Texto: João Craveiro & Mafalda Lalanda | Fotografia: Bruno Figueiredo

Finalmente chegados à piscina pudemos arrancar, devidamente, a nossa estadia à beira Cávado.

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O Milhões de Festa também se orgulha de criar colaborações únicas e exclusivas. No dia 21 podemos ouvir as primeiras. O palco Piscina iniciou a sua série de concertos com Lavoisier + Barrio Lindo. Não sendo a primeira vez que Barrio Lindo atua no Milhões de Festa, desta vez o músico colombiano estava acompanhado pelo duo português Lavoisier. O trio explorou os ritmos de cumbia do produtor com uma frente orgânica e vocal.

Entre os diferentes actos as músicas selecionadas fazem uma ponte entre música, a água e os diferentes concertos. O sol é forte e a frescura da piscina ajuda a relaxar, tanto aos festivaleiros como aos artistas que se vêm na piscina. A proximidade do palco à piscina confere uma atmosfera única aos concertos.

Chegou então a vez de GPU Panic + Shake it Maschine, mais uma colaboração patrocinada pelo Milhões que se tinham encontrado pela primeira vez em Montreal através da Red Bull Music Academy. Apresentaram-nos uma combinação das suas sonoridades o português GPU Panic com os seus sons à base de sintetizadores e o suíço Shake it Maschine acrescentou as suas influências de Chicago footwork. Depois chegou a vez da banda DIY Orchestra of Spheres que nos proporcionaram uma viagem pelo tempo e espaço com instrumentos feitos a partir de aspiradores e caixas de bolachas. A festa na piscina acabou ao som do DJ Mehmet Aslan. Nascido na Suíça e com ascendência turca conseguiu misturar a cultura funk do país com ritmos eletrónicos modernos para um set bem tropical.

No entanto, no Milhões de Festa a música não para. Já havia concertos a decorrer nos palcos do recinto principal, com uma das combinações mais espetaculares e únicas do festival. Foi a vez dos pioneiros do krautrock Faust subirem ao placo com os exploradores cósmicos que nos chegam do Reino Unido, GNOD. Faust + Gnod passaram uma semana em Barcelos a praticar juntos para este concerto. Enquanto praticaram os Faust elaboraram uma lista de pedidos bastante peculiar.  Entre os pedidos mais curiosos, está uma betoneira, barris, peças metálicas de todos os tipos, rebarbadoras e berbequins. Ferramentas que passaram a ser instrumentos neste espetáculo do outro mundo.

Após começarem em modo rock cósmico, depressa passaram para territórios inexplorados de influências dadaístas. As duas betoneiras com escombros lá dentro ressoavam no palco enquanto músicos batiam em barris de óleo com canos de metal. Na parte final do concerto os barris são passados para o público para que também nós os pudéssemos tocar. Sem dúvida, uma experiência singular.

A seguir foi a vez de Gaslamp Killer invadir o palco principal. Um verdadeiro entertainer dotado de uma presença enorme em palco. Gaslamp procura deitar a baixo barreiras musicais num set verdadeiramente eclético. Procurando influências não só onde cresceu mas também em países como a Síria e a Turquia graças a relações familiares, ele presenteia-nos com uma tapeçaria intrínseca que mistura hip hop e beats de L.A com Nirvana e com folk Sírio tradicional a uma banda de covers de J. Dilla. Um concerto que durou perto de duas horas de enorme energia.

O palco Lovers foi depois lugar de energia inesgotável por parte de Cocaine Piss. A banda Belga de noise Punk é rápida, sexual e não teve nunca espaço para tabus em cima de palco, e fora dele, não fosse a visita que a vocalista Aurélie fez ao publico ao longo de alguns dos seus curtos mas explosivos temas. A noite acabou depois ainda no palco Lovers, ao som das seleções de Switchdance. Actualmente DJ residente no Lux Frágil, Switchdance proporcionou-nos um set repleto de ritmos de techno e house com influências árabes.

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