Texto: João Craveiro & Mafalda Lalanda | Fotografia: João Duarte

Tudo sobre um primeiro dia cheio, daquele que é o festival mais português de Portugal


Ao longo do Bons Sons, há muitas sonoridades que podemos percorrer, mas há algo comum e cativante em todas elas – a música portuguesa. Sim, estamos perante o festival mais português de Portugal, o que significa que cada banda tem, necessariamente, ligações mais ou menos próximas a este pedaço de terra plantado à beira-mar.

Surpreendemo-nos rapidamente com o grupo Singularlugar. Foi o primeiro concerto que tivemos oportunidade de ver e, de certeza, que não nos esquecemos dos nomes nem das feições de Katerina L’Dokova e João Neves. Trazendo as raízes portuguesas para o mundo contemporâneo, além de comporem temas originais, também musicam poemas tradicionais de autores portugueses. Dão, assim, uma nova voz à poesia e continuam a recriar a literatura e a música em Portugal. Foi um espectáculo muito bonito, acolhido pela Igreja da vila de Cem Soldos, e onde a banda demonstrou bem o uso da voz como um instrumento com capacidades infindáveis. Uma escolha completamente certa para actuar no palco Música Portuguesa a Gostar dela Própria (MPGDP).

Saídos da Igreja, passeamos até ao palco Giacometti. Whales, uma das mais recentes revelações da música de Leiria, cruzaram o rock com a eletrónica num concerto vivaz, em que nem o sol impediu a dança. Apresentaram faixas com um som poderoso e forte à semelhança das altas temperaturas que se sentiam. Neste espectáculo, tal como em muitos outros, é fácil ver como a aldeia coabita com o festival. Há graúdos e miúdos, há famílias e amigos, há curiosos e conhecedores. Tudo num espírito humilde, cúmplice e repleto de entreajuda.

Também fomos ao encontro de Manuel Fúria e os Náufragos. Um concerto que percorreu alguns dos seus temas mais antigos, sem descorar do novo disco da banda – “Viva Fúria”. Agarrou a multidão de pessoas que se juntou em frente à Igreja no palco Tarde ao Sol para ouvir o pop/rock em comunhão com a música tradicional portuguesa.

Mas, em Cem Soldos, a música não para. Seguimos, depressa, para um dos destaques do dia – Virgem Suta – acolhidos no homenageado Palco Lopes Graça. Músicas conhecidas pelo público que os esperava e que cantava com eles. Um espectáculo emotivo que marca esta edição do festival.

Por fim, chegou a vez de assistirmos aos já conhecidos Capitão Fausto. O espectáculo decorreu no Palco Eira de forma entusiasta, bem ensaiado, mas sem espaço para nada muito inovador. Dito isto, a banda percorreu o seu alinhamento, sendo que os temas mais conhecidos fizeram o público vibrar.

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