Texto: Mariana Martins | Fotografia: João Duarte

Apesar de a Primavera já ter oficialmente começado, não foi o cenário que se viu na sexta-feira passada. Uma noite invernosa, de chuva e frio, não impediu que a sala do Salão Brazil estivesse bem composta à espera de Quentin Sirjacq entrar em palco. Com a produção do Jazz ao Centro Clube e a Lugar Comum, o talentoso pianista e compositor natural de Paris veio até Coimbra.


Um concerto que permite silêncios e pausas, por vezes era possível ouvir as pedras de gelo a bater de quem segurava o copo da bebida, as cadeiras a ranger ou as pessoas a falar. Sabem aquela sensação de uma tarde de estudo na biblioteca e alguém deixa cair a caneta no chão e puf lá se foi toda a concentração, era o que podia ter acontecido a Sirjacq mas não foi o sucedido. Apesar do ruído à volta os seus dez dedos continuavam a passar pelas teclas do piano, os seus caracóis continuavam a abanar e continuou durante aproximadamente uma hora a fazer os pêlos dos braços de muitos levantar.

Mostrando humildade e simpatia começou com “Boa noite!”, em bom português. E mais adiante conforme explicou, felizmente em inglês, dividiu este espectáculo em duas metades, sendo que a primeira foi dedicada a peças de álbuns anteriores e a segunda a músicas do novo «Far Islands And Near Place» (2016), das primeiras vezes que as toca ao vivo. Como já a conhecida expressão da sua terra natal, saiu do palco ‘à francesa’, sem grandes despedidas, contudo apenas para ir fumar um cigarro lá fora, onde falou com alguns dos seus ouvintes e até autografou os cds a quem os comprou.

Fala connosco, dá-nos a tua opinião!