Entrevista: Mafalda Lalanda

Já não falta muito tempo para a Ilha de São Miguel e Ponta Delgada receberem o Festival Tremor. A música aterra em solo açoriano entre os dias 4 e 8 de Abril com concertos, workshops, residências artísticas e muito mais.

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Em entrevista à Culturarte, o diretor artístico do festival, Márcio Laranjeira, revela-nos todos os pormenores do Tremor. Se ficares convencido podes adquirir o passe geral por 25€ em www.bol.pt.

Mafalda Lalanda (CA) – Em primeiro lugar pedia-te que contasses aos leitores a história e as origens do Tremor Festival.
Márcio Laranjeira – O Tremor antes de ser festival era uma ideia que pairava e vontade que sempre houve de se fazer algo nos Açores, que é um território que sempre nos fascinou e à data do primeiro Tremor era, infelizmente, bem mais desconhecido do que é hoje. A isso juntou-se o Luís da Yuzine, a agenda cultural de Ponta Delgada, que nos apareceu no escritório a dizer que tinha arranjado um pequeno apoio e a perguntar se queríamos fazer este Tremor com ele. O primeiro foi montado em cerca de quatro meses e os seguintes foram crescendo, em tamanho e mediatismo, até ao ponto em que está hoje, com um cartaz irmamente distribuído por artistas locais, nacionais e internacionais, e sempre com o objectivo principal de deixar infraestruturas para o crescimento e surgimento de mais agentes culturais nos Açores.

CA – O que acrescenta cada um dos órgãos ativos do festival – YUZIN – Agenda Cultural, a Lovers & Lollypops e o curador António Pedro Lopes?
ML – Todos temos mais valias e visões diferentes, mas que convergem quando falamos do TREMOR. As três “instituições” têm um dedo na programação, na comunicação e no pensamento do que é e será o festival no futuro. Pela ligação que cada uma tem com a ilha de São Miguel e o Arquipélago, há um acordo claro de que o que fazemos não é tanto um exercício de prazer, mas de compromisso para com a região, para com os locais, sempre com vista a envolvê-la e aos seus habitantes, mais do que simplesmente tirar proveito das suas incontáveis possibilidades.

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© Vera Marmelo

CA – Qual é a logística do festival?
ML – É um festival multi-salas que acontece de 4 a 8 de Abril, em vários locais de São Miguel, desde o centro de Ponta Delgada a locais mais remotos (termas, museus escondidos, etc.). Um bilhete único permite viver toda esta experiência que dá a conhecer a variedade deste belo local. Não possuímos campismo, mas há uma oferta de estadias para todos os tipos e preços, que podem encontrar no nosso site www.tremor-pdl.com

CA – Atualmente é mais correto assumir o Tremor como festival de música ou como festival inter-artes?
ML – A música acaba por ser a faceta mais visível, mas é um festival que se preocupa também com outras manifestações artísticas. Proporcionamos residências onde se exploram as artes plásticas (orientadas pelo Fernando Almeida), projeções de filmes, ou componentes multimédia, ou de realidade virtual, como foram explorados no ano passado pela curadoria do Liverpool Psych Fest.

CA – Quais são os vossos grandes objetivos com a promoção deste evento?
ML – O nosso grande objectivo é que o Tremor seja mais que uma semana de actividades, e se consiga afirmar como um estimulador cultural com atividade durante todo o ano. Além da parte da oferta, também pretende impulsionar a criação no local, o que felizmente já conseguimos comprovar pela crescente quantidade de projectos de música de autor que têm surgido desde que o Tremor acontece no arquipélago — muitos deles com o propósito de poder partilhar palco e cartaz com artistas que, de outra maneira, nem passariam pelas ilhas. O exemplo mais flagrante será, sempre, a residência dos ZA! que promovemos, em que estes trabalharam a linguagem de improvisação com a Escola de Música de Rabo de Peixe — uma das regiões mais pobres da Europa —, com crianças entre os 4 e os 15 anos. Foi um momento de inegável orgulho ter proporcionado um concerto em que as crianças da freguesia de Rabo de Peixe actuaram perante uma plateia cheia, numa das salas mais emblemáticas de São Miguel. E é sempre com esse propósito de base que o TREMOR deverá actuar.

