Texto: Bruno Figueiredo

Incluido na programação do Festival das Artes, o fadista chega a Coimbra a 23 de Julho.

HELDER MOUTINHO
Hélder Moutinho © Pauliana Pimentel

Mais uma vez o Festival das Artes invade a Quinta das Lágrimas, e agora também o Convento São Francisco, para aquela que será a sua 8º edição. Esta semana temos como destaque a visita a Coimbra do fadista Lisboeta, que nos traz o seu mais recente trabalho “O Manual do Coração”.

Dono de uma voz poderosa e de uma rara profundidade emocional, Hélder Moutinho conta já com 20 anos de carreira. Ainda assim, “O Manual do Coração” é apenas o seu quinto álbum de estúdio, distando três anos do anterior “1987”, aclamado como um dos grandes discos do “novo fado” e como um dos melhores trabalhos da música portuguesa de 2013, sendo que, antes destes, o fadista já tinha publicado “Sete Fados e Alguns Cantos” (1999),“Luz de Lisboa” (2004) e “Que Fado é Este que Trago” (2008).

Naciscdo em Oeiras em 1989, foi da família que herdou o gosto natural pelo Fado, crescendo e convivendo desde sempre nos meios mais tradicionais deste género. Se inicialmente cantava só para amigos, o dom deixou de poder ser guardado e a sede de cantar levou-o a fazer parte do elenco de uma casa de fados no Bairro Alto. Foram as tertúlias fadistas pela noite dentro, e com outros amantes do fado, que viram surgir as primeiras letras de sua autoria.


Agora, passados 20 anos, apresenta-nos “O Manual do Coração”, escrito na totalidade por João Monge para as músicas de Carlos Barreto, João Gil, Zeca Medeiros, Manuel Paulo, Marco Oliveira, Mário Laginha, Pedro da Silva Martins e Luís José Martins (Deolinda), Ricardo Parreira e Vitorino. O disco “conta uma série de histórias que fazem parte do coração, que têm a ver com as nossas emoções”, diz o artista, até porque, na verdade, “O Manual do Coração” nasceu de longas conversas entre Moutinho e Monge, abordando episódios e histórias que lhes aconteceram, pessoalmente ou a amigos.

A ideia de “O Manual do Coração” como uma “colecção de contos” vai estender-se à produção de palco – “com várias histórias à volta de um ponto de encontro que será a sala de espectáculos, que serão maioritariamente deste disco, mas poderão também vir dos anteriores”. E, assim, se confirma a versatilidade de um artista de rara integridade – um cantor que só lança um novo álbum quando tem algo de novo para dizer.
Hélder Moutinho pode fazer-nos esperar, mas ainda bem que o faz.

Relembramos que o espectáculo tem lugar no Anfiteatro Colina de Camões no dia 23 de Julho, com hora marcada para as 21h30.
O custo da entrada é de 15€ e os bilhetes já podem ser adquiridos na Bilheteira do Festival das Artes (Quinta das Lágrimas, junto ao edifício 4 Elementos), das 15h00 às 20h00 e também na FNAC (Forum Coimbra) e Livraria Almedina (Coimbra), sendo que os dois últimos vendem exclusivamente bilhetes para os espectáculos no Anfiteatro Colina de Camões e Convento São Francisco.

Nos próximos dias podem contar ainda com mais espectáculos musicais, conferências, peças de teatro e muito mais. Podem consultar toda a programação aqui.

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