Há-los dos mais variados tamanhos, aliás em Portugal há mais de 200, mas o que interessa na guerra dos festivais de verão é quem melhor chega ao seu público.

Uma rubrica por:
Bruno Figueiredo


Todos os anos, assim que nos chega um vislumbre de calor, respira-se música de norte a sul do país graças ao já típicos festivais de verão. Entre eles, jovens de todas as idades, sim porque um jovem de 60 anos é um jovem também, correm atrás dos cabeças de cartaz preferidos, lutando pelos últimos bilhetes e procurando encontrar cada vez mais e melhores experiências.

Ora num jogo em que as paradas estão tão altas, como neste, é preciso armarmos-nos com os melhores ingredientes e fazer por “saltar à vista” e o ano 2017 foi o ano das grande campanhas e ideias na comunicação “festivaleira”. Entre os casos de sucesso quero destacar-vos alguns dos grandes exemplos nacionais, a começar pelo NOS Primavera Sound, passando pelo NOS Alive, Milhões de Festa e Vodafone Paredes de Coura.

O NOS Primavera Sound, que já lá vai, foi o primeiro a ripostar este ano. Como sempre o lançamento do cartaz completo é um evento de grande escala, mas desta vez tudo foi um pouco diferente.

Graficamente é já um dos festivais mais aliciantes do mercado, bebendo da identidade do seu irmão mais velho em Barcelona, mas tem sido nesta revelação do cartaz, que ano após ano tem vindo a ser trabalhada pela equipa do Canal180, que se marca um ponto alto da experiência gráfica do festival. Em 2013 o line-up nascia num video POV. Em 2014 as palavras viviam nas sombras de um palacete arrombado. Já em 2015 a música ganhou vida numa peça de animação tradicional, com desenhos a preto e branco com o eventual apontamento cromático e em 2016 embarcamos numa viagem espacial naquele que é, para este humilde cronista, o pior resultado até à data. Mas 2017 foi um ano em que a experiência do Line-up ultrapassou o simples vídeo de revelação.

A experiência passou para o mundo das redes sociais e do mobile, resultando numa emissão simultânea de uma curta metragem em Live Stream no Facebook, e a actualização ao minuto, dos nomes anunciados, através da funcionalidade stories do Instagram. Diferente e desafiante, o resultado final foi uma peça de interesse, não só para os festivaleiros ansiosos, mas também um deleite visual para os amantes das produções cinematográficas e da animação visual.

Para além de tudo isto, o NOS Primavera Sound ofereceu-nos ainda uma série de 4 episódios, o NOS Primavera SoundCheck, onde Nuno Rodrigues (Duquesa & Glockenwise), que nos leva a uma viagem pelo universo cultural da cidade do Porto, com direito a sandes no “Guedes”, e que aconselho vivamente.

Já a sul, do lado do NOS Alive, o magnata “festivaleiro” da produtora Everything is New, nunca a experiência visual foi descurada, mas ano após ano o festival tem uma necessidade de se renovar. Em ano esgotado, meses antes do arranque do festival, a peça mais interessante chegou-nos mais perto das datas de festa. Uma campanha que correu as tv’s e a internet, dava espaço para visitarmos a música como complemento da nossa existência.

Fosse através da sua presença nos jogo de pés de Renato Sanches ou na vida de alguém como o YouTuber Conguito, o festival apresenta-nos um conjunto de peças visuais que visam um reviver de memórias e levar-nos ao universo pessoal de cada personalidade destacada, duma maneira simples e directa. Uma excelente campanha que merece, claramente, o devido destaque.

Regressando a norte, vou falar-vos de um dos meus festivais favoritos e que tem lugar na minha terra mãe, o Milhões de Festa. Aquela “reunião de família” que só se equipara, para alguns, ao natal lá em casa, tem sido um dos eventos que mais inova e investe em comunicação fora da caixa.

Este ano 2017, ano em que se celebram 10 anos de festival, há 3 destaques que gostaria de relembrar. Em primeiro, a campanha que, de tempos a tempos, ia lançando pequenos clipes no Facebook do festival, de nome “Quem conta um conto, acrescenta um ponto”. As histórias que marcaram 10 anos a derreter fronteiras, comicamente exageradas, celebravam o espirito descontraído que por lá se vive, e foram sem dúvida nenhuma, desbloqueadores, não só de boas memórias, mas também de curiosidade.

Em segundo lugar vale a pena mencionar a caderneta de cromos do Milhões. Objecto que levou algumas centenas de pessoas a vasculhar pelos nomes do cartaz pelas ruas, cafés e bares deste país, para assim conquistar alguns bilhetes grátis, é por si só uma peça de colecção e um excelente exemplo do bem comunicar.

Por fim, e não menos importante, o torneio nacional de matrecos, com final marcada no recinto para o último dia do festival, que abriu portas a uma diversão diferente para aqueles que, para além de boa música, gostam do ambiente descontraído do típico “tasco”, onde uma jogatana com os amigos é obrigatória. Mais uma maneira diferente de cativar públicos, e uma excelente campanha ao ambiente do festival.

Termino a falar de outro “game changer” nacional, o Festival Vodafone Paredes de Coura, que celebra este ano 25 anos de muita música à beira tabuão.

Numa campanha que arrancou em Dezembro e que nos deixou prendas debaixo do pinheirinho, o festival tem vindo a anunciar o cartaz de formas criativas envolvendo os nomes confirmados com o “habitat natural da música”, como se lhe pertencessem o ano inteiro. Paredes de Coura ficou assim mais brilhante e preenchido, não só durante 1 semana de Agosto, mas sim durante todo um ano de confirmações.

Por ultimo nesta enorme listagem, fica a história de amor entre todos nós e a música, numa celebração do casamento perfeito entre a música, a pessoa e, quando chegamos a Coura, com a natureza. A música é assim tratada como único amor, e fica a promessa de memórias para a vida.

Termino esta listagem com fórum aberto para que me deixem mais e, se conseguirem, melhores exemplos de comunicação fetsivaleira e, já agora, bons concertos.

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