Fotografia: Salomé Reis | Texto: Bruno Figueiredo

Uma noite de indie-rock nacional com representação do que melhor que se faz no Porto e Coimbra.

O indie-rock já não é um estranho sobre o soalho gasto do Salão Brazil, com inúmeros nomes nacionais e internacionais a fazer as honras da casa a quem por lá tem passado nos últimos anos. E se há bandas que tem recorrido ao Salão Brazil como palco central, os conimbricenses Flying Cages fazem parte dessa lista. Assim fez sentido que esta noite partilhada com os seus comparsas de editora, The Lazy Faithful, para encher o ar da baixa coimbrã de acordes rasgados e vozes melancólicas, tivesse lugar na sala maior da música em Coimbra.

Infelizmente, a sala, repleta de fãs, amigos e familiares, não estava cheia. O fosso entre o público e o palco: maior do que o Salão Brazil pede, talvez por timidez de quem não se deixava contagiar pelos ritmos, mas o arranque ao som do The Lazy Faithful teve tudo menos falta de energia. Em palco, havia boa música misturada de desconforto físico, mas foi algo que se dissipou rapidamente e “Bringer of a Good Time” foi um bom título dado a um trabalho que, naquele palco escuro, nos deu momentos deliciosos de ritmos fortes, linhas intermináveis de guitarra e passos de dança ao som da voz arranhada de Tomy Hogg.

A 2ª parte da noite, de sala já bem mais composta pelo público que vinha chegando ao longo da noite, foi de uma leveza diferente. Se os Lazy Faithful trazem consigo energia e rock com peso na voz e nos instrumentos, os Flying Cages voltaram com o seu tom quase sedutor e mais arrastado. Não que lhes faltasse energia, pois é coisa que nunca fez falta ao quarteto conimbricense, mas é de algo diferente que vive a música dos Flying Cages. Num tom bem mais maduro, solidamente ensaiado depois da recente tour em Itália, os Flying Cages trouxeram-nos o seu “Woolgather”, e não só, vestidos de novas tonalidades e de um à vontade de palco bem menos tímido, bem mais presente e interáctivo.

No final da noite ficamos bem servidos de alguma da melhor música que este país tem para dar, e esperamos rever estes 2 projectos por esses palcos, com todo o destaques que lhes é merecido

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