Texto: Marisa Ferreira & Miguel Béco de Almeida | Fotografia: Bruno Figueiredo

Da Acid Ragga de The Bug, à cor e psicadelismo dos Goat ou, ainda, ao saxofone inesgotável de Sons of Kemet, ninguém conseguiu fugir à dança neste primeiro dia de Milhões de Festa nos palcos principais. 


Nos palcos principais, a noite começou com os portugueses Evols, mas foi com Goth Money Records que finalmente vimos “swag” em Barcelos. Fomos brindados com um set de hip hop e trap thug artsy chunga, perfeito para os que veneram a internet e Gucci Mane.

Sons of Kemet mostrou-se, de seguida, como um dos grandes concertos da noite, do festival e do Verão. Trazendo as músicas do mundo a Barcelos, o jazz renovou-se com um saxofonista virtuoso e uma banda determinada e fazer todos os presentes dançarem com a sua percursão cheia de garra. E foi isso mesmo que aconteceu! Com o rio Cávado como pano de fundo, soltámo-nos de vergonhas e passos de dança foram inventados: a euforia instalou-se!

Indo em direcção ao palco Lovers encontrámos uma atmosfera pesada e densa, num palco escuro em que quatro figuras sinistras se enfrentavam com equipamento electrónico de fazer crescer água na boca. Falamos da colaboração entre os dois Marshtepper, da grande Ascetic House, Varg, um dos principais porta-estandartes da sueca Northern Electronics e HHY, um dos mais prolíficos produtores portugueses e o cérebro por detrás do resto dos Macumbas. Isto prometia, e cumpriu! Momentos de noise desenfreado e kicks poderosos, melodias de sintetizadores melancólicos e a presença mascarada e animalesca de um Nick Nappa (Destruction Unit) a gritar em cima das mesas. Tivemos um dos concertos mais intensos do festival e a prova da audácia do Milhões de Festa ao dar-nos power electronics num festival em prime-time.

Foram anos de espera até termos os Goat no Milhões e, finalmente, o prometido foi cumprido. Sendo um dos concertos mais esperados desta edição, as expectativas estavam mais altas do que nunca. Cheios de cor, psicadelismo, energia e calor, souberam animar o público que ainda saltava dos concertos anteriores. Mas no final a questão foi: Isto chegou? Não, queríamos mais de Goat, muito mais. Mais garra, mais festa e mais sentimento para a próxima, por favor.

The Bug. “Mas já não tinha vindo o ano passado?” – é uma questão relevante. Mas ainda mais relevante: Há demasiado The Bug? Não, não há. E prova disso foi um concerto novamente electrizante no Milhões de Festa. Se da última vez tivémos a presença máscula e intimidante de Flowdan e Manga a acompanhar o nome forte do underground inglês, desta foi uma Miss Red -fogosa, energética e destemida – a comandar as festas. Ainda teve direito à companhia de Gaika, que subiria ao mesmo palco no dia seguinte, naquele que foi um dos pontos altos do concerto. Sentimos, dançámos e saímos deste concerto de alma cheia, com a certeza de que este dia valeu a pena e de que este Milhões prometia (e muito).

Se valeu a pena até agora, vale sempre a pena ficar “para mais um copo” e para ver o que acontece. Aconteceu Cheryl, e de que maneira. A música serviu para continuar a dança, mas o que ficará para a memória será a performance e o glitter que, ainda hoje, continua a reluzir nos corpos dos festivaleiros. Acreditamos que para o ano, algures por aquele chão, ainda voltaremos a encontrar vestígios desta festa extravagante, trazida pelo colectivo artístico de Nova Iorque. Que bom estava a ser voltar ao Milhões de Festa!

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