Esta iniciativa, nascida a Dezembro de 2015, pretende, através do vídeo, documentar e promover novos projectos musicais nacionais. Como quisemos saber mais sobre este projecto, estivémos à conversa com Joana Jorge, uma das produtoras por detrás da Porta.

Mariana Martins – Quem faz parte da equipa da Porta 253?

Joana Jorge – A equipa da Porta 253 tem-me como criadora, produtora, promotora, diretora de arte, realizadora, câmara e editora; como produtor e editor áudio, o João Figueiredo; como câmaras e editores, a Inês Martins, a Mariana Santiago e o Tiago da Cunha; como promotor em redes sociais e afins, a MOOH Biscates Transmedia; como designer, a ! design; como entrevistadores, o Vítor Vilas Boas e a Carolina Bravo; como fotógrafas, a Matilde Quintela e a Inês Pereira; e, como agente/booker, a Bazuuca.

 

MM – Como surgiu esta iniciativa?

JJ – Esta iniciativa surgiu de alguns modelos que já existem nos EUA, o KEXP e o Tiny Desk Concerts. São projectos que me cativam imenso e através dos quais posso descobrir imensos projectos musicais novos. Houve um dia em que pensei “por que não fazer uma coisa do género em Braga?”. Apesar de ter bebido alguma inspiração desses projectos, decidi criar algo novo e adaptado à cidade de Braga. Em vez de ser sempre num sítio fixo, decidi que fazer em locais diferentes e nos quais não costuma haver concertos, o que seria uma boa ideia para dar a conhecer novos espaços de Braga às pessoas. Depois, a parte mais vital e importante do projecto é o vídeo.


 

Eu sou licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, mais propriamente na especialidade de Audiovisual e Multimédia, e resolvi tornar o vídeo no aliado mais forte deste projecto, para poder eu própria praticar e deixar outros colegas meus da minha área fazer o mesmo. Também o João Figueiredo, que capta e produz o audio dos concertos, trabalha num estúdio e adora produção, pelo que seria juntar o útil ao agradável. Acima de tudo, a Porta 253 é um projecto audiovisual que grava concertos em sítios improváveis e diferentes de Braga, para dar a conhecer a cidade, os projectos musicais e para servir de atelier para aqueles que gostam de vídeo, música e fotografia.

 

MM – É um projecto recente, que teve como inauguração (a 19 de Dezembro) o concerto dos Leviatã no InBRaga Hostel. Como foi e como tem sido a adesão do público?

JJ – A adesão tem sido surpreendentemente boa. Já temos um número de likes consideráveis e tudo sem patrocínios nem uma promoção demasiado exaustiva. Apesar de mantermos uma comunicação bastante regular e coerente no Facebook e no Instagram, não estávamos nada à espera de ter esta recepção, mas penso que talvez se deva ao desejo que as pessoas têm de que haja projectos novos ligados à cultura.

 

MM – Começaram este novo ano com um concerto dos Travo na loja Vá de Retro, e já passaram por outros locais como o Espaço Cultural & Cabeleireiro Pedro Remy, o Retrokicthen e o B Concept Store. Portanto, com esta ideia de tardes de concertos em todo o lado pretendem que cada concerto organizado pelo Porta 253 seja uma experiência única tanto para os artistas como para levar o público a espaços que de outra forma não iriam lá?

JJ – Na Porta 253, escolhemos os locais dos mini-concertos consoante o projecto que vem cá tocar. Ouvimos as músicas e tentamos adequar ao máximo o local ao som da banda, tendo em conta o número de membros, etc. Para o público, também se torna interessante que estes mini-concertos sejam em locais diferentes, para que os possam conhecer e para os espaços também é benéfico que tragamos a Porta 253 lá, por isso toda a gente fica a ganhar.

Mas gostava de esclarecer aqui uma coisa:

O maior propósito da Porta 253 é o vídeo que resulta do mini-concerto e não o concerto em si.

Nós não temos P.A., pelo que o som nunca será o melhor, mas se virem o vídeo em casa, ouvirão a banda/artista tal e qual como ele soa.


MM – Uns dias mais tarde vocês lançam um vídeo onde mostram o concerto e a entrevista realizada ao artista/banda. O vosso objectivo é divulgar bandas nacionais recentes e também dar a conhecer um pouco da história das pessoas responsáveis?

JJ – As entrevistas são uma parte fundamental deste projecto. Para além de dar a conhecer a música do artista/banda, é importante divulgar um pouco sobre eles. Estas entrevistas são adaptadas ao espaço em que decorrem, o que marca a diferença.

 

MM – Em Fevereiro realizaram três concertos e já têm agendados dois para Março. Isto quer dizer que querem fazer estas sessões musicais com mais frequência?

JJ – Sim, o nosso objectivo é fazer crescer cada vez mais a Porta 253 e realizá-la com uma frequência crescente e gradual. Se o fizermos, encontraremos a fórmula certa. É preciso “estudar” aquilo que resulta e o que não resulta, através da prática. Por exemplo, questionarmo-nos se havemos de filmar com 2 ou 3 câmaras, que planos resultam melhor em cada caso, o tipo de luz que devemos usar, como devemos captar o som, etc.


MM – Quais são as expectativas para o futuro do Porta 253? Imaginam-se a levar este projecto a outros sítios que não tenham um sotaque nortenho tão acentuado?

JJ – Queremos que a Porta 253 seja um projecto conhecido pelo maior número de pessoas e quem sabe angariar algum apoio financeiro para algumas despesas, pelo que é importante torná-lo querido de todos e fazer um portfólio cada vez maior.

Outros desejos que temos é tornarmo-nos melhores no que fazemos, quer a nível de vídeo, quer a nivel de audio e de entrevistas. Acima de tudo, queremos fazer algo com qualidade, algo que seja único e marcante para as pessoas.

Levar a Porta 253 a outros locais é algo que está a ser estudado por nós e esperamos vir a torná-lo possível.