O som do brasileiro Luca Argel conta-nos histórias e leva-nos a uma felicidade que é conseguida, tanto pelo som do seu ukulele como das letras que compõe.

Uma rubrica por:
Bruno Figueiredo


Quis o destino que os meus ouvidos parassem num pequeno vídeo que rondava as redes sociais e que me apresentou a Luca Argel da melhor maneira, com ajuda de Star Wars. Foi com Estar o Ó, ep. 2 que eu aprendi que o Samba tem lugar para ficção e, um ou dois dias mais tarde pude finalmente por a mão no trabalho deste brasileiro sediado no Porto.

Ao arrancar da minha audição do “Bandeira”, demorei a consumir compulsivamente as suas letras. Mas foi coisa de pouca dura pois, logo que a minha atenção realmente abriu portas ao imaginário do Carioca, as situações diárias passaram a ter um ritmo diferente. Letras que primam pela ligeireza com que tratam o dia-a-dia, pela graça com que transforma a tristeza em algo agradável ao ouvido e que nos leva a querer deleitar-nos nas cordas daquele ukulele e da eterna melancolia que emana.

Mas Luca Argel não ficar por aqui. Com um ligeiro troçar social, de critica subjacente, onde frases tão simples como “um bom croissant tá custando o olho da cara”, “ninguém faz festa porque a vida está fácil” ou até mesmo “é melhor estar no vermelho do que viver de joelho até ficar velho. E morrer sem dar trabalho”. A rima, essa, é clara como a água e será também essa clareza e simplicidade a arma maior deste disco que por estes dias me abraçou os ouvidos.

Em “Bandeira”, os ritmos do Samba encontram uma voz, e as palavras mais certas para animar, mesmo ao som da tristeza.

Por fim, restaria dizer que Luca Argel é a banda sonora perfeita para uma tarde de verão, outono, primavera ou verão, pois música desta não tem estação. Bandeira é sem dúvida um trabalho que fala por si só e se querem perceber como a contemporaneidade dos temas vos enche de uma sensação de conforto constante, aconselho vivamente a ouvirem este trabalho.

Luca Argel – “Bandeira”
★★★★½

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