Todas as semanas vou trazer-vos novos discos e dar a minha sincera opinião, esta semana começamos tudo ao som do novo dos Riding Pânico.

Uma rubrica por:
Bruno Figueiredo


Já lá vão 4 anos desde que “Homem-Elefante”, o 2º disco dos Riding Pânico, nos agraciou os ouvidos, disco esse lançado 5 anos depois do primeiro trabalho dos lisboetas “Lady Cobra”. E se ambos os trabalhos foram surpresas agradáveis para o público que se reunia em volta do projecto, “Rabo de Cavalo” não ficará atrás, sendo claramente uma obra que reflete os já 13 anos de percurso da banda, e dos seus elementos, como um dos projectos mais relevantes do underground nacional.

Ao arranque da primeira faixa, ficamos agarrados. É difícil explicar como a sonoridade dos Riding Pânico se constrói tão melodicamente, não fossem as inúmeras camadas, ágeis, que se vão empilhando ao longo das faixas, mas uma coisa que é certa, é uma identidade que se ouve ecoar no seu trabalho. Aqui e ali ouvem-se, nos riffs distorcidos e amontoados das guitarras e teclados, pequenos detalhes que nos fazem recordar o trabalho já construído em Homem-Elefante, e será talvez essa nostalgia das poucas coisas a apontar como senão, num disco que, soando familiar, parece ser, todo ele, uma explosão de energia contida ao longo destes quatro anos – agora numa quase orquestração do improviso, como antes nunca tinham conseguido.


“Rosa Mota”, o single de avanço do disco já está disponível.

Os ritmos são agora mais rasgados, e por vezes um pouco abafados, dando espaço aos teclados e a mais sonoridades electrónicas para subirem à ribalta sem nunca ocultar as sempre lideres da composição, as cordas das guitarras e baixo, sendo este último o que, como quase sempre, se vai divertindo nas sombras para quem o quiser ouvir. Mas o suspense tem lugar de destaque, em faixas que brincam com a construção do que só podemos chamar de silêncios cheios de reverberações que prolongam a sensação de falta de ar que intermitentemente nos afecta.

“Não sendo perfeito, como nunca ninguém é, é um disco que vai deixar-vos o sangue a ferver(…)”

Talvez seja um desafio ser-se uma banda instrumental, mas a voz destes, agora senhores da música portuguesa, ouve-se e bem em tudo quanto põe em cima da mesa com este trabalho. Não sendo perfeito, como nunca nada nem ninguém é, é um disco que vai deixar-vos o sangue a ferver, e podem esperar uma noite inesquecível quando a banda subir, pela primeira vez, ao palco no Musicbox no dia 16 de Março, para dar a conhecer o “Rabo de Cavalo” ao mundo.

Riding Pânico – “Rabo de Cavalo”
★★★★☆

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Gravação, mistura e masterização: Makoto Yagyu,
Fabio Jevelim e Miguel Abelaira

Artwork: Gunardo

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