Texto: Renata Pereira | Fotografia: Carina Leitão

Mais um ano e regressamos ao bosque mágico para viver o festival mais indie que Baltar tem para oferecer. Conheçam com os nossos destaques da 1ª noite de festa.

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Foque

Uma bateria, uma guitarra e uns sintetizadores foi tudo o que foi preciso para tirar a timidez inicial ao público do Indie. De nome “Foque”, trata-se de um projecto pessoal de Luís Leitão, músico e produtor natural de Gondomar, e é fruto da sua necessidade de independência musical, levando-o ao auto-conhecimento como artista.

Numa vibe electrónica, com batidas curtas rodeadas de silêncios que falam mais alto do que qualquer palavra, Foque promoveu o seu EP de estreia “Cabum”, lançado a Março deste ano. Para além de faixas presentes no EP, como “Pressinto”, presenteou a audiência com novas roupagens para versões ao vivo, onde o groove marcou presença sem deixar pernas nem ancas submetidas à inércia. Para reforçar a sua presença em palco, contou com a colaboração de Catarina Russo que cantou “Redbone” (versão original de Childish Gambino), re-masterizado e com o cunho lounge e downtempo de Foque.

Them Flying Monkeys

As guitarras comandaram as tropas! Entre fumo denso, fomos encadeados pelas luzes de cores electrizantes que criavam o cenário idílico perfeito para estes “5 macacos” vindos de Sintra. São eles Diogo Sá (guitarra), Francisco Dias Pereira (teclas), Hugo Luzio (bateria), João Tomázio (baixo) e Luís Judícibus (voz e guitarra). Começaram por ser 4, mas a necessidade de
incorporarem mais teclas na sua sonoridade implicou a bela finalidade de adicionarem um quinto membro.

Venceram o concurso EDP Live Bands em 2016 e lançaram o seu primeiro EP intitulado “Golden Cap”, editado pela Sony Music Entertainment. Ainda no ano de 2016, actuaram em diversos palcos, como na Quinta das Beatas, no Club de Vila Real, Meu Mercedes Bar e na Casa Independente.

Guitarras que falam a sua própria língua, acompanhadas de uma batida que nos faz abanar a cabeça e todo o resto, a música dos Them Flying Monkeys é um comboio de emoções que vão desde o moche extremo à pura plenitude onde deixamos cair os braços e nos sentimos a levitar. Quem também levitou foram o vocalista e o guitarrista, elevados às cavalitas por “invasores” do palco. O concerto no Indie Music Fest fez parte da segunda tour nacional da banda.

Flying Cages

Depois de dias de chuva que pedem mantas e filmes, largámos os cobertores e corremos para o Bosque do Choupal. Junto com o sol, vieram os Flying Cages numa live session “secreta” para a Culturarte, mesmo antes dos concertos oficiais do dia começarem. Directamente de Coimbra, invadiram, sem pedir autorização, o espaço íntimo dos campistas do Bosque e aí deram música a quem por ali passava. Numa versão acústica de “A New Shape”, os Flying Cages mostraram-nos e deliciaram-nos com uma pequena amostra do que ainda estava para vir nessa mesma noite.

São uma das bandas com cada vez mais relevância no panorama da música nacional, estando presentes nos Novos Talentos FNAC 2017. Demonstram um grande crescimento desde o primeiro LP “Lalochezia” (2016) até ao seu mais recente disco “Woolgather”, lançado em Março deste ano. Apostaram em novas sonoridades com um baixo forte e onde as guitarras têm uma força evidentemente marcada, que nos fazem fechar os olhos e balançar o esqueleto ao som das “vibes” do indie rock festivo. Reforçaram também a construção musical com um maior trabalho a nível de sintetizadores e vozes secundárias.

Minutos antes das 23h do dia 31, já algumas pessoas aguardavam em primeira fila pela actuação da banda. O concerto no Indie Music Fest 2017 não foi unicamente uma promoção de “Woolgather”, mas uma bela demonstração do que são feitos e das origens da banda, relembrando os tempos do soundcloud. Músicas como “M.D.C.”, “New Shape”, “Selfish Hand”, “Your Friends”, “Tell Me Where You Hide” fizeram as delícias do público que transformou a alcatifa verde do recinto numa autêntica pista de dança.

The Lazy Faithful

Envergando um roupão branco e uns calções com flamingos, nem a rouquidão visível do vocalista foi motivo para não partirem a loiça toda! E mais loiça houvesse!

Os The Lazy Faithful são uma banda portuense que segue a corrente da música rock, influenciados por bandas como The Clash, MC5, Chuck Berry e o irreverente António Variações. Irreverente é também o vocalista da banda que deixa todas as politiquices fora do palco e impõe o seu típico roupão branco, que utiliza em todas as actuações. O vocalista chamasse Tommy Hogg e faz-se acompanhar por João na guitarra e nos back vocals, Rafael “Silver” no baixo e Boga na bateria.

Vieram ao Bosque do Choupal promover o seu mais recente álbum “Bringer Of A Good Time”, lançado a 31 de Março deste ano. Já tinham lançado o EP “Nothing Goes On”, em 2012, e o seu primeiro disco “Easy Target”, em 2014. Seguindo o mote do nome do seu novo trabalho, proporcionaram-nos muitos e bons momentos, percorrendo toda a discografia da banda, puxando pela plateia que entoou cânticos em uníssono. Combinando o lado mais escuro e pesado do rock, desconcertaram corpos e encantaram uma multidão dançante ao rubro. A audiência, entre moches e saltos, retribuiu o carinho que eles sempre demonstraram para com os seus seguidores. Esta foi a quarta presença dos The Lazy Faithful no Indie Music Fest. Porém, nestes últimos 4 anos, nenhuma evolução aconteceu na barba do vocalista, que se encontra tímida e ainda não desabrochou. Mostraram-nos que o rock não é feitos de barba rija, mas de malhas rijas! Tommy Hogg dedicou a actuação da banda a Álvaro Costa, padrinho do festival, por todo o apoio que tem vindo a dar à música portuguesa.

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