YOU CAN’T WIN, CHARLIE BROWN

Afonso Cabral, Salvador Menezes, Luís Costa, David Santos, Tomás Sousa e João Gil foram os primeiros a pisar o Palco NOS no dia que encerra a terceira edição do Primavera Sound, no Porto.

A espera para ver The National fez-se sentir desde cedo, com uma plateia que, às 17h55, já preenchia parte da colina. E se, em palco, a diversão e boa disposição foram palavras de ordem, no público, a interacção não foi menor. As letras estavam sabidas e, da frente de palco, foram surgindo alguns coros intercalados com aplausos sincronizados com o tempo da música. Notoriamente satisfeitos por fazer parte do alinhamento do festival, os You Can’t Win Charlie Brown deram tudo o que têm por um concerto que, por certo, permanecerá nas suas memórias.

O concerto percorreu alguns dos pontos mais fortes do primeiro e segundo trabalho do grupo. Do alinhamento constaram temas como “Be My World”, “Shout” ou “After December”, do “Diffraction/Refraction”, e “Over The Sun, Under The Water”, do “Chromatic”.

Já na recta final do espectáculo, dirigiram-se ao público para agradecer a presença de todos e desejar uma «boa noite». Aproveitando o momento, despediram-se, apresentando aquela que seria a sua última música, roubando um sentido «Oh!» aos presentes. Terminada a actuação, os seis rapazes abandonaram o palco debaixo de um caloroso e longo aplauso.


No final do espectáculo, estivemos à conversa com Afonso Cabral e Tomás Sousa num ambiente muito descontraído. Aqui está o resultado.

MAS YSA

Thomas Aresenault é o rosto por detrás de Mas Ysa que, às 21h05, abriu o Palco Pitchfork. Emoldurado por um jogo de luzes oscilante em tons de rosa e azul, ali estava Thomas, descalço e embrenhado na sua música, tão absorvido quanto o seu poder de divagação lhe permitia.

Em português, apresentou-se e apelou ao público, agradecendo, ainda, o facto de estar presente no festival, argumentando que “é bom para praticar o português”. Desta forma, roubou alguns sorrisos na plateia e impulsionou um movimento que acabaria por transformar o espaço numa pequena pista de dança.

Com uma voz distorcida, Aresenault combinou o cancioneiro de amor com batidas de techno e electrónica, com rasgos sonoros a roçar um pop por vezes melancólico.

THE NATIONAL

No Palco NOS, às 22h30 seguiram-se os muito aguardados The National que, sem demoras, “atacaram” com “Don’t Swallow The Cap” e “I Should Live in Salt”. Brice Dessner, Matt Berninger, Bryan Devendorf, Aaron Dessner e Scott Devendorf regressaram a Portugal para um dos espectáculos mais ansiados do plano de festivais deste Verão.

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“Graceless”, “Sea Of Love” e “I Need My Girl” foram apenas algumas das muitas músicas responsáveis pela apoteose colectiva no Parque da Cidade. “Sorrow”, com Annie Clark em palco, e “Vanderlyle Crybaby Geeks”, em “acústico”, foram também dois dos momentos mais marcantes de todo o espectáculo.

O público mostrou-se extasiado com o regresso da banda à Invicta e soube cativar, por sua vez, os músicos em palco. Com as letras respeitosamente memorizadas, pegou nos chavões do curriculum lírico dos norte-americanos e, em plenos pulmões, elevou-os até que lhes doesse a voz.

A interacção entre Matt Berninger e a plateia foi um factor constante no espectáculo, ao longo do qual se passeou elegantemente pelo palco ao mesmo tempo que, por instantes, parecia não saber exactamente qual o rumo a seguir, acabando por se juntar ao público ao som de “Mr November” e “Terrible Love”, instalando-se, assim, o caos nas proximidades.

No final do concerto, as opiniões foram diversas. Desafinação e divagação pouco regulada foram alguns dos deslises mais apontados à prestação dos The National. No entanto, e pela 12ª vez, chegaram e conquistaram o público de alma e o coração.

