Texto: Adelaide Martins | Fotografia: Salomé Reis, Bruno Figueiredo, Tozé Loureiro, Pedro Matos, Lia Marques, João de Sá, Beatriz Aguiar

O Aqui Base Tango vai dar uma vez mais palco aos concertos Erro Crasso. E, desta vez, será o último.


“Concertos ERRO CRASSO, O FIM.
2 anos, 42 datas e 78 bandas depois, chegou a hora dos Concertos ERRO CRASSO dizerem adeus.
Foi bonita a festa, pá!”

E foi assim que, às 9h56 do passado dia 30 de Novembro, todos recebemos a notícia de que estava ditado o fim de mais um ciclo que promove a cultura e a música nacional em Coimbra.

O Erro Crasso (RR) surgiu no início de 2014, como um site de partilha e exposição de música, fotografia, gif-art e erotismo. Mais tarde, em Dezembro desse mesmo ano, António Torres, rosto e cérebro por detrás desta simbólica montra online, foi convidado a fazer a programação da Casa das Artes Bissaya Barreto. E assim foi, ao Sábado e ao Domingo, de duas em duas semanas, em regime de matiné. O convite seguiu caminho, ganhou forma e lá tomou lugar de Dezembro de 2014 a Março de 2015. Nesse momento, houve a necessidade de dar uma nova sede para os concertos Erro Crasso. E foi assim que o salto se deu para a galeria-bar Aqui Base Tango, casa onde o projecto foi acolhido “com enorme amizade e entusiasmo”.  A par e passo, de braço dado, esteve a Confooso, guiada pela primazia e bom gosto, ao comando da  comunicação, do vídeo, da fotografia e do design dos tão aclamados cartazes.

E, agora que a contextualização está feita, relembre-se como foram estes dois anos.

Foram, ao todo, 42 datas e 78 bandas.
Como aponta a gíria, “não é pêra doce”.

Mas fez-se. E fez-se com estratégia, planeamento, trabalho, dedicação e, acima de tudo, muito gosto pelo projecto e pela partilha e troca de experiências e bons momentos envoltos em música. Em conversa com António Torres percebemos que é difícil destacar um ou outro momento, mas – e ou não fosse a teimosia o “nome do meio” da nossa equipa – “destacaria ambas as FETA NA PISCINA e a festa do I aniversário RR, com um concerto de Filho da Mãe + Ricardo Martins e uma maravilhosa exposição de todo o trabalho realizado no primeiro ano pela Confooso”.


E, se tão difícil parece ser destacar um momento em detrimento de outros, aqui fica o levantamento de nomes que fez destes dois anos um leque de boas memórias para quem deles fez parte. Em palco, os protagonistas foram: Filho da Mãe, LAmA, Mo Junkie, The Weather Station, Minta & The Brook Trout, Luís Antero, Eric Ayotte, Gadulagem, Juno, Falésia, BØDE, Daily Misconceptions, Tren Go! Sound System, O Manipulador, Blac Koyote, LASERS, Éme, Sallim, Pista, Castello Branco, Pega Monstro, Duquesa, Tresor&Bosxh, HOMO / Hysterical One Man Orchestra, Elite Athlete, Alfredo, Grutera, Branches, Cave Story, Surma, MEDEIROS/LUCAS, Daniel Catarino, Ana Cláudia, Modernos, The Sunflowers, Ghost Hunt, noz, Simão, Filho da Mãe + Ricardo Martins, Luis Severo, Homem em Catarse, M-Pex, Atila, Glockenwise, Coelho Radioactivo, Rapaz Improvisado, OROBORO, Catapulta, Galgo, Qer Dier, Jibóia, FUGLY, Flak, Torto, Clementine, Sequin, Caucenus, Evols, Capitão Fausto, Wipeout Beat, Rodrigo Amado Motion Trio, Equations, Vive Lês Cones, Galo Cant’às Duas, (Os Cobra!), 800 Gondomar, Mike El Nite, Vasconcelos Crew, Boogarins, Sky Between Leaves, Birds Are Indie, André Tentúgal (We Tust), Toulouse, dreamweapon, Savanna e Afta.

Mas, e se o quadro das memórias é uma colaboração colectiva, parte delas são também pintadas pelo público. Público esse que, ao longo destes dois anos, sofreu algumas mutações e se mostrou peça fundamental deste “lamentável desastre” que foi o Erro Crasso – salvo seja. Nas palavras de António, o sentimento foi de conquista progressiva “das pessoas e do seu reconhecimento”. E quem, como nós – Cultur’Arte Mag – esteve presente em parte maior destes concertos, pode dar razão a tal afirmação. “O público que conseguimos cativar manteve-se fiel e esteve bastante presente nos nossos concertos.”, acrescentou. Ainda em conversa com o António, assistimos a um pequeno exercício de (auto-)avaliação e percebemos que “é muito complexo, caro e extraordinariamente trabalhoso, comunicar de uma forma forte e assertiva para a imensa maioria, muito intolerante ao risco e à descoberta. E nisto dos concertos isso é fundamental; não só comunicar para aqueles que, à partida, estão ganhos mas para todos os outros, os indecisos e mais permeáveis a ruído. E aí nós falhamos.”, confessa.

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No final de contas, e face à expressão, o que conta é o que fica e o que fica são, sem dúvida, boas recordações e, penso poder afirmar, uma consciência de dever cumprido àquilo a que à priori foi proposto. Em nome da Cultur’Arte Mag, o agradecimento é geral; pela confiança, amizade e uma consequente “porta sempre aberta” e disponível para tudo. Foi um gosto fazer parte de um capítulo deste “desastre”, com a festa do nosso 3º aniversário, no dia 11 de Outubro de 2015, ao som de Medeiros/Lucas e Daniel Catarino.

Já que estamos em maré de recordações e festejos, relembramos que a verdadeira festa vai ser já no próximo Sábado, dia 17, com Alek Rein e Filipe Sambado, como é hábito, às 17h00, no Aqui Base Tango. À noite, o II aniversário do Erro Crasso termina com (Os COBRA!) na pista de dança. A não perder!

Parabéns, RR! Até Sábado e, espera-se, até um dia destes.

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