Flying Cages

Eles são o Zé Maria Costa, o Rui Pedro Martins, o Francisco Frutuoso e o Bernardo Franco, e são os nomes por detrás deste projecto que nasce em Coimbra em 2011.

Os Flying Cages são já da casa, quase como família (ainda que afastada), por isso não precisam de grandes apresentações.

É simples. Eles são o Zé Maria Costa, o Rui Pedro Martins, o Francisco Frutuoso e o Bernardo Franco, e são os nomes por detrás deste projecto que nasce em Coimbra em 2011.

Com uma sonoridade Indie Pop/Rock, desde cedo que marcaram bem a sua posição com musicas sempre animadas onde podemos encontrar desde as mais sofridas baladas de amor aos temas mais dançáveis, todos estes sob a alçada da “famosa voz de bagaço” de Zé Maria Costa.

Faz já algum tempo desde a última que ouvimos falar deste quarteto, quase até desde que o Frutas foi cortar o cabelo. Isto é, até que no passado dia 1 de Novembro lançaram o seu novo single “Kaliko“:


Desde então lançaram já o seu Lalochezia, o primeiro longa-duração do quarteto, assim como têm datas marcadas para o apresentar, ao vivo, aos fãs e restante público que os espera. Mas recuemos ao lançamento do primeiro single, “Kaliko“. Foi por esses dias que decidimos falar com a banda para saber o que esperavam fazer nos próximos tempos e, dado que o Bernardo se encontrava por Varsóvia, estivemos à conversa com o Zé, o Rui e o Francisco:

Bruno Figueiredo – Quem são os Flying Cages neste momento?

Rui Pedro Martins – “A melhor banda do mundo”! Agora a sério, sei lá… os Flying Cages são a nova cena. Vá, temos muito mais experiência agora!

Zé Costa – Não é bem assim, eu acho que somos o mesmo que éramos antes.

Francisco Frutuoso – Somos os mesmos desde a ultima vez que fomos tocar à Queima das Fitas, mas agora levamo-nos mais a sério!

ZC – Sim, até porque agora estamos um pouco mais expostos. Antes éramos capazes de publicar fotos de brócolos no Facebook, agora somos um pouco mais ponderados, mas continua a sair naturalmente.

RPM – Mas acho que nos queremos manter dessa forma, com aspecto um pouco descontraído, um pouco mais “rough” na nossa imagem. Nisso somos exactamente a mesma coisa, até porque é bastante autêntico e a gozar, mas agora pensamos mais antes de fazer.

BF – E já lá vai um ano desde a última vez que os Flying Cages deram um sinal de vida. O que andaram a preparar?

RPM – Bem nós tivemos oportunidade de gravar. Tivemos duas propostas…

FF – Isso foi há mais que um ano, acho que à dois.

RPM – Foi quando nós pensamos em começar a gravar o álbum que vai sair em Janeiro.

ZC – Na realidade foi há 3 anos que começou tudo, quando tocamos na FNAC, que estava lá o Toni a fazer-nos som e disse que queria falar connosco. Depois fomos ao estúdio com ele, passado um ano, ou seja há dois anos, começamos a gravar as guias e de há uma ano para cá é que temos o álbum quase pronto a sair.

RPM – E tivemos ainda a possibilidade de escolher gravar o disco todo num dia, todos a tocar ao mesmo tempo e depois só gravarmos as vozes por cima.

Depois também tivemos a proposta para gravar nos BOOM Studios, que é um dos melhores estúdios da Peninsula Ibérica… Só que nós preferimos gravar cá, com mais tempo. Gravamos então no Loudstudio com o Toni Lourenço.

Tivemos 2 anos, de um modo muito intervalado. Iamos lá de vez em quando, gravamos mais faixas, com tempo… e isto acabou por se prolongar um pouco, porque começamos, já tarde, a pensar no resto das coisas que são super-importantes e depois queríamos que as coisas ficassem melhor do que surgiram logo há primeira.

ZC – Nesse sentido estamos mais maduros. Quer dizer, antes fazíamos música e curtíamos, e o primeiro passo era gostar da nossa música.

RPM – E nós não estivemos totalmente parados! Estivemos a tratar de outras coisas que são importantes também e já temos o segundo álbum preparado, e não tem nada a ver com o primeiro.

FF – Por um lado é um pouco chato. Estamos a lançar as músicas 3 anos depois de as fazer.

RPM – Mas é normal, neste espaço grande que passou, mudamos muito os nossos gostos e as nossa influências. Mas acho que isso é bom e acho que agora nos concertos que vamos dar já vamos incluir elementos da nova fase e vai ser uma passagem discreta.


BF – Já vos ví-mos na Latada, Queima das Fitas, no Alive… eu já vos vi no Hell’s Cut. Que novos caminhos procuram?

ZC – Tudo o que não seja trabalhar abaixo de cão.

FF – Muito simplesmente é conseguir viver disto.

ZC – Mas não viver, como nos aconteceu algumas vezes, em que juntamos algum dinheiro e íamos tocar, passando por sítios com pouco nome e muitas vezes nesses sítios trataram-nos melhor que nos maiores.

RPM – E isso é muito relativo. É importante termos passado por certos sítios que nos abriram portas para outros concertos.

Mas o essencial agora é avançar de nível e tocarmos em palcos um pouco maiores do que os que temos tocado.

Por exemplo o Fusing já foi um palco altamente, e o NOS Alive, comparado com o Fusing, foi uma experiência muito pior. Também passamos pelo Hard Club, onde não tivemos uma boa experiência com a organização. Mas a ideia seria a de subir um patamar e começar a fazer os festivais de verão, esse roteiro.

BF – E o circuito de salas, é uma alternativa para vocês em Portugal?

ZC – Isso é o que se proporcionar.

RPM – Não temos nada contra. Eu gosto da experiência, por exemplo adorei o som no Salão Brazil.

ZC – E era como estávamos a dizer. Mesmo estando a passar por vários sítios, mesmo sendo alguns maus locais, acabamos por ganhar alguma robustez. Passamos mesmo em baixo e depois lá em cima…

RPM – Deu para perceber melhor o que nós queremos. Por exemplo a experiência de entrarmos num concurso fez-nos não querer voltar, são uma óptima oportunidade para os locais terem bandas a tocar de graça. Quase como naqueles concurso de design, em que participam com 1000 propostas e só pagam uma, por isso os concursos para nós deixaram de fazer sentido, assim como deixou de fazer sentido tocar por tudo e por nada, percebes? Preferimos dar concertos em que sabemos que as condições vão estar reunidas e damos outro valor à qualidade do que é importante para os concertos correrem bem.

BF – E há assim alguém com quem gostassem de partilhar um palco?

ZC – Tanta gente, sei lá…

FF – Damon Albarn por exemplo.

ZC – Isso era brutal meu, mas lá está são muitos os nomes que nos chegam à cabeça.

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BF – Esta semana tivemos direito a vídeo novo. É já um prenuncio a este novo trabalho?

ZC – Na realidade o vídeo é mais uma afirmação para as pessoas perceberem que: “Estivemos este tempo todo parados mas estivemos a fazer alguma coisa, percebem?”, isto até porque sinceramente chegou uma altura em que já não queríamos bem lançar o álbum… e é óbvio que é sempre uma sensação brutal lançar um, não é? É aquilo que os músicos fazem.

Mas neste último estágio já estávamos numa onde de “vamos mas é mandar isto para a frente que é para lançar-mos já o segundo” e era basicamente isto que tínhamos na cabeça.

RPM – Mas estávamos muito contentes na mesma com este trabalho, acho que é um marco importante.

FF – Também demoramos muito a lançar este álbum porque o apoio não foi o melhor.

RPM – E também porque ponderamos muito as editoras. Falamos sobre isso, mas decidimos a edição de autor.

Agentes também. Têm-nos preocupado ter um agente e um publisher para tratar da comunicação.

ZC – Também estamos mais numa onda do “como é que corre”, como já estivemos tanto tempo a trabalhar sozinhos.

RPM – E até porque, isto do Do It Yourself resultou, quer dizer, demoramos um pouco mais de tempo porque somos mais inexperientes. Mas acho que temos feito as coisas à nossa maneira e fomos nós que conseguimos ir tocar ao Fusing, porque por iniciativa própria fomos falar com eles, e outras coisas como o NOS Alive onde ganhamos o concurso.

ZC – Ganhamos… quer dizer, fomos seleccionados para tocar! Quem realmente ia ganhar já toda a gente sabia.

RPM – Pronto, mais um mau exemplo. Acabamos a comer fast-food e fomos nós que pagamos e eu ainda perdi uma t-shirt!

BF – Para terminar, falando do álbum que está marcado para Janeiro, já tem nome?

ZC – Já tem nome, já tem capa, já deve ter é bolor quase. Mas o nome, esse é “Lalochezia“.

RPM – E a definição do nome vai estar no álbum!

São 13 faixas fogosas e no fundo, no fundo,
Lalochezia” é melhor que um anti-depressivo.

E assim terminou a nossa conversa noturna, naquela que é a sala de ensaios da banda e a mais colorida garagem de Coimbra. Agora resta-nos esperar pelo 2º álbum que está para vir e até lá, divertirmo-nos ao som dos Flying Cages que com certeza, vaguearão pelos palcos nacionais nos próximos tempos.

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