Texto: Adelaide Martins | Fotografia: João Duarte

No passado Domingo, dia 19, o Salão Brazil recebeu um espectáculo duplo, com a Jigsaw e Kim Larsen.


Ao contrário do que, por norma, se espera de um Domingo de música no Salão, os concertos decorreram à noite, tendo início por volta das 22h00. Depois de, no dia anterior, tocar no Sala Breyner85, no Porto, os responsáveis pelas boas-vindas ao público de Coimbra foram João Rui e Jorri, músicos “da casa”. Convidados especiais de Kim Larsen, apresentaram-se na companhia da sempre enigmática e cativante Tracy Vandal.
A dupla mais negra (e simpática!) de Coimbra subiu então ao palco no dia que assinalava “o funeral da Primavera” e deu início à sua actuação sem manobras de distração ou rodeios, directos ao assunto, com “The Greatest Trick”. E o seu maior truque é, sem dúvida, a hipnotizante fusão entre a voz profunda de João Rui e a magia das teclas de Jorri.
Seguindo com “Black Jewelled Moon”, e já com Tracy em palco, as atenções estavam todas absorvidas em palco. E se o silêncio pode ser constrangedor para alguns ou incomodativo para outros, no passado Domingo valeu ouro. A plateia, respeitadora de início ao fim, deu carta branca para que a profundidade obscura da música dos a Jigsaw envolvesse e tomasse conta do espaço.
“Red Pony” seguiu-se a “The Strangest Friend” e “No True Magic”, descontraindo a densidade sonora que se vivia. “Until You Break” e “Them Fine Bullets” foram as responsáveis pela antevisão do momento mais intenso e profundo da noite: “Lost Words” (dos Tiguana Bibles), passagem já muito aguardada nos espectáculos de a Jigsaw; “Hardly My Prayer”; e, por fim, “Bring Them Roses”. Com Tracy a acompanhar João Rui na voz, a carga emotiva das canções ganhou um peso e uma medida dificilmente descritivel. Juntas, numa conquista pelo tempo e pelo espaço, as vozes tornam-se um complemento uma da outra, deixando qualquer um de olhos vidrados no palco.

Da experiência acumulada ao longo dos anos, podemos concluir que é sempre bom ver a Jigsaw nos palcos, independentemente da formação em que se apresentem. A regra está, decididamente, ditada. E ainda não foi desta que descobrimos a excepção.

Terminada a viagem ao mundo negro dos Jigsaw, recebemos o dinamarquês Kim Larsen. Sozinho em palco com a sua guitarra e uma voz grave, Kim desde cedo brindou aos presentes por terem saído das suas casas a um pacato Domingo à noite.
Repetente na experiência de tocar em Portugal e conhecedor de Lisboa, Sintra, Porto e Aveiro, Kim estreou-se em Coimbra perante uma sala bem composta. Composta em número e composta em espírito. Na plateia podiam ver-se vários rostos familiares ao Salão Brazil, mas também muitas pessoas que chegaram a Coimbra dos mais variados pontos do país. E, ainda, muitos fãs do festival Entremuralhas, onde certamente viram Kim Larsen actuar em 2012. E as referências ao festival não se prendem apenas com o visual dos seus visitantes sendo, infelizmente, ainda uma visão muito redutora do evento. O Entremuralhas é muito mais do que uma “tendência da moda” e as memórias de quem por lá passa mostram perdurar. O músico dinamarquês destaca o ambiente e o lado monumentalmente cénico do festival, cotando-o no seu “top 5 de experiências”.
No Salão Brazil, o ambiente foi, também ele, de guardar na memória. Com um silêncio fiél áquilo que se tinha observado anteriormente, o concerto decorreu com um espirito quase familiar, com momentos de conversa muito descontraída entre músico e público. Em suma, e no geral, foi uma boa noite de música ao vivo, a recordar por todos os seus intervenientes.

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