salas como o Salão Brazil com o quarteto lisboeta, mas a curiosidade de ver um disco como Sirumba, tocado ali a céu aberto, numa tarde de sol, levou a melhor de nós. Com um público de fãs acérrimos, em coro, foram cantados todos os temas do disco e alguns dos temas mais conhecidos dos trabalhos anteriores, havendo ainda tempo para um pequeno crowdsurfing de Hélio Morais.

Seguimos então para o Palco Super Bock para receber os Algiers e a sua sonoridade explosiva. Com uma forte componente de crítica social e uma essência gospel, os Algiers são algo único no panorama musical mundial. Não escondem as suas motivações políticas e libertam energia em grandes doses sobreposta em camadas de voz gospel, batida trap e guitarras rock. Um statement musical que atravessa a barreira do gosto e da língua, não fosse a expressividade física, também ela, um dos elementos essenciais da sua performance.

Por fim resta dizer que a voz de Franklin James Fisher é sem dúvida hipnotizante e esperamos ouvi-la novamente em palcos nacionais, não fossem para nós uma das apostas mais relevantes do festival.

De volta ao Palco NOS, encontramo-nos com Chairlift, num arranque de concerto cujo cenário que parecia saído directamente do imaginário musical da banda. Com um por de sol como fundo, um palco singelo e sem grandes enfeites, chegando então Caroline Please, vestida de branco, rodopiante, e arranca um concerto cheia de energia.

Deixando no ar um misto de batidas electrónicas e um ambiente quase melancólico, os Chairlift conduziram a audiência numa dança de balanços suaves. Ainda assim não foi das nossas experiências favoritas, pois havia uma certa falta de ligação entre os músicos e o público, que não fez do concerto mau, apenas um daqueles eventos efêmeros que soube bem, mas não promete muitas memórias.

Nesta dança do vai e vem voltamos ao Palco Super Bock para electrizar com os Battles. Energia pura ou agressividade musical seriam apenas 2 das expressões que usaríamos para descrever este concerto. A entrada feita a passo, trouxe Dave Konopka a palco, sozinho, num build up que recebeu mais tarde input sonoro de Ian Williams culminando num na entrada de John Stanier e da sua bateria, dando início a uma exploração sonora de deixar os mais atentos sem fôlego. Cheios de ritmos acelerados e do típico misto de sonoridades electrónicas, os Battles foram sem dúvida uma das experiências mais intensas deste último dia de NOS Primavera Sound 2016.

Saltamos então da energia díspar dos Battles, para o embalar electrónico dos AIR. Os franceses, cabeças de cartaz, eram esperados por milhares de fans que sonhavam com o momento em que temas como “Playground Love” ou “Sexy Boy” ecoassem na colina. Uma calma rodeava o palco, misturada com o burburinho da audiência, e rapidamente o concerto começou. Envoltos na escuridão, com um palco composto de três cubos, que nos faziam questionar, em parte, a realidade da tridimensional do palco, a dupla liderou um concerto de êxitos que fez do público escravo das vozes suaves e acordes sensuais.

Novamente em contraste sonoro, corremos do palco NOS ao Super Bock onde nos encontramos com os “Explosions in The Sky” e o seu outro tipo de calma e suavidade musical. O quarteto Texano, já conhecido pela sua intensidade melancólica, construída sobre riffs de guitarra e do ribombar dos tambores, subiram a palco para uma multidão que os esperava ansiosamente.

A verdade musical de um concerto destes quatro americanos é simples: a melancolia incita em nós um reviver de memórias, boas ou más, não sabemos bem ainda quais escolher, e deixa sempre um trago a estranheza. Não é fácil compreender como instrumentos que transmitem tanta energia podem emanar tal calma ao mesmo tempo, é uma experiência que consegue ultrapassar os nossos sentidos.

A noite, e o festival, terminou para nós ao som de uma surpresa bastante feliz. Na altura em que chegamos ao recinto não podíamos dizer-nos conhecedores do trabalho dos Moderat, mas a opinião pública deixava as expectativas em alta.

Em 2 palavras, Moderat foram para nós surpresa e espectáculo puro (vá afinal foram 3 palavras). A combinação das fortes sonoridades electrónicas com o espectáculo de luz e o calor humano que emanava junto ao Palco NOS, construíam o ambiente perfeito para um final em grande do NOS Primavera Sound 2016.

O parque da cidade ficava então para trás, e a entrada luminosa do NOS Primavera Sound também. Daí para a frente só nos importava o que o NOS Primavera Sound teria para oferecer em 2017, depois de mais uma edição cheia das maiores e melhores novidades músicas do ano.

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