Texto: Mafalda Lalanda

O Festival Paredes de Coura celebra 25 anos de música em comunhão com a natureza. A primeira edição do evento, criada por um grupo de amigos, demorou cerca de nove dias a ser preparada e conseguiu levar, aproximadamente, duas mil pessoas até ao habitat natural da música.  O cartaz do festival apresentou, apenas, nomes portugueses até 1996, mas desde então que se expande além fronteiras. Hoje, o Vodafone Paredes de Coura é um marco incontornável nas tendências atuais.

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Comecemos por falar sobre o momento em que o Festival Sobe à Vila. Como é habitual, o aquecimento para o festival acontece quatro dias antes na vila de Paredes de Coura (12-15 de Agosto). A aposta nos artistas nacionais e o ecletismo sonoro são evidentes na programação que antecede o grande evento. O campismo abre no dia 11 de Agosto para que, desde o início, possas usufruir de toda a música e ambiente. Podem conhecer aqui a programação:

12 AGOSTO – The Sunflowers (Psych Punk / Garage Rock / Surf) & Mister Teaser (House / Nu Disco / Electronic)

13 AGOSTO – Nice Weather For Ducks (Indie / Pop), Serushiô (Blues Rock) & DJ Mosca

14 AGOSTO – Stone Dead (Rock), The Twist Connection (Rock’n’roll) & DJ Sininho

15 AGOSTO – Alek Rein (Rock’n’roll), Conjunto Corona (Lo-Fi Hipster Sheat) & DJ Electric Shoes

Passada uma semana de boa música na vila, viramos a atenção para o Festival Vodafone Paredes de Coura per se, e destacamos os destaques de cada dia.

1º DIA – 16 AGOSTO

No primeiro dia do festival, a programação musical acontece apenas no Palco Vodafone. O grupo norte-americano de música electrónica, Future Islands, inaugura o primeiro dia. A banda, cujo último disco, “Singles”, data de 2014, regressa a Portugal depois de já ter passado por Lisboa e Porto. Ainda no dia 16, contamos com outra cabeça de cartaz – Kate Tempest. Espera-se um concerto de spoken wordassociando a veia poética da artista ao seu mundo musical muito próprio. “Let Them Eat Chaos” é o mais recente disco que apresenta em Paredes de Coura.

A música nacional fica representada pelos Mão Morta que, passados sete anos, regressam com os 25 anos da edição de “Mutantes S.21”. É um reviver da presença deste grupo no Paredes de Coura e, ao mesmo tempo, é uma estreia no Palco Vodafone.

Ainda há espaço para revivermos os anos 80 ao som do indie pop britânico dos The Wedding Present e, também, o álbum “Couple in a Hole” dos Beak>.

Não esquecer, ainda, o projeto Escola do Rock – Paredes de Coura. Uma iniciativa que proporciona formação a jovens músicos através de ensaios, jam sessions, workshops e muitos outros. Nas Bodas de Prata, junta-se à programação do primeiro dia para nos lembrar de algumas das bandas mais marcantes que pisaram o palco do festival.

2º DIA – 17 AGOSTO

No segundo dia do festival a música chega aos três palcos do recinto. A programação no Palco Vodafone conta com At The Drive In, You Can’t Win Charlie BrownCar Seat Headrest e Nick Murphy. Este último, mais conhecido por Chet Faker, apresenta-se, desta vez, com o nome próprio e pronto a explorar uma nova identidade com uma voz inevocável. Contudo, também At The Drive In promete fazer bater o pé dos festivaleiros. A banda de post-hardcore, que existe desde 1993, volta mais uma vez com o álbum “In•ter a•li•a” lançado no presente ano. A não esquecer os portugueses You Can’t Win Charlie Brown que prometem um terceiro álbum e, ainda, “Car Seat Headrest” para os apaixonados pelo indie rock da banda americana.

No Palco Vodafone FM destacamos o americanos HO99O9 que, no ano passado, marcaram presença no festival Milhões de Festa e são conhecidos pelos seus concertos eletrizantes. Sunflower Bean e Nothing também são duas das apostas que pretendem surpreender o público. Neste dia, o Palco After Hours vai estar representada através do grupo post-rock da Coreia do Sul – Jambinai – e Marvin & Guy, um duo de DJs e produtores italianos.

3º DIA – 19 AGOSTO

Neste terceiro dia, a música portuguesa vê-se representada no Palco Vodafone por Bruno Pernadas. Em 2014, o músico português lançou o primeiro álbum a solo, intitulado “How can we be joyful in a word full of knowledge”. No mesmo palco marca presença o trio canadiano BADBADNOTGOOD, inicialmente conhecido pelas interpretações jazz de alguns temas conhecidos, tal como “C.M.Y.K” de James Blake. Actualmente conta com quatro álbuns editados e uma colaboração com o Ghost Face Killah dos Wu Tang Clan. No mesmo dia há espaço espaço para os JapanDroids que já estiveram presentes no Primavera Sound 2017  e, claro, para o dream pop sombrio dos Beach House.

No palco Vodafone FM vamos poder ouvir os portugueses Cave Story que lançaram o disco “West” em 2016 com o selo da Lovers & Lollypops e, ainda, os Octa Push – mais conhecidos por balançar a cultura urbana africana e as raízes portuguesas.

A noite prolonga-se no Palco After Hours. É neste espaço que podemos ouvir o nu-disco de Roosevelt e a fusão de rock e house eletrónico que nos chega das ruas de Tel-Aviv com Red Axes.

4º DIA – 20 AGOSTO

O último dia apresenta cinco artistas só no Palco Vodafone, sendo que a grande promessa é a banda britânica de rock alternativo, Foals. A despedida do festival é feita na companhia de Benjamin Clementine. Um músico e poeta que, frequentemente, surge de pés descalços em fundos negros. Espera-se, ainda, o duo americano de indie rock, Foxygen, o multi-instrumentista e produtor, Ty Segall, e o talentoso Manel Cruz, frequentemente conhecido pelo seu passado na antigo banda Ornatos Violeta.

O Vodafone FM brinda-nos também com a dupla de noise rock Lightning Bolt, o cantor australiano Alex Cameron e os portugueses Toulouse, numa aventura pelo pop melódico do quarteto de Guimarães.

O After Hours fica a cargo de Nuno Lopes, um DJ já conhecido no habitat natural da música, e Throes + The Shine para uma refrescante passagem pelas cores mais berrantes e tropicais.

Convém lembrar que o Vodafone Paredes de Coura não é só música. Além das sonoridades que assaltam a Praia Fluvial do Tabuão, há tempo para as Vozes da Escrita. Nos dias 17 e 18 esperam-se duas leituras inéditas com Catarina & Tomás Wallenstein num dia e Marta Ren & Miguel Guedes no outro.

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Os 25 anos marcam um festival maior e mais completo. O próprio espaço físico apresenta algumas alterações ao nível do terreno, com destaque para a zona de restauração, casas de banho e canalizações generalizadas. A partir de dia 11 de agosto já é possível conhecer ao pormenor as diferenças do espaço que continua a apostar na máxima envolvência da música com a natureza.

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