Texto: Mariana Martins | Fotografia: Mariana Martins

Há vozes que continuam a arrepiar e há textos difíceis de escrever. No passado dia 21 de Junho, a Cultur’Arte Mag foi assistir a um espectáculo único no Coliseu do Porto.

IMG_20160621_214951_HDR1


Enquanto que o formato em que se apresentava anteriormente fazia sentido ser um concerto para ver sentado, desta vez dá-nos vontade de levantar da cadeira e dançar. Estamos a falar de Anohni, o transgénero Antony Hegard – mais conhecido pelo seu anterior projecto Antony and the Johnsons. Deixou definitivamente o sexo masculino e com ele os sons mais clássicos e orquestrais, para agora com pulsares electrónicos abordar temas que nos rodeiam no dia-a-dia. Sem medos e cheia de garra, Anohni compõe as suas letras em torno de assuntos políticos, sociais, ambientais, de género, entre outros.

Esteve em palco durante uma hora, tapada de alto a baixo – onde se incluiu um manto preto a tapar o rosto. A intenção é que não olhemos para ela, mas sim aos rostos que são projectados na tela. Rostos femininos tristes, frustrados, zangados, de diferentes origens e classes. Percorreu as várias canções do seu álbum «Hopelessness» lançado este ano, e cada uma delas era acompanhada pela tristeza, desespero, raiva e desconforto expressadas nos olhos desses rostos. Sendo que uma das caras conhecidas é a da ex-modelo Naomi Campbell, que interpreta ainda o videoclip “Drone Bomb Me”.

Sem qualquer interacção – porque não é preciso – é acompanhada em palco por Christopher Elms e Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never), um dos co-produtores do álbum nas mesas de mistura. Violência, mutilação, racismo e violação são coisas que continuam a acontecer ao nosso lado e Anohni não lhes quer virar a cara, mas sim falar, gritar e cantar sobre eles. Poderíamos até chamar-lhe um álbum pessoal e de protesto, em que não só se questiona sobre si própria e a sua identidade mas também de questionar o mundo como o conhecemos hoje. Anohni quer ser as muitas vozes que não são capazes de ser ouvidas, e a sua voz penetrante e arrepiante permite passar essa mensagem. Uma performance sonora e visual muito forte que nos levou a pensar porque razão não encheu o Coliseu…

Fala connosco, dá-nos a tua opinião!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.