Emmy Curl é Catarina Miranda e chega-nos de Vila Real não só com as suas canções, mas com o seu imaginário visual, no seu primeiro longa duração, “Navia”.

Estivemos à conversa com a Catarina em antevisão do seu showcase de Sábado na FNAC Coimbra e falamos de tudo um pouco, desde a origem do projecto às ideias que tem preparadas para o futuro e ainda um pouco sobre o que pode esperar também o público do concerto de dia 26 na Casa da Música.

 

emmy curl

 

Mariana Martins – Comecemos pelo início. Fala-nos um bocado sobre as origens do projecto Emmy Curl?

Emmy Curl – O meu projecto da Emmy Curl basicamente sou eu. Comecei sozinha com uma guitarra há cerca de dez anos atrás e tenho vindo a evoluir o projecto com pessoas que têm entrado também na minha banda, têm tocado comigo ao longo dos anos. Já somos cinco em palco, portanto agora é o Mário Barreiros na bateria, o João André no baixo, Eurico Amorim nos teclados e Vanessa nos teclados e voz.
É um projecto que é de singer songwriter, ou seja, sou eu que componho as canções e que componho as músicas, além disso faço parte da imagem gráfica e do conceito, ou seja, tenho a mão em tudo aquilo que é, tanto na imagem como na produção, é tudo feito por mim e acho que é isso. Se houver mais alguma pergunta era mais fácil…

MM – E de onde é que vem a inspiração do nome?

EC – A inspiração do nome começa quando eu desde o 10º ano até ao 12º ano, quando andei em artes, assinava nos meus quadros como Emmy. Era o meu alter ego na altura e decidi colocar mais um nome em conjunto com Emmy, com uma amiga minha, que decidimos na altura que apareceu a Amy Winehouse e a Amy Macdonald, decidimos criar um segundo nome para Emmy, para não ficar tão solitário. E o Curl tem a ver com as formas que eu fazia, que eu desenhava muitas espirais e além disso o símbolo da espiral é o símbolo encaracolado, se traduzirmos ao português o que significa, tem a ver com o meu astro, porque também ligo bastante à astrologia e aos lados místicos, que é a lua que aliás está ligado ao caranguejo que é o meu signo e com a mãe, com o imaginário da criança, isso também tem a ver com a minha música.

MM – Como já falaste, e dá para perceber através da tua página de facebook e pelas tuas imagens, dás muita importância também à imagem, à fotografia, às artes plásticas e à tua roupa. Achas que é a junção dessas áreas que torna este projecto único na música portuguesa?

EC – Talvez eu posso estar errada, porque também não sei, não consigo acompanhar tudo aquilo que se passa hoje em dia, nem em Portugal nem lá fora, mas aquilo que me chega às mãos não tem comparação. Aliás para já cada projecto é único, cada coisa que toda a gente faz é única. O que eu posso acrescentar, que às vezes até digo o que eu posso vender do meu espectáculo por ser diferente, é isso, porque ele tem as áreas todas que passam pelas minhas mãos, portanto não é só a música que eu faço, também é a imagem, também é a fotografia, a roupa, os vídeos sou eu que os realizo, tirando alguns, claro, em que faço parceria, mas é tudo, toda a criação passa também pela minha mente portanto é por isso que é um trabalho com um fio condutor bastante coerente.

MM – Descobri também que começaste por gravar com o teu pai. A veia artística já nasceu contigo e sabias sempre que querias seguir este caminho ou decidiste isso há pouco tempo?

EC – Não. Como eu já disse, há dez anos que estou nisto, tenho 25, portanto desde os 15 anos que faço música, mas cresci no meio artístico. Comecei, aliás cresci, com os meus pais a tocarem numa banda que eles tinham de rock/pop e tudo também foi me influenciado para este destino, não é? Isto é um bocado assim, ou seguiria música ou artes ou algo do género porque era muito fácil eu ter estas ferramentas à mão, também porque davam-me bastante liberdade para criar, apesar de ter que ter os meus estudos sempre em dia, não era assim nenhuma rebaldaria, mas tive muito espaço para criar e para experimentar muitas coisas e como o meu pai tinha um estúdio na altura que foi um amigo dele que ensinou-me a mexer num programa de gravação e eu também aproveitei isso para gravar as minhas canções e para produzir os meus primeiros trabalhos.

Depois ficaram disponíveis no MySpace, na altura em 2007 ou por aí, e daí dei muitos concertos em pastelarias, em cafés, ia muito sozinha com a minha guitarra às costas e agora isto foi evoluindo, foi passo a passo. Eu nunca tive um momento em que pensasse: “ah vou ser uma pessoa famosa”, eu não tinha. Aliás, nunca tive esse almejo, eu sempre quis é ser música e ganhar a minha vida a cantar ou a fazer música, acho que é isso que me dá mais prazer e desde miúda que podem ver fotos de mim a agarrar o microfone e a cantar com muito gosto, portanto acho que estava em mim.

