Texto: Adelaide Martins | Fotografia: Bruno Figueiredo & Salomé Reis

Domingo à tarde é também sinónimo de concertos Erro Crasso. E dia 15 de Maio não foi excepção, desta vez com Wipeout Beat e Capitão Fausto.


Miguel Padilha, Carlos Dias e Pedro Antunes (comumente conhecido por “Calhau”) foram os responsáveis pelo inicio da festa. Entre teclados, guitarra e algumas batidas hipnotizantes, os Wipeout Beat soltaram a mestria do entretenimento. Com Calhau nos teclados e na guitarra, Miguel e Carlos nos teclados, houve ainda espaço para todos poderem explorar os seus dotes vocais. “She’s a bad girl” e “Baby!” foram alguns dos “gritos de guerra” apresentados pelo trio, acompanhados por uma melodia “saltitante e maneirinha”, como eles próprios descreveram.

Naquele que foi o seu segundo concerto, tendo-se estreado na noite anterior no Ar de Rock em Ançã, os Wipeout Beat fizeram mais do que cumprir calendário. Músicos por paixão e entertainers por natureza, Miguel, Carlos e Calhau roubaram sorrisos e as expressões mais incrédulas nos rostos do público da primeira à última instância, fazendo bater aquele pé mais colado no chão.

Entretanto, e muito rapidamente, procedia-se à troca de palco enquanto o público se concentrava junto do já tradicional tapete verde. A tarde caminhava para findar e a densa temperatura que desde cedo se fazia sentir era, finalmente, amenizada por uma brisa tranquilizante.

Estavam, então, reunidas as condições para receber os Capitão Fausto!

Tomás Wallenstein na voz e guitarra, Manuel Palha na guitarra, Domingos Coimbra no baixo, Francisco Ferreira nos teclados e Salvador Seabra na bateria apresentaram-se, às 18h30, com uma postura de quem já pouco sente o “friozinho na barriga” antes de subir ao palco.

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Donos de uma execução exímia a que poucos se atreverão apontar o dedo, mostraram uma presença um pouco inibida e, para muitos, aquém do que já foi visto anteriormente em Coimbra. Porém, nada que um apupo mais caloroso do público e uns goles de um bom vinho não resolvam. Notoriamente satisfeito por regressar a Coimbra, Tomás Wallenstein agradeceu não só pela “excelente qualidade do vinho” mas também pelo “fantástico spot” (Aqui Base Tango) – que, sem margem para dúvidas, adorou.

“Os Dias Contados”, “Supernova” e “Nunca Faço nem Metade” foram alguns dos focos do alinhamento da tarde, mas foi com “Morro na Praia”, “Amanhã Tou Melhor”, “Maneiras Más” e “Verdade” que o público mais deixou transparecer o seu apreço. Com constantes referências à luta pelo título nacional entre Sporting e Benfica, os Capitão Fausto deram também especial ênfase a “Alvalade Chama por Mim” e a “Mil e Cinco” chamaram “35” quando, por fim, o Benfica havia sido eleito o vencedor do campeonato. Retomando ao fulcral, apresentaram-se entre si, bem como à equipa que traziam consigo. Com boa disposição e um sentido de humor sempre apurado, Tomás desafiou os presentes a dirigirem-se até ao merchandising – “para o bem comum”. Depois do sucesso de “Gazela” (2011) e “Pesar o Sol” (2014), “Os Capitão Fausto Têm os Dias Contados” juntava-se à lista de “boas razões para continuar a comprar discos”.

Por fim, e – citando – “para despachar o encore, em que saímos de palco e fingimos estar muito surpreendidos por baterem palmas e pedirem mais canções, não vamos sair”. E assim foi. Demarcado o suposto encore, a banda percorreu aquela que foi o sector discográfico mais antigo do espectáculo. E não poderia terminar de melhor forma, com jardim, janelas e varanda preenchidas de um afável aplauso.

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