Texto: Mafalda Lalanda | Fotografia: Mafalda Lalanda

Já é conhecido o novo romance de Valter Hugo Mãe. “Homens imprudentemente poéticos” é o título que chegou às estantes a 3 de Outubro.

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Das várias actividades promocionais à obra, no passado dia 8 de outubro foi a vez do Teatro S. Luiz, em Lisboa, receber o lançamento do livro e a celebração dos 20 anos de carreira literária do escritor. O momento ficou marcado por diversas expressões artísticas que intercalaram a apresentação destas novas páginas da literatura.
Por se tratar de um marco na produção textual de Valter Hugo Mãe, o palco do Teatro S. Luiz começou por receber as palavras elogiosas de um porta-voz da Porto Editora. Além de destacar o catálogo editorial, também fez referência à produção de José Saramago – vencedor do Prémio Nobel há 18 anos e um dos nome soantes que integra as publicações da mesma editora. Foram breves os minutos que introduziram Valter Hugo Mãe no palco, seguindo-se uma conversa informal com a jornalista Teresa Sampaio na moderação.

Entre os assuntos falados, destacaram-se os 20 anos de carreia, a escola poética do autor e as mudanças de estilo até ao momento da escrita maturada. Segundo o escritor, fica a “certeza de que deveria ter começado mais tarde”, por considerar que “o primeiro livro [de poesia] era uma porcaria”. Encara as duas décadas como um ponto para “verdadeiramente começar” algo que não sabe bem o que possa ser, embora já se adivinhem novos projectos como, por exemplo, a participação no filme “O Sentido da Vida” de Miguel Gonçalves Mendes. Uma produção que estreia em Junho de 2018, com Valter Hugo Mãe a representar-se a si próprio.

Em “Homens Imprudentemente Poéticos” continua a ser possível encontrar a prosa poética do autor, mas suavizada no que toca ao tom confessional pelo qual também é conhecido. Não existem “recados”, mas confessa que não simpatiza com a interpelação dos jornalistas face à sua poética. Na perspetiva do escritor, há algo íntimo na poesia que faz com que a imprensa a deva ver “um pouco à distância”. Ainda nas palavras do autor, com o novo romance, espera que a sua prosa “possa ter a aventura de oficina de revelação” para os leitores.
A viagem pelo mundo oriental também marcou o rumo da conversa com a jornalista Teresa Sampaio. Desta vez, o autor afasta-se do imaginário ocidental para descobrir a antiga cultura do Japão, desde os seus rituais até às suas crenças. Neste último ponto sobressai a interpretação japonesa do suicídio. Um momento que pode transformar o homem comum num herói com um propósito digno. Uma compreensão que foi feita através do contacto real e físico pelo espaço imaginado que dá suporte ao novo romance.

Durante o percurso literário do autor, a música assume-se como uma força permanente e, por vezes, mencionada na sua escrita. Também por isso preencheu o lançamento do livro com a voz de Ana Bacalhau e Márcia, mas também com a declamação de textos pelo actor Pedro Lamares.
Para comemorar o momento estiveram reunidas cerca de 200 pessoas, que tiveram a possibilidade de comprar o livro e conseguir o autografo do autor no Jardim de Inverno.

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