Entrevista: Bruno Figueiredo

Com o concerto de lançamento de “Ophelia” a decorrer hoje no Hard Club, não podíamos deixar de falar com a banda sobre o trabalho que têm feito e o trabalho que está para vir.

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Já contam com mais de 10 anos de carreira e já foram um quarteto quando rondavam o seu “Fetus In fetu” em 2010 com Afonso Dorido, Jimmy Moom, Paulo Miranda e Mateus Nogueira. Em 2013, quando nos cruzamos com eles pela primeira vez, alargaram a equipa a 5 e, com o violino de Graça Carvalho à mistura, criaram o “Odyssea“, disco com o qual se “lançaram-se ao mundo”. Agora um sexteto, com a adição de Helena Silva também no violino, os barcelenses chegam-nos com o seu 3 disco “Ophelia“, trabalho lançado a 31 de Outubro em formato digital e em vinil.

“Ophelia has two sides, two covers and two souls.” – Indignu

Sendo hoje noite de concerto de apresentação do disco no Hard Club, não poderíamos ficar sem falar com o Afonso Dorido sobre o passado, o presente e o futuro deste projecto, que se tem vindo a destacar como uma das melhores apostas sonoras nacionais e internacionais da actualidade.

Bruno Figueiredo – Chegamos ao final de 2016 com o lançamento de “Ophelia”, 3 anos depois do lançamento de “Odyssea”. O que mudou nos Indignu desde então?
Afonso Dorido –
Bem,  agora somos um sexteto e a designação do colectivo faz cada mais sentido. Somos todos mais maduros, mais vividos e sobretudo muito mais práticos ao fazer as coisas. Aprendemos muito nestes três anos. Houveram períodos muito difíceis, erros cometidos, barreiras que pareciam intransponíveis, mas no fim saímos mais fortes com o nascimento deste nosso “terceiro rebento” e a boa recepção inicial do Ophelia, abre-nos horizontes. Sabemos agora, passado este tempo todo, muito daquilo que queremos e sobretudo sabemos aquilo que não queremos.

BF – Este novo trabalho fala-nos sobre o quê? De onde nasce “Ophelia”?
AD –  Conceptualmente o Ophelia, fala-nos da bipolaridade humana. Da forma como o ser humano pode caber em seus próprios opostos. O formato em que foi lançado (vinil), reflecte taxativamente essa bipolaridade. O Lado A tem luz, quietude e atmosferas em modo levitação. O Lado B é mais escuro, excêntrico, desconcertante.

É um disco de duas faces, mas deixa-nos a libertação de percebermos quando é nós mesmo descobrimos isso em nós, enquanto humanos.

BF – Sentem-se felizes com o trabalho que desenvolveram até aqui?
AD –  Sim. Tendo em conta todas as barreiras que temos ultrapassado, tendo em conta o aumento significativo de pessoas que nos seguem nos últimos tempos. O “Fetus in Fetu” está prestes a esgotar, o “Odyssea” já tem uma segunda edição e é considerado por muitos e citando “uma obra de arte”. O pré-order do “Ophelia” teve uma adesão que nos superou as expectativas e obviamente estamos felizes por chegar ao terceiro disco sentido que a banda tem crescido e continua a crescer…

BF – Este é o vosso 3º álbum e com o “Odyssea” chegaram longe, com reconhecimento tanto nacional como internacional. Acham que o vosso “Ophelia” está ao nível do desafio ou isso não vos preocupa?
AD – Não nos preocupa. No entanto pelo feed-back inicial, o disco está a ser bem recebido, sobretudo “lá fora”. O nível de vendas para o estrangeiro está a ser bastante forte. Um disco cresce também com o tempo de maturação. Estamos satisfeitos é com o facto de ser um disco diferente dos anteriores com DNA próprio. Aliás… não queremos fazer discos iguais.

BF – O vosso single de avanço, “Mar do Norte”, contou com videoclipe pelo realizador Omar Nayef e toda uma equipa não nacional. De onde vos chega a ligação ao Omar e porque esta escolha?
AD – A Graça Carvalho, está actualmente a viver no Cairo e muito própria de todo o epicentro cultural egípcio. Foi apenas uma questão de tempo até conhecer o Omar Nayef. Ele gostou muito das nossas paisagens sonoras e num trimestre tudo brotou. Estamos muitos satisfeitos por trabalhar com um premiado realizador egípcio mas sobretudo pelo resultado final.


BF – Hoje é dia de lançamento no Hard Club, o que esperam desta noite?
AD – Esperamos uma celebração. Um pontapé de saída para uma nova fase na estrada e um encontro com todas as pessoas que nos seguem de verdade e que se têm mantido fieis. É por elas que estamos aqui, a lançar discos e com uma vontade enorme de dar seguimento a toda esta epopeia. Será um concerto que visitará muito do nosso repertório e com novo cenário, e é para nós, até porque encaramos sempre um concerto como algo único, será um marco especial.

Assim fica o convite para passarem hoje à noite no Hard Club, onde às 22h00 as portas abrem para um novo mundo sonoro, com direcção sonora pelos Indignu.

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