MM – O teu projecto já conta com quatro EPs e agora com o álbum de estreia, o «Navia», e ao longo desse caminhom como estavas a dizer, também já passaste por vários sítios e várias salas e festivais como o Sudoeste e o Delta Tejo. Há algum sítio que destacas ao longo desse caminho?

EC – Talvez a que me tenha marcado mais foi a abertura dos Eels para o Coliseu de Lisboa, porque eu nunca tinha tocado para tanta gente, pronto marcou-me muito, porque estava completamente à nora de qual era a recepção que público podia ter para mim, sei lá podiam-me atirar garrafas eu não era a banda principal, não é? Mas foi muito engraçado, uma experiência muito boa e consegui encarar aquele público todo como se estivesse sozinha no meu quarto a cantar, fechei os meus olhos e fingi que não estava ali, estando claro mas à minha maneira, eu era tímida na altura, ainda sou um bocado mas ainda era muito novo aquilo para mim, foi um crescimento. Por acaso esses anos foram muito rápidos em termos de sucesso/carreira foi muito positivo e ao mesmo tempo foi confuso para mim porque há coisas que eu não estava preparada, por exemplo os Sudoestes e o Delta Tejo onde eu toquei. Não acho que estava preparada na altura para assumir esse papel de ir logo a um festival quando estava muito habituada a tocar sozinha e ainda por cima foi-me imposta uma banda assim um bocado em cima do joelho e talvez não tenha tido impacto por causa disso, não foi pensado ou não foi bem coerente. Eu ando um bocado a tentar voltar atrás e, passo a passo, dar um passo de cada vez maior mas com muita cautela para conseguir fazer as coisas como se devem ser.

 

MM – Até agora dirias que a recepção do público tem sido boa?

EC – Sim, tem sido muito boa. Aliás, em todos os concertos há imensa gente que vem no fim dar-me os parabéns e adoro estar com essas pessoas, gosto de quem tenha coisas para contar, acho que gosto de sentir que não estou ali só para dar e isso é naquilo em que uma artista se sente mais recompensada. Acho que é com as palavras das pessoas e acho que é com ver que o que nós fizemos tocou alguém de alguma forma. Não é que estejamos ali para dar e querer receber em retorno porque isso não é de todo o processo. Por exemplo, eu pessoalmente gosto de sentir uma evolução nas coisas e ao sentir essa evolução tem que haver retorno, tem que haver um input de alguma maneira para sabermos como é que está, imagina há pessoas que vêm dizer “já é a segunda vez que te vejo a tocar e estás melhor” e esse tipo de coisas. As pessoas também são muito importantes para o nosso trabalho, se não houvessem pessoas também não fazia sentido estarmos a fazer música só para nós, não é compensatório, por isso é que dar concertos é a melhor coisa do mundo para um musico.

MM – E quais são as tuas expectativas para o showcase na Fnac no Sábado, em Coimbra?

EC – Olha eu vou tocar as músicas acústicas, portanto vai ser um pouco mais despido do que o concerto que vai ser na Casa da Música por exemplo, mas eu não tenho muitas expectativas, eu sou muito de tentar fazer o meu melhor claro e vou com todo o coração e se as coisas acontecerem, ou seja, se as coisas ultrapassarem as minhas expectativas, e eu prefiro ir sempre com a expectativa muito baixa por causa disso, gosto muito quando me surpreendem e venho para casa muito mais contente do que estar a pensar aquelas coisas de que vai estar cheio ou que alguma coisa vai acontecer.
Prefiro ser simples nesse pensamento e no fim há sempre aquela reviravolta que depois é mais compensatório se nós estamos armados em senhores do destino, é mais fácil deixarmo-nos levar por ele.

MM – Como já falaste e era próxima pergunta que eu ia fazer, em relação ao concerto da Casa da Música de dia 26 e dos outros concertos que irás ter agora de apresentação do disco o que esperas?

EC – Para já só revelamos este do dia 26 de Novembro na Casa da Música. Vai ser um concerto em que vai haver um cenário, somos os cinco a tocar, vai ser a estreia do álbum portanto vamos tocar o álbum e algumas músicas dos EPs anteriores e uma música também nova que ainda ninguém ouviu e é isso. As expectativas, aquilo que eu estou à espera é de um concerto memorável e que fique na minha memória como a primeira apresentação do meu primeiro longa duração.

MM – Já tens ideias ou projectos novos para o próximo ano?

EC – Sim, vou continuar com a tournée claro. Em Janeiro começa a tournée deste álbum, também vou lançar um mini EP dedicado à Chiara Bautista que é uma artista plástica que eu gostou muito, e que reúne à volta de cinco canções, mas isso também ainda não vou revelar datas porque também vai ser um pequeno bombom no final deste álbum, não quero falar ainda nada.

 

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