Texto: Bruno Figueiredo | Fotografia: Salomé Reis

A festa começou sob a chuva com Sigur Rós, Parquet Cours e Animal Collective a brilhar sob a chuva, no parque da cidade do Porto.

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Entrámos recinto adentro, acompanhados pelos poucos que por aquela hora chegavam, para vermos logo ali à esquerda um Palco Pitchfork, pronto a animar as noites e madrugadas do recinto com o melhor da nova música mundial. De seguida, fomos inundados de cheiros maravilhosos vindos das dezenas de “tascas” que preenchiam a zona de alimentação, bem à entrada do recinto, terminando o nosso caminho na colina.

Infelizmente, chegámos tarde, perdendo a abertura do festival pelos Sensible Soccers no Palco Super Bock, mas não duvidamos que tenha sido tão intenso como a visita que nos fizeram em Coimbra, no Salão Brazil.

Seguimos então até ao palco principal, onde U.S. Girls actuavam para um recinto ainda aquém da lotação e sobre a ameaça da chuva – dois factores que em nada comprometeram o espírito dos que iam entrando em direcção aos palcos. Mas sempre se ouviu dizer que “boda molhada é boda abençoada”, e este casamento da música com o Parque da Cidade do Porto não podia ter começado melhor.

Terminado concerto no Palco NOS seguimos para o palco Super Bock, num movimento de migração massiva, com centenas de pessoas a caminhar umas dezenas de metros para agora ouvir os Wild Nothing.


De frente para o palco estava um burburinho que se alongava bem alto, até que foi abafado pelo som grave de um sintetizador que marcava o início do concerto. E foi assim que o seu pop-rock melancólico foi arrancando alguns batimentos de pé e abanar de cabeças, marcando um início de tarde relaxado, com alguns momentos mais animados. Porém, esse momento seria sempre acompanhado do burburinho da comoção do público, que pintava cada vez mais o verde do relvado de mil caras e cores que se iam juntando nas colinas do Parque da Cidade.

Regressámos, então, ao palco NOS onde se esperavam os americanos Deerhunter.


Começando o concerto em forma de quinteto, houve ainda momento para um line check, terminado ao irromper do som da bateria que arrancou os primeiros gritos da multidão. E eis que Bradford Cox surge da lateral de palco.
Com um ar frágil, parecendo vestir as roupas do pai – de tão largas que lê ficavam -, entrou em palco com um andar que fazia lembrar o estilo swing, enquanto estalava os dedos ao ritmo da música. Em palco, Bradford era a força da banda numa actuação em que a intensidade oscilava entre a mais suave sonoridade ao mais agressivo riff de guitarra. Abrindo com temas como “Revival” ou “Duplex Planet”, tema em que Bradford decidiu aproximar-se um pouco mais do público, o concerto foi um misto de energia com desinteresse do público que se ia amontoando, aos poucos e poucos, conforme chegava ao recinto.


Após devida migração, recebemos Julia Holter. Chegada a palco, preparou-se com um gole de cerveja e arrancou para nos embalar com o seu timbre suave, acompanhada do trio de piano, bateria e o sempre eficaz violino.
Conforme a luz no palco mudava, podíamos visitar o imaginário da californiana, com sonoridades doridas que, em contraste ao concerto anterior, nos deixavam num estado de calma profunda. Ao acaso do seu quinto tema, “In the Green Wild”, viam-se morcegos a rondar as árvores coladas ao palco, quase que atraídos pela sonoridade mais escura da artista. Terminando o concerto, já sob a escuridão da noite, Julia despediu-se com um “the sun has gone down, we’re ready for the night!”.

De volta ao palco NOS, preparámo-nos para receber o primeiro cabeça-de-cartaz que, ainda antes de subir a palco, causava um rebuliço geral cada vez que alguém se mexia nas sombras.
Os islandeses Sigur Rós subiram então a palco, enjaulados naquilo que podemos descrever como uma “prisão audiovisual”. Num concerto em que a vertente visual foi tão ou mais presente que a música, com um espectáculo de video mapping a acompanhar a banda ao longo de todo o concerto. Só ao fim de dois temas é que foram então libertados e, já na frente de palco, arrancaram sem travão pela noite dentro.

Podemos (e queremos) dizer que, mais do que um concerto, a passagem dos Sigur Rós pelo Parque da Cidade do Porto foi uma experiência única.


Durante cerca de uma hora e meia, pudemos viajar ao mundo imaginário da banda de post-rock islandesa e responder devidamente com ovação, tema atrás de tema.

Até que se deram as 12 badaladas e os Parquet Cours entraram no Palco Super Bock. E a energia que muito faltou durante o dia apareceu, repentinamente, na forma de riffs de guitarra e ritmos de bateria. Ainda assim, só o som dos primeiros versos é que chamou os mais atrasados para se juntarem à multidão.


Terminado então um primeiro tema, soltaram um “Obrigado, we are Parquet Cours!” e, logo de seguida, com o primeiro concerto realmente animado da noite.
O som punk-rock ia marcando o passo no palco Super Bock, debaixo de uma neblina forte causada pelo fumo que, em excesso, ia sendo lançado do palco, terminando apenas o concerto aquando da chuva fina -mas intensa – que chegou ao som dos últimos acordes.

Chegou o momento da noite para o psicotropicalismo subir a palco. Era, então, hora de ver os Animal Collective. O quarteto americano subiu a palco e foi recebido por um recinto um quanto desfalcado, e enquanto os focos frontais não desligavam, sentia-se intensamente a falta de público. Mas foi ao longo dos primeiros acordes, que cresciam gradualmente, que o público foi aparecendo como se de um chamariz se tratasse.
Quebrando por entre o ritmo do baixo surgiram as vozes de Noah e David, acompanhados de seguida pela bateria, lançando ao ar aquele que era,sem dúvida, o ritmo mais dançavel da noite até então.

Num palco decorado de monstros, os verdadeiros “monstros” actuavam virados para a colina.


O ritmo de bateria transpirava energia ao longo dos primeiros temas, enquanto as vozes intercaladas de Noah e David recitavam as letras. Tudo isto, acompanhado pelo som suave dos sintetizadores bem lá no fundo da pilha musical. Viajando de tema em tema, entre ritmos altos e baixos a cada transição, tudo sob a chuva que, ligeira mas incómoda, se abatia sobre as milhares de cabeças que se viam abanar no horizonte.

Terminada a noite com “FloriDada” não pudemos deixar de dar um pé de dança, no meio de todos os outros que nos acompanhavam nesta animação. Em palco, a banda despediu-se com “enjoy the rest fo the weekend!”.

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