Um trio de vozes suaves, que representam algo do que de melhor se faz da música indie nacional, os Birds Are Indie já por aí andam desde 2010, e a sua história é cheia de momentos felizes passados entre amigos, dentro e fora de Portugal. Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano contam já com 7 anos de carreira, e foi sobre esses 7 anos que nos juntamos para falar sobre quem são os Birds Are Indie.

Adelaide Martins – Em 7 anos de banda, quais são aqueles momentos que a vossa memória destaca?

Jerónimo – Hum… Felizmente são muitos, apesar da memória não ser o nosso forte. Claro quer a maioria das melhores memórias estão relacionadas com concertos. Sem dúvida que o do Teatro da Cerca de São Bernardo, foi especial. Podemos destacar o primeiro, feito na Sociedade Harmonia Eborense (2010), também os 2 do Bons Sons (2012 e 2016), mais recentemente o Festival Boreal (Vila Real), o Sunset Devesa (Famalicão), o Festival Confluências (Resende), o Caminhos do Médio Tejo (Dornes). Também há salas em que já tocámos várias vezes e que nos recebem sempre muito bem, como o Salão Brazil e o TAGV, em Coimbra, o Mercado Negro, em Aveiro, a Ar Quente, em Faro, a Casa Independente, em Lisboa, o Maus Hábitos, no Porto… Enfim, a lista é grande e certamente que estamos a deixar muita (boa) gente de fora. Ah, e os concertos na Galiza são sempre uma maravilha, bem como outros um pouco mais distantes, como Madrid, Barcelona, Gijón, Bilbao, Santander.

AM – O concerto que assinalou o vosso sétimo aniversário levou um vasto painel de convidados ao Teatro da Cerca de S. Bernardo que, rapidamente, esgotou. Como foi todo o processo de criação deste espectáculo, desde a escolha dos músicos, ao espaço, aos arranjos, (etc…)?

J – Foi um somatório de vontades e coincidências. Ao longo dos últimos anos fomos convidados a participar em concertos semelhantes, de outras bandas de Coimbra. E sempre que isso acontecia, dizíamos: “Pronto, um dia convidamo-vos de volta…”. Houve um dia em que fomos ver um espectáculo ao Teatro da Cerca e uma pessoa da Escola da Noite disse-nos que tinham falado entre eles e que um dia gostavam de receber um concerto nosso lá.

Fotografia: Tozé Loureiro – Concerto “Birds Are Indie – 7 years of Luck” no Teatro da Cerca de São Bernardo

Enfim, fomos juntando as peças e uns 6 meses antes decidimos celebrar o nosso 7º aniversário, que não é um número redondo, mas é simbólico. E começámos a fazer os convites e todos os músicos estavam disponíveis no dia que nós queríamos (18 de Fevereiro, a data exacta em que fizemos a nossa primeira canção), pelo que pensámos: “Bom, parece que isto vai mesmo acontecer…”. Depois foi uma questão de ir pensando nas músicas, ir juntando a malta e experimentando como funcionava. Tudo isto se passou no estúdio dos a Jigsaw, a quem temos muito a agradecer.

AM – Numa época cada vez mais criativamente fértil, em que as bandas parecem “brotar das árvores”, o que é que mais vos fascina em todo este universo da criação musical?

J – A mim (Jerónimo) o que me fascina particularmente é o processo de criação das músicas, em que as vemos a crescer, em conjunto e o processo de gravação. E especialmente o andar na estrada, a fazer os concertos, com pessoas de que gosto e que vejo a desenvolver-se musicalmente, juntamente comigo. Tudo o resto que vem por arrasto, não me importo (as logísticas, as burocracias, as redes sociais, etc), mas também não me fascina propriamente.

AM – Vivendo (n)a cidade de Coimbra, como vêem a mentalidade e cultura musical da cidade, quer na óptica dos músicos, dos promotores de eventos e, claro, dos públicos (como também são muitas vezes)?

J – Coimbra parece-nos estar num momento interessante a esse nível. Claro que há sempre espaço para melhorar, mas há várias salas onde fazer coisas e várias pessoas interessadas em fazê-las. Claro que acontece haver concertos com pouca gente mas, ao mesmo tempo, começam a acontecer cada vez mais coisas e, apesar de tudo, acho que vai havendo público para tudo um pouco. Há alguns anos era pior em muitos aspectos… Hoje em dia há o advento dos festivais, que estão a reconfigurar a maneira como as pessoas vivem (e esperam viver) a música, mas cabe a quem faz concertos extra-festival, conseguir convencer as pessoas de que vale a pena irem. Isso não se prende apenas com Coimbra, é em todo o lado. Claro, faltam algumas coisas em Coimbra, por exemplo, mais uma ou duas salas onde se pudessem fazer concertos tipo “club”. E um projecto maior seria um ponto de encontro, como existe noutras cidades portuguesas, com infraestruturas ligadas à música, de promoção privada ou municipal, onde as bandas pudessem ensaiar, tocar, conviver, experimentar…


AM –  Por fim, mas não menos importante de saber, e regressando aos Birds Are Indie: quais são as vossas aspirações futuras, a curto, médio e longo prazo?

J – De momento continuamos a fazer concertos pontuais e já temos alguns marcados até ao final do ano, mas não queremos exagerar porque estamos também já a preparar a gravação do próximo disco, que queremos que saia algures no 1º semestre de 2018. E, quem sabe, continuar a tentar crescer em Espanha e fazer tours cada vez mais sólidas por lá.