Texto: Bruno Figueiredo

A 3 semanas do festival mais primaveril de Portugal, olhamos para o cartaz e destacamos todas as nossas escolhas para a edição de 2018.


Já pisa o relvado do Parque da Cidade do Porto desde 2012, ano em que ainda a extinta Optimus tomava alçada de major sponsor do festival e nomes como Björk, M83 ou Flaming Lips encabeçavam o primeiro line-up, mas todos os anos o NOS Primavera Sound Porto traz-nos cartazes com uma amplitude que vai desde os grandes nomes do panorama internacional às mais interessantes propostas que esperamos ver dominar o mercado nos próximos anos.

Este ano, para além do acréscimo de um quinto palco, o NPS promete mais, com cabeças de cartaz como Nick Cave, Lorde e A$ap Rocky, e horários, infelizmente frustrantes, dada a sobreposição de excelentes projetos que todos desejávamos poder ver.

Mas comecemos pelo 1º dia. Contrariamente ao que nos temos vindo habituado este ano contamos com 4 palcos no 1º dia em vez de 2, e logo aí começam as escolhas. Ao início da tarde temos olhos postos na estreia dos Foreign Poetry. O projeto que conta com o suporte da lisboeta Pataca Discos sobe ao palco do NPS com apenas um par de faixas disponíveis no Soundcloud e um universo dreamy pop que se faz ideal para um concerto de início de tarde.

De seguida, esperamos ansiosamente pelo apresentação ao vivo de “Mister Tillman”. Father John Misty chega a 2018 com energias renovadas e novo trabalho, com temas que nos tem preenchido os dias e horas de viagem e que tem tanto de histórias rebuscadas como de um tom pessoal e introspectivo. O disco “God’s Favorite Customer” com data de lançamento marcado para 1 de Junho foi, infelizmente, pirateado e distribuído digitalmente, mas não haverá melhor lugar para o ouvir do que nas colinas verdes do parque da cidade do Porto.

Lorde é uma surpresa para muitos, mas depois de dar-mos espaço a “Melodrama” nos nossos dias percebemos o apelo da artista para com o festival. Os temas do novo trabalho da Neozelandesa fugiram à facilidade pop e com o apoio de letras mais profundas vemos Lorde a mostrar o porque de ser nome ideal para o Palco NOS.

Em contraste à sombria realidade de Lorde, destacamos por último Tyler the Creator e os seus ritmos e letras fortes. O rapper californiano estreia-se em Portugal, depois de no ano passado ter falhado a sua passagem pelo Super Bock Super Rock, e a promessa é de um espectáculo cheio de energia, flow e com certeza rimas disparadas em coro com os milhares de fãs do artista.

Chegados ao 2º dia as escolhas tornam-se mais complicadas, mas faremos os nosso melhor para destacar quem merece, começando pela dicotomia de Solar Corona e Black Bombaim. Os 2 grupos barcelenses que partilham a hora de abertura, em palcos diferentes, são com certeza escolhas arriscadas para um arranque de tarde, não fossem as sonoridades pesadas do stoner e rock psicadélico a sua melhor característica. Mas do nosso lado fica a indecisão de poder viajar ao som de qualquer um dos 2 projectos, correndo o risco de nos perdermos no universo musical dos mesmos.

Do rock mais pesado e experimental passamos aos sons mais indie de Grizzly Bear. O seu regresso aos discos com “Painted Ruins” em 2017 trouxe-nos sonoridades suaves que nos puxam a querer balançar ao ritmo da bateria de Christopher Bear, tudo motivos ideiais para um por do sol, pelo que não há, para nós, melhor solução para um concerto de final de tarde.

Logo de seguida, viramos atenções para o Palco Pitchfork onde nos esperam os Superorganism e Thundercat. Os primeiros, prometem bons momentos ao som dos temas do seu recente disco homónimo, levando-nos àquele balançar de corpo que deleita os sentidos. Já Thundercat, envolto numa excitação pela sua aguardada chegada a Portugal, terá de certeza o público na mão só pela primeira nota da voz de Stephen Bruner, assim como aquela linha de baixo que nos envolve a cada nota e nos deixa a navegar pelas sonoridades funk, soul e R&B do californiano.

A$AP Rocky é, com certeza, um dos claros destaques do festival, e não poderia ser também melhor seguimento no nosso line-up. Esperamos com ansia pelos ritmos e rimas arrastadas que tanto o caracterizam e que, com certeza, farão o furor entre o público do NPS, do qual esperamos um misto de coros e saltos ritmados.

Chegados ao 3º dia vale a pena começar com as palavras de Luís Severo. O Lisboeta que nos tem habituado a um belo trabalho em torno da Língua Portuguesa, é com certeza o melhor projecto para começar a tarde de sol na colina do parque da cidade do Porto, ouvindo suas histórias e embalados ao som da sua guitarra.

Da palavra exacerbada de Severo passamos a voz quente de Kelela. A mistura de R&B e tonalidades electrónicas que a caracterizam são sem dúvidas merecedores do destaque, não fossem ambos parte fulcral do que nos faz querer dançar ao sol enquanto nos apaixonamos pela voz da americana.

Quebrando novamente a cadeia rítmica, parece-nos certo poder correr até ao palco SEAT onde os Public Service Broadcasting nos farão com certeza fechar os olhos e viajar por universos indie, onde talvez encontremos o argumento ideia para o filme da nossa vida, ou então encontrar-nos flutuando pelo espaço sideral, apreciando a beleza do vazio.

Nick Cave é, por si mesmo, merecedor de uma menção honrosa da vida. A carga emocional a que nos habituou desde sempre fazem da sua música momento marco do festival. Destoando um pouco da beleza verde do local onde nos encontraremos, a escuridão, crime, dor ou sedução que a voz de Nick Cave emana são elementos que nos deixam agarrados ao palco, e esperamos ansiosamente por ouvir a voz grave e arranhada do artista     , enquanto entramos na noite final do festival.

Por fim é a Nils Frahm e seus teclados que damos destaque. Num concerto que contará com certeza com os temas mais electrónicos do artista, não vemos melhor maneira de entrar madrugada a dentro do que a deixar-nos levar pelos ritmos e texturas experimentais deste nome que nos deixará com certeza em ansiedade constante envolta num manto de conforto.

Com esta lista completa resta esperar pelo fim de semana de 7 a 9 de Junho onde poderemos ouvir, procurar, e talvez encontrar a nossa próxima paixão musical perdida entre uma das nossas escolhas, ou num qualquer lugar perdido entre os 5 palcos do festival.

Os bilhetes diários para o NOS Primavera Sound podem ainda ser encontrados aqui.

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