Texto: Bruno Figueiredo | Fotografia: Bruno Figueiredo

Em dia de NOS Alive, decidimos seguir contra a corrente e refugiamo-nos no Musicbox para ouvir o novo disco dos Galo Cant’às Duas


Numa noite em que a baixa lisboeta parecia um pouco mais despida de “audiência”, perdida na luta contra o Passeio Marítimo de Algés, o Musicbox abriu portas ao público para que pudéssemos fugir à rua vazia e refugiarmo-nos nos sons da música feita em Portugal.

Começamos a noite ao som de Primeira Dama, um projecto nascido na família da Xita Records que nos trouxe o seu novo trabalho homónimo. O músico, que subiu a palco numa espécie de timidez atrapalhada, fez-nos render à sua simplicidade e a sua voz suave sobreposta com os sons sintetizados, formaram uma relação perfeita em palco. Com um quê de “fachadez” na sua composição e escrita, fez da sala sua, acabando ainda a extender o concerto um pouco mais do que o esperado, mas não se preocupem, ninguém ficou chateado.

O palco foi então tomado pelo destaque da noite, os Galo Cant’às Duas, que ali apresentaram o seu novo disco de nome “Os Anjos Também Cantam”. A dupla de instrumentistas, donos de uma energia frenética, subiu a palco sob a escuridão, para um publico um pouco mais reduzido, e arrancou o espectáculo sem grandes floreados.

A música, no seu estado mais puro, teve ali um lugar de destaque num concerto que, com certeza, nos acelerou o ritmo cardíaco e, sob a complicação instrumental montada em palco, a música construiu-se em camadas sonoras perfeitamente aglomeradas na sonoridade já característica do duo. No fim, o Galo cantou pela última vez ainda nem duas horas eram e a sensação foi de que o concerto soube a pouco, mas soube bem, muito bem.

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