Entrevista: Adelaide Martins | Fotografia: João Duarte

The Parkinsons celebram o lançamento do “A Long Way To Nowhere” (em vinyl), no Sabotage Club, e os The Amazing Flying Pony vão ajudar à festa. Para saber mais sobre este concerto, estivemos à conversa com o homem por detrás do baixo, Nelson Matias.

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Adelaide Martins (AM) – Em primeiro lugar, o que é que significou a reunião dos The Amazing Flying Pony e, em segundo, como é que se sentiram de novo em palco?
Nelson Matias (NM) – A reunião da banda significou muito para nós porque, em primeiro lugar, foi o primeiro projecto que cada um de nós teve numa altura em que não tínhamos qualquer tipo de ambição de um dia ter uma banda. E, como tal, foi uma banda muito importante para nós porque marca o início do nosso percurso na música e também foi isso que ditou, quando terminámos, que todos tivéssemos outros projectos. E, cinco anos depois, é muito bom poder voltar a tocar aquelas músicas, relembrar tudo o que passámos juntos, o que vivemos juntos ao longo de três anos – quer em ensaios, quer em convívios, quer nos concerto – e imaginar até o que poderíamos ter vivido juntos se tivéssemos continuado naquela altura. Para nós, foi bastante importante. Esta reunião marcou-nos e teve um significado muito positivo. De certa forma, o facto de nos termos sentido tão bem a tocar juntos no aniversário da Cultur’Arte Mag, cinco anos depois, quase como se estivéssemos de volta ao início do projecto em que todos estávamos no mesmo barco e todos estávamos numa fase em que vivíamos a banda como uma prioridade… é muito bom. Foi uma experiência muito boa e que talvez tenha até superado as nossas expectativas iniciais. E isso é o mais importante: continuar enquanto nos sentirmos bem e nos divertirmos a fazer aquilo que mais gostamos. E se continuarmos como temos estado até aqui, desde o primeiro ensaio, é algo para perdurar porque nos sentimos mesmo muito bem.

AM – O que é que significa abrir para Parkinsons, principalmente num dia tão importante como este que celebra o lançamento do primeiro disco em vinyl?
NM – Tem um significado especial. Voltando oito anos atrás – quando estávamos a começar o projecto e os Parkinsons já tinham rebentado em Londres -, se nos dissessem que agora estaríamos a abrir para eles no relançamento do seu primeiro álbum em vinyl, nós não iríamos acreditar porque era algo completamente inatingível. Mas a vida deu muitas voltas. E tem um significado muito especial porque é uma banda que nos inspira; desde as pessoas, à banda em si, a energia em palco e o legado que deixaram e fizeram num país que não era o deles… é, de facto, inspirador e fantástico saber que vamos tocar com eles, numa sala que vai estar cheia. E vai ser mais do que apenas um concerto: vai ser uma reunião entre amigos, vai ser uma grande noite. Além de ser muito especial, é algo que nos enche de orgulho e a qual ansiamos desde o momento em que soubemos que iamos fazer a primeira parte do concerto deles. Ainda não sabíamos que seria do relançamento do disco e, para nós, já foi muito bom! Sentimos como um voto de confiança do Vitinho e do resto da malta, sentimos que confiaram em nós para fazer uma primeira parte sua – que é uma responsabilidade muito grande. Sabendo, mais tarde, que seria uma data tão importante para eles ainda nos enche mais de orgulho e, assim, esperamos estar à altura daquilo que vai ser uma noite de pura loucura.


AM Enquanto (também) fãs de Parkinsons, o que é que significa para vocês poder ter esta versão física em vinyl do “A  Long Way To Nowhere”?
NM – É um disco que eu quero e vou comprar, se não esgotar. Confesso que ainda não comprei, mas o Gonçalo já! E quero comprar, apesar de não ter como ouvir. Mas fora de brincadeira, faço mesmo questão de comprar e espero que não esgote antes disso. Para já, porque o lançamento em vinyl é sempre uma coisa muito bonita. Não são todas as bandas que lançam em vinyl, apesar de cada vez mais ser mais utilizado e de cada vez mais haver mais amantes e coleccionadores. E, apesar de cada vez mais haver mais mercado para o formato, não são todas as bandas que o fazem porque, em primeiro lugar, não é fácil: é mais caro; não é fácil de vender porque nem toda a gente tem forma de ouvir em casa; e também não são todas as editoras que apostam em edições de vinyl. Uma banda que consegue lançar em vinyl é uma banda com algum estatuto e Parkinsons é, sem dúvida, uma banda com estatuto. E, também por isso, tem um significado muito especial e quero ter o disco para, um dia, quando comprar um leitor o poder ouvir… e vou querer ouvir muito alto.

AM – Para finalizar, quais são as expectativas para este segundo concerto após a vossa reunião e, quem sabe, para o futuro da banda?
NM – A expectativa para o concerto é que nos possamos divertir. É óbvio que sendo o nosso segundo concerto após cinco anos de interregno, numa sala que se prevê estar completamente cheia e à espera de um grande concerto dos Parkinsons, a responsabilidade aumenta imenso. E isso cria-nos alguma ansiedade, não posso dizer que não. Mas trabalhámos bem para isso, ensaiámos bastante e, como tal, estamos preparados para o concerto e a nossa expectativa é mesmo de dar um grande espectáculo e ajudarmos os Parkinsons a proporcionar uma grande noite a quem for ao Sabotage no dia 25.

Quanto ao futuro da banda, a expectativa é continuar enquanto nos estivermos a divertir – como disse anteriormente e como o Pedro disse numa outra entrevista depois do concerto do aniversário da Cultur’Arte. Portanto, se nos estivermos a divertir, as oportunidades surgirem e tudo fizer sentido, os “Póneis” ainda cá vão ficar durante muito tempo. E vamos fazer tudo para que isso aconteça! Portanto, agora, a expectativa é divertirmo-nos no próximo concerto e, se surgirem mais concertos, divertirmo-nos nos próximos também e se houver a possibilidade de gravar, quem sabe, não a vamos recusar. Queremos levar o processo de uma forma muito clara e calma, sem decisões precipitadas, mas se houver a oportunidade de gravar é algo que nós queremos. Foi algo que, na altura, nos deixou alguma mágoa apesar de termos tido mais ou menos três anos com muitos concertos sem qualquer tipo de registo discográfico. E apesar de termos sido – talvez – uma das bandas com mais concertos naquele periodo, em Coimbra, faltou-nos aquele registo, quer fosse um EP ou um LP… tivemos apenas uma maquete, gravada em casa, que não fazia jus ao que o projecto merecia. E que ainda hoje merece e que ainda hoje faz sentido. Portanto, se surgir essa oportunidade, não vamos virar a cara à luta e vamos gravar mas, para já, é mesmo divertirmo-nos o máximo que conseguirmos. E vamos conseguir muito! E enquanto esta energia positiva estiver connosco, muita coisa ainda irá acontecer.

Estivemos também à conversa com Victor Torpedo, o génio da guitarra, para saber mais pormenores acerca destes dois concertos especiais. Para ler, aqui. Relembramos que os concertos vão acontecer no Sabotage Club, no Cais do Sodré, hoje (24 Nov) e amanhã (25 Nov), às 22h00. A não perder!

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