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© Tremor

CA – O facto do festival decorrer nos Açores dificulta chegar ao público continental?
ML – Por um lado é um fator de distância, mas por outro torna este acontecimento mais especial e mais apetecível para quem consegue ir, porque de forma alguma se conseguem proporcionar as condições que ali reunimos, um misto perfeitamente harmonioso entre o que há na natureza e que a mão do homem por lá criou.

CA – Quem conhece, diz que o Tremor é especial. O que o difere de outros festivais?
ML – Em primeiro lugar o local, que por mais maravilhas que se possa dizer sobre São Miguel, só estando lá e vivenciando o espaço se consegue compreender na plenitude. A beleza daquele pedaço de terra no meio do atlântico é única. Por outro lado, a insularidade permite que durante um período de tempo o público e os artistas estejam cingidos ao mesmo espaço, habitando as mesmas salas (que, exceptuando o Coliseu, são de dimensões muito íntimas), o que faz com que estas barreiras público / artista sejam completamente diluídas e crie um espirito de união brutal, algo que é se proporciona tão facilmente noutro contexto.

CA – Como é que têm sentido o feedback dos participantes?
ML – Tem sido ótimo. Quem já participou (quer como artista, ou público) quer e faz por voltar, o que nos diz que as pessoas estão satisfeitas ao ponto de querer repetir a experiência, mesmo que seja diferente de ano para ano.

Felizmente, não é apenas querer regressar a São Miguel, mas também fazer parte de algo que pode, mesmo, mudar a dinâmica cultural inteira de uma população e da sua localidade.

CA – O que podemos esperar da próxima edição?
ML – Queremos continuar o trabalho com uma oferta pensada e cuidada, e impulsionar ainda mais a relação do Tremor com o território. O número de residências artísticas irá ser uma prova que queremos mesmo que o Tremor seja um estaleiro cultural para o ano todo, que não se fique pelos concertos e que proporcione criação a apresentar fora do contexto de São Miguel e dos Açores. Queremos que o espaço e o contexto inspirem artistas tanto na ilha, quanto fora dela.


CA – A nível pessoal, o que recomendarias a quem ainda não conhece tão bem o festival?
ML – Comprem um bilhete para Ponta Delgada, no caminho do aeroporto para o centro da cidade parem no Cais 20 para comer as melhores lapas e arroz de marisco do planeta, e a partir daqui é vaguear ao sabor do festival pela ilha. A variedade é tanto palavra de ordem para o festival, como para o território, por isso há que ter tempo para explorá-lo bem.

CA – Quem está interessado em saber mais ou em comprar o bilhete, o que deve fazer?
ML – No nosso site www.tremor-pdl.com tem todas as informações de que precisa. Qualquer coisa que lá não esteja, é só contactar-nos directamente por mail, ou pelas redes sociais. Teremos todo o prazer em ajudar.

CA – Queres deixar um convite aos leitores?
ML – Claro: há música para todos os gostos, um cartaz variado (com Bonga, Mão Morta, Beak>, Circuit des Yeux e os recém anunciados Jacco Gardner, Drinks, Stone Dead, K-X-P, Mano Louis, DJ Fitz ou Vive Les Cones entre outros), festa garantida com e momentos verdadeiramente marcantes; há uma ilha inteira por explorar, com paisagens semelhantes a um Parque Jurássico, iguarias sem fim e uma simpatia transbordante nas pessoas de lá. E há a possibilidade de fazermos todos parte disso mesmo. Esperamo-vos a partir de dia 4 de Abril lá.

ML – Por fim, perguntava se tens algo a acrescentar.

Simplesmente isto: venham. Dificilmente o que aqui leram fará jus ao que poderão viver lá.

Para voares até ao Tremor basta acederes à SATA Internacional através do site https://www.azoresairlines.pt/ ou do Contact Center 707 22 72 82 das 7H às 21H (hora dos Açores).

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