Texto: Renata Pereira | Fotografia: Carina Leitão

O segundo dia de magia no bosque de Baltar foi cheio de boas surpresas desde o hip-hop ao rock.


Indian Rubber

A tarde do segundo dia do festival começou ao som de Indian Rubber, uma banda oriunda de Vila do Conde, Porto. Na sua formação contamos com Júlio Gonçalo Macedo (guitarra), Mário Ventura (vocais e guitarra), Hugo Raposo (teclas e back vocals), Tiago Paulino (baixo) e João Pinto (bateria). O concerto começou tímido mas mais pessoas foram chegando, seguindo os rastos das ondas psicadélicas que se espalhavam pelo recinto.

Com o sol a pôr-se, o cenário tornou-se perfeito para o ambiente descontraído dos Indian Rubber.

Com músicas que pedem por olhos fechados e vôos mentais, o concerto foi decorrendo ainda a meio gás. Ainda que sugerido pelo vocalista, que o público se levantasse, este recebeu a música de pernas cruzadas e fino na mão, mas sem nunca descuidar a atenção do que se passava no palco. As cabeças a ondular no ar foram muitas. Seguindo influências de bandas como Deerhunter, Pond e Real State, os Indian Rubber apareceram em Fevereiro de 2016 com o single “Illusions”, fruto do EP “Le Voyage”. Este ano, lançaram “Pelsúun”, um EP com 6 faixas de rock psicadélico, surf rock, indie e muito boa onda. Um trabalho para ouvir nas longas e solarengas tardes de verão. Já passaram por diversos palcos como Cave 45, Plano B (Porto), Espaço A (Freamunde), Urban Social Club (Vila do Conde) e Popular Alvalade (Lisboa).

Toulouse

Vindos de Guimarães, a banda dos rapazes João Silvestre (voz e baixo), Rui Pacheco (guitarra), Nuno Duarte (guitarra e sintetizadores) e Francisco Naylor (bateria) trouxe ao Indie, no segundo dia de festival, o ambiente etéreo e um quanto sobrenatural já característico destes meninos, que de meninos não têm nada!

Com uma performance um quanto contida e sem grande adesão por parte do público, fizeram a festa com a apresentação do seu álbum “Yuhng”, lançado a 11 de Outubro de 2016. Temas como “Sonder” e “Parhelia” fizeram parte da set list. Já tinham actuado no palco secundário em edições anteriores e este ano estrearam-se no palco principal do Indie Music Fest.

George Marvinson

George Marvinson é o pseudónimo escolhido por Tiago Vilhena (baixista dos Savanna) para apresentar o seu novo projecto gravado em família, pelo seu irmão Miguel Vilhena no estúdio da Pontiaq em meados de 2016.

Chegou ao Indie fazendo acompanhar-se pelo seu colega dos Savanna, Pedro Castilho, na guitarra. Entre dúvidas de nomenclatura, se “são” os George Marvinson ou se Tiago Vilhena “é” George Marvinson, dúvidas não houve quanto ao ambiente dançante, carregado de sintetizadores e guitarras energizantes que George Marvinson trouxe à segunda noite dofestival. Os presentes tiveram o privilégio de ouvir em primeira mão uma música, ainda sem nome definitivo, da autoria de Pedro Castilho. Músicas como “Lucky Day” e “Let Me Be” fizeram parte do concerto carregado de groove, mas foi o tema “Beni” que arrecadou o galardão de mais energia e cantoria por parte do público.

Conjunto Corona

“Gondomar” foi o mote inicial para a malha que se seguiu. Já bem conhecidos do público, trouxeram a meia branca no chinelo para o pó do Indie. O que não faltou foi também o tão aclamado Hidromel e, claro, o Homem do Robe! O grande Corona, que se encontra numa nova fase da sua vida, agora empreendedor de sucesso com a casa de diversão nocturna “Cimo de Vila Velvet Cantina” no Porto, faz do foleiro, “chunga” e exagerado a mistura perfeita à qual nem os mais cépticos musicais conseguem ficar indiferentes.

Na base do projecto estão dB, o produtor de serviço amante de samples, e Logo, o rapper. Ambos são referências no Hip Hop português. Contaram com a participação em palco de Kron Silva, reforçando o enredo desta quase novela da vida de Corona.

Marvel Lima

A noite do segundo dia do Indie Music Fest ia fria quando os Marvel Lima, naturais de Beja mas actualmente residentes em Lisboa, se apresentaram. São eles: José Penacho (voz e guitarra), Diogo Vargas (teclas), Luis Estanque (baixo), João Romão (percussão) e Diogo Marques (bateria). O fumo do palco misturava-se com o vapor da respiração, os pés frios começaram a bater e os corpos não conseguiam ficar indiferentes à mistura de géneros da banda que vão desde o rock psicadélico, passando por toques mediterrâneos e latinos em muito devido à proximidade com Espanha, congas e muito muito groove.

Ainda que com alguns problemas técnicos, pedais que não davam de si e que tiveram de ser substituídos, a actuação de Marvel Lima foi uma das que levou mais pessoas até ao recinto. A multidão juntou-se e dançou infinitamente. A boa disposição do vocalista repercurtiu pelo público, que deu o que recebeu: uma alegria contagiante e quase palpável. “Fever”, uma das músicas mais conhecidas da audiência, fez parte da set list da banda, não deixando ninguém indiferente à sonoridade com influências dos anos ’70.

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