Texto: Adelaide Martins | Fotografia: Afonso Bastos

The Walks e Crystal Fighters foram os nomes responsáveis pelo dia mais aclamado de todo o cartaz.


Gonçalo Carvalheiro, Hélder Antunes, Miguel Martins, John Silva e Nelson Matias subiram ao palco da Praça da Canção, por volta da meia-noite, com uma atitude de quem dificilmente se iria deixar intimidar pela presença dos londrinos Crystal Fighters no alinhamento da noite.

Entraram e, sem conversas, deram início ao concerto com um instrumental pautado por uma bateria impaciente que, gradualmente, embrenhada por rasgos impulsivos de guitarras e baixo culminaria no seu mais recente single, “Backfire”. E foi desta feita que, com um “yeah!” bem arranhado, John Silva deu o primeiro ar de sua graça.
Para aqueles que já os conheciam era, sem dúvida, uma entrada «à The Walks». Para aqueles que já ali estavam a marcar lugar para o concerto seguinte, pareceu ter sido uma premissa daquele que seria um bom concerto. E assim se pôde confirmar, pela reacção final da plateia.

Do alinhamento fizeram parte a cada vez mais presente “Move Along” e as já obrigatórias “Before And After”, “Clockwork” ou “Redefine”, entre outras. Já quase na recta final, John saiu de palco e confidenciou que, aquele, seria «o momento para eles brilharem». E, assim, antes de “Riding The Vice”, o público da edição de 2014 da Festa das Latas de Coimbra presenciava a estreia de um pequeno interlúdio que pareceu prometer “mais qualquer coisa”.

Com pouco mais de um ano de existência, a banda tem, porém, passado por locais com o seu relevo no cenário musical. Foram exemplos disso, a sua passagem pelo festival NOS Alive e a sua primeira internacionalização, com actuações em Madrid e Cáceres, em Espanha. Para aqueles a que assistiram à sua estreia, no Salão Brazil, vê-los agora foi a prova de que “o hábito faz o monge”. Em palco, a comunicação entre si e para com o público foram exemplos notórios do crescimento do grupo e da evolução de cada um, enquanto membros do mesmo. Tudo isto confluiu para uma sonoridade mais crescida e mais sólida, na qual transparece a musculatura musical que, ao longo deste curto espaço de tempo, Gonçalo Carvalheiro, Hélder Antunes, Miguel Martins, John Silva e Nelson Matias desenvolveram.
Com um instrumental final contagiante, a “embalar” as despedidas, “Inside Out” fez as delícias dos muitos que, quase em catadupa, acabavam de encher a tenda do palco principal. Era, então, hora de dar palco aos britânicos Crystal Fighters.

Forçados a contrariar a pontualidade britânica, SebastianGilbert, Graham, Mimi e Laureapresentaram-se ao público por volta das 1h30. Sob um apupo que parecia não ver fim de um recinto quase a abarrotar, a banda chegou e mostrou aos presentes a massa de que era feita. Entraram faseados, ao som de um igualmente longo solo de guitarra que, à medida que os restantes elementos subiam a palco, se ia complementando.

“Star Of Love”, “You and I, “Bridge of Bones” e “Plage” foram dos pontos mais altos de um alinhamento que parecia ser escolhido “a dedo”, mas foi com “Love Is All I Got” que o recinto pareceu ser pequeno demais para tanta euforia. Fora da tenda, o ar fazia sentir-se fresco mas, lá dentro, o espírito festivaleiro trazido pelos Crystal Fighters afugentava qualquer prenúncio de frio.
Ritmo e cor foram palavras de ordem de espectáculo que não dispensou uma sentida homenagem a Andrea Marongiu, antigo baterista da banda que faleceu recentemente. Com direito a encore, incutido pelos presentes, os Crystal Fighters regressaram mais energéticos que nunca e despediram-se do público da Praça da Canção com o espírito de “Wave”.

Fala connosco, dá-nos a tua opinião!