DUM DUM GIRLS

Dee Dee (guitarra), Jules (guitarra), Sandy (bateria), Malia (baixo) e Andrew (guitarra) apresentaram-se numa busca pelo indie/noise pop por entre a escuridão de um punk-gótico elegante, naquela que, por vários factores, se tornou uma das maiores surpresas da noite. Apesar da sobreposição com a actuação dos americanos The Nacional, as conterrâneas Dum Dum Girls subiram ao Palco Pitchfork, às 22h35, com uma plateia relativamente composta.

Com um fundo de palco adornado por um coração gigante iluminado em tons de azul a contrastar com feixes de luz rosa, foi mais que provado o girl power do grupo que, com a pujança de quem faz do palco o seu porto seguro, viajou por temas como “Are You Okay?”, “Bedroom Eyes”, “Cult of Love”, “In the Wake of You”, “He Gets Me High” ou “It Only Takes One Night”. Do espectáculo fez, ainda, parte um revival dos 80’s, com uma versão carregada de sensualidade de “Sight of You”, dos ingleses Pale Saints.

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ST. VINCENT

Depois de uma aparição discreta no concerto dos The National, Annie Clark dominou o palco Super Bock, desta vez, em nome próprio, com todo o espírito a que a St. Vincent é associado.

Com uma entrada em palco muito emblemática, carregada de movimentos de dança robóticos, Annie cativou a atenção dos mais desatentos. A norte-americana ex- The Poliphonic Spree, efusivamente aplaudida desde a primeira instância, apresentou temas como “Cruel”, “Digital  Witness”, “Cheerleader” ou “Birth In Reverse”.

Dona de uma postura muito vincada, acompanhada por bateria e teclado, a artista entregou-se de corpo e alma a um rock vibrante temperado com trago a jazz e electrónica que, com um toque de classe, ganhou contornos por meio de uma guitarra muito madura.

!!! (CHK CHK CHK)

Por volta das 01h30, a multidão rumou de volta ao Palco NOS para receber os californianos !!! (Chk Chk Chk). Não abalados com o cansaço inerente à espera da hora da sua actuação, Nic Offer, Mario Andreoni, Dan Gorman, Allan Wilson, Paul Quattrone, Rafael Cohen e TBA chegaram e, como se diz na gíria, sobraram para fazer do recinto uma pista de dança ao ar livre.

Com uma atitude incansável, Nic exibiu a sua excentricidade tão deflagradamente quanto a tonificação das suas pernas, através de uns calções que muito foram alvo de provocação ao público. Vocalista e, acima de tudo, entertainer-mór de toda a edição do festival, Nic apostou, de forma desenfreada, numa relação muito próxima entre a plateia e o palco, numa constante viagem entre as laterais e, posteriormente, descida às grades – momento este, de apoteose total.

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De andanças agitadas, os Chk Chk Chk são, desde ‘95, uns senhores do funk-rock. “Me and Giuliani Down by the School Yard (A True Story)”, do disco “Louden Up Now” e “All My Heroes Are Weirdos” e “Must Be The Moon”, do “Myth Takes”, foram alguns dos momentos mais entusiastas do espectáculo, com destaque para o jogo “preverso” entre guitarras e teclados.

TY SEGALL

“Finger”, “Feel”, “The Hill” e a mais recente “Tall Man, Skinny Lady” foram algumas das músicas que levaram à euforia no encerramento do Palco ATP e Mikal Cronin (baixo), Emily Rose Epstein (bateria), Charles Moothart (guitarra) e Ty Segall (voz e guitarra) foram os responsáveis.

Com alguns minutos de atraso, já por volta das 2h15, soltou-se uma lufada de rock pelo Parque da Cidade. Aguardado por muitos, Ty Segall apresentou-se com “a fama e o proveito”, num espírito que, rapidamente, se espalhou pelos presentes.

Picado pela injecção de energia do grupo, e à imagem do bom espírito rock ‘n’ roll, foram muitos aqueles que, pela plateia, fizeram voar os cabelos numa maré de headbanging desalinhada e que, em pouco tempo, se entregaram ao crowdsurf.

Sem grandes pausas ou grandes conversas, o concerto desenrolou-se de forma efusiva, rápida e com algum trabalho extra para a equipa de segurança.

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