Texto: Renata Pereira | Fotografia: Carina Leitão

Chegamos a um último dia que foi de festa até ao último minuto, com promessas de mais e melhor festival para 2018.


The Miami Flu

A tarde do terceiro e último dia de festival começou ao som dos The Miami Flu, uma banda natural de Vale de Cambra, Porto. Embora o recinto estivesse um quanto vazio, The Miami Flu transpiraram psicandélico e energia contagiante pelos presentes. A sua boa disposição em palco foi notória, dando à audiência um sentimento de conforto. Com influências de bandas sonoras de videojogos e rock psicadélico dos anos ’60 e ’70, fomos puxados para outra dimensão onde os riffs de guitarras são mais que muitos! Apresentaram-se no Indie Music Fest para promover o seu EP, lançado em Março, com o título “Too Much Flu Will Kill You”. Um título um quanto irónico, pois música vinda deles nunca matará ninguém, pelo contrário!

Os homens por detrás de The Miami Flu são Pedro Ledo (voz e guitarra), Tiago Sales (baixo e back vocals), João Vilar (teclas e back vocals) e Tiago Campos (bateria).

Moon Preachers

São dois amigos, João Paulo Ferreira e Rafael Santos, que desde muito cedo têm o gosto pela música narcótica e com pitadas de punk-psicadélico. Ganharam mais notoriedade quando abriram para os The Sunflowers na ZDB e no Maus Hábitos no Porto.

Naturais de Fernão Ferro, Margem Sul, vieram até ao Indie promover o álbum “7 Demos of Wild And Magic”. Entre notas de uma guitarra sedenta e uma bateria violenta, trouxeram à tarde do último dia do festival uma sonoridade um quanto primitiva, tribal, juntando blues com o punk e muito abanar de cabeça! Com um carisma impressionante, Moon Preachers convenceram o público a embarcar neste comboio delirante.

Mr. Gallini

O som de um kazoo verde marcou o início do concerto de Mr. Gallini, direccionando as pessoas para o palco. Por detrás de Gallini está Bruno Monteiro, baterista dos Stone Dead. Bruno estreou-se neste projecto a solo com “Bad Mood”, uma música com uma sonoridade totalmente distinta do que até aí nos tinha acostumado.

Agora, fazendo uso de uma guitarra, um kazoo e uma harmónica, complementando com uma voz cheia de expressividade, Mr Gallini canta e descreve acontecimentos do seu dia-a-dia. Incorpora a ironia e o sentido de humor nas suas performances, tornando-o um artista fora da caixa e irreverente. Trouxe ao Indie um ambiente de calma mas também com muitas ancas a serem agitadas.

Stone Dead

Eram uma das bandas mais aguardadas pelo público do Indie Music Fest e fizeram jus às expectativas! Vindos de Alcobaça, os Stone Dead trouxeram o rock ao Bosque do Choupal, com a energia vibrante que sempre colocam nos seus concertos. Já bastante conhecidos do público, este entoou as letras e saltou ao som das batidas imponentes da banda. Os riffs, o baixo que convida a uma bela dança de anca e as guitarras pujantes fizeram as maravilhas de quem assistia. Houve quem dançasse, quem navegasse em crowdsurfing e, claro, muito moche. Por de trás deste projecto estão João Branco, Bruno Monteiro, Jonas Gonçalves e Leonardo Batista.

Lançaram o seu primeiro EP em 2012 mas retiraram-no de circulação por já não se reverem nele. Em 2014 lançaram um segundo EP, com cinco faixas, intitulado “The Stone John Experience”, que está disponível no Bandcamp da banda. 2017 foi o ano em que lançaram o seu primeiro álbum, “Good Boys”. Este álbum relata a vida de Tony Blue e as suas dúvidas, se é de facto um bom rapaz.

Jonny Abbey

Jonny Abbey relevou-se como sendo uma das grandes surpresas da noite do último dia de festival. Um projecto ainda recente, que tem por de trás João Abrantes acompanhado por Cecília Costa na bateria, surpreendeu tudo e todos com os toques de uma electrónica sensual e electrizante. O concerto começou tímido mas o público foi perdendo a rigidez aos poucos e terminou a pedir por mais!

Este projecto é fruto de um período de introspecção de João Abrantes, no qual passou grande parte do tempo sozinho ou acompanhado por outros músicos. O trabalho como produtor fê-lo perceber que a música é algo que pretende ser absorvido por quem ouve e que no fundo não pertence a ninguém. Foi uma viagem solitária que culminou numa sonoridade electro indie pop, repleta de silêncios e sintetizadores colocados no instante certo. A junção de guitarra e teclados resulta numa união perfeita que dá asas aos pés de quem ouve. Impossível ficar indiferente às ondas “catchy” de Jonny Abbey! Apresentou-se com o seu primeiro álbum “Unwinding”, no qual inclui colaborações com Lewis M. (Luís Montenegro dos Salto e Rapaz Ego), Sandra Martins e inFeathers.

The Poppers

O rock ’n’ roll marcou presença nesta edição do Indie Music Fest pelas mãos dos tão aclamados The Poppers! Uma banda que parte tudo por onde passa, arrancou os pés do chão a quem por ali estava e fez desejar que aquela noite nunca mais acabasse. Com Rai na voz e guitarra, Bonés na guitarra e back vocals, Bruno na bateria e back vocals e Kid no baixo e back vocals, apresentaram-se no Indie para promover o seu mais recente trabalho “Lucifer”, lançado este ano.

A multidão recebeu-os de braços elevados e muito pó pelo ar. Foi uma actuação cheia de força, na qual foram chamados ao palco elementos do público para se juntarem à banda, algo muito tempo na memória de quem a viveu.

Pás de Problème

Pás De Problème foi a última banda a subir ao palco nesta edição do Indie Music Fest, mas nem por isso a mais calma. Trouxeram consigo uma actuação performativa excêntrica sem igual! A sua música é uma mistura dos mais variados géneros, juntando traços étnicos com inspirações gypsy, improvisações de jazz, ritmos africanos e uma veia punk delirante. A sonoridade e actuação da banda é muitas vezes comparada a Gogol Bordello.

Transformaram o recinto numa pista de dança, com ritmos agressivos e rápidos que não perdoavam qualquer corpo parado na audiência. Os instrumentos musicais são mais que muitos, misturados e combinados na dose certa. A festa é feita por Abuka Peles (clarinete, saxofone), Raul Roxo (trompete), Damantino Viegas (guitarra eléctrica), Johny The Fisherman (saxofone), Gil Dionísio (voz masculina, violino), Duarte Loureiro (bateria, percussão) e Pedro Pereira (baixo).

Promoveram o trabalho lançado este ano, “Silence Is Gold”, cujo álbum foi masterizado e misturado por Bruno Lobato (trabalhou com nomes como Blasted Mechanism, Algazarra e Sam The Kid).

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