Entrevista: Luana do Bem

A poucos dias da dose dupla de concertos de Damien Rice em Portugal, fomos até Barcelona para perceber o que podemos esperar destes concertos. Falámos de instrumentos, próximos trabalhos e tentámos abordar o Brexit, mas acabámos a filosofar sobre a vida.


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Luana do Bem: Para quando o próximo trabalho original?
Damien Rice: Estou, neste momento, a trabalhar numa canção com o rapper Tamer Nafar. Essa deve ser a próxima canção a ser lançada.

L: Como descreverias o álbum “My Favourite Faded Fantasy”?
D: É como uma limpeza de casa. Deitar fora algumas coisas antigas para te preparares para coisas novas.

L: Como foi trabalhar com o produtor Rick Rubin?
D: O Rick é um homem adorável. Muito fluido e duro, da maneira mais gentil possível. Foi muitas vezes o ar para os meus pulmões desesperados. Adorei.

L: Como é tocar num festival como o Cruïlla?
D: É tal e qual como conduzir numa estrada molhada! Tocar num festival pode ser traiçoeiro. Depende muito da organização do festival. Há certos festivais em que é possível dar um concerto focado, para um público focado. Mas também há festivais em que os vários palcos acabam por baralhar o público, sendo mais fácil perder a atenção do público. Hoje em dia, a organização tem mais atenção a esse tipo de detalhes e as coisas acabam por correr melhor – tanto para os músicos como o público.

L: O que podemos esperar dos concertos que vais dar em Portugal já na próxima semana?

D:  O melhor é não estarem à espera de nada. Prefiro não criar expectativas. Gosto de encarar os concertos a medida que vai chegando. Um novo dia, um novo lugar, novas pessoas e novo potencial para uma nova experiência. Isto é muito mais inspirador para mim.

L: O que achas do público português?
D: Na edição do ano passado do NOS Primavera Sound o público foi incrível. O design do palco e o local do festival também ajudaram muito, porque criaram um ambiente de anfiteatro natural. Adorei tudo.


5 perguntas / 5 temas:

L: Se tivesses que escolher um dos teus álbuns para reescrever, qual seria?
D: Nenhum, estou demasiado ocupado com canções novas para pensar em reescrever antigas.

L: Queres partilhar a tua opinião acerca do Brexit?
D: As pessoas fazem o que querem e todos nos movemos numa intrigante e complexa dança, uns com os outros. A vida está em constante transformação. Eu acho fascinante estar vivo e continuo a procurar a grandeza em toda a gente, incluindo em mim. Adoro relembrar-me que muitas vezes não sei aquilo que acho que sei.

L: Se pudesses viajar para qualquer lado, agora mesmo, para onde ias?
D: Gostava de viajar dentro da mente de alguém para perceber como é ser outra pessoa.

L: Quem achas que devia ganhar o Euro 2016?
D: Eu gostava que tivesse ganho a Islândia. Acho que todos simpatizamos com eles e, se eles tivessem ganho, ninguém ia ficar chateado.

L: Se tivesses que compôr uma canção mas não pudesses usar guitarra ou bateria, com que instrumentos a compunhas?
D: Com um ukelele wimbrola, através de um microfone e um pedal de distorção.


Relembramos que o músico regressa a Portugal já na próxima semana, em dose dupla, com concertos na Casa da Música (12 de Julho) e no Coliseu dos Recreios (13 de Julho